Pão, circo e sangue ao povo: gladiadores sangram

Gladiadores na arena
Pintura Pollice Verso (1872), do francês Jean-Leon Gerôme. A imagem retrata momento crucial em que a vida seria ou não preservada (pollice verso: “polegar virado”). Obra de arte constante no Phoenix Art Museum, Arizona, EUA.

Nas arenas espalhadas por todos os redutos do Império, as disputas costumavam ensejar a morte. O sangue jorrava e a multidão se encantava nos circos de Roma. Gladiadores, animais e até imperadores suscitaram o macabro clamor no “circo dos horrores” do mais influente império da História.

Diferente do imaginado, os embates nas arenas de Roma possuíam regras, árbitros e até lutadores ilustres. Utilizando diversos tipos de arma, inclusive os referentes às Legiões Romanas, os combates se sucederam por séculos. Dependendo da época, escravos, prisioneiros, criminosos condenados, voluntários e até imperadores lutaram o jogo mortal.

Na mais gloriosa e sangrenta das arenas, o Coliseu, dois dos imperadores tidos como loucos (Calígula e Cômodus) tiveram seu(s) dia(s) de gladiadores. Outros sete imperadores — sem problemas mentais — também teriam lutado no Coliseu, incluindo Tito e Adriano que tanto teriam treinado como gladiadores e lutado como tais.

Gladiadores em combate
Gladiadores em ação. Créditos: autoria desconhecida.

1. Gladiadores, gladiadoras e bestas na arena

Apesar da aversão generalizada à prática na atualidade, era algo absolutamente comum na época. Fazia parte dos “requisitos” para sobrevivência — povos costumeiramente se lançavam em campanhas expansionistas para evitar a dominação estrangeira.

“É preciso compreender esse contexto militar em que as virtudes do guerreiro eram exaltadas, para se entender a paixão dos romanos pelos combates de gladiadores e as caçadas que ocorreram nas arenas durante séculos. Esses espetáculos públicos ajudariam a ensinar e a reforçar uma concepção de bravura e a coragem diante da morte, aspecto essencial no cotidiano daquele que vai para guerra.”

1.1 Espécies de gladiadores

Os gladiadores atendiam a diversas categorias, como Trácios, Secutores, Murmillos, Retiários, Hoplomacos, Dimachaeris e Bestiariis. As referências consultadas mostram claramente os quatro primeiros, os últimos dois mais outros “espécimes” de gladiadores geram alguma confusão. Gladiadores montados — Andabatis e Equites — e mulheres também tinham seu espaço nas arenas da morte.

1.2 Mulheres na arena

Os duelos femininos, ao que parece, despertavam grande interesse público. Pareciam ser ocasiões especiais onde, “para ‘animar a torcida’, as gladiadoras não usavam capacetes e lutavam com pelo menos um seio aparecendo.”

1.3 Feras também lutavam

Além de homens e mulheres, feras atuavam no espetáculo do Pão e Circo — dentre os quais, leões, tigres e leopardos, talvez, rinocerontes. “Durante as apresentações e os espetáculos sangrentos nos coliseus romanos, as feras eram soltas dentro da arena para executar os cristãos e os prisioneiros de guerra dos romanos. Todos os dias’ havia espetáculo e em cada um deles era executado um grupo de prisioneiros derrotados nas várias guerras romanas”. (GORZONI, 2010, p. 122)

2. Podem se matar, mas, por gentileza, sigam as regras

As lutas tinham árbitros para organizá-las e o destino dos vencidos era decidido pelo patrocinador (imperador, senador, abastado, etc.) do evento, mas costumava-se escutar a voz que retumbava das arquibancadas.

Seria o juiz, depois de ouvir o patrocinador e o público, que indicaria o veredicto final — morte ou piedade ao(s) gladiador(es) vencido(s).

gladiador contra leão em arena romana
Gladiador com traje especial lutando contra leão. Créditos: autoria desconhecida.

3. O famoso dedo

A questão do famoso dedo (para cima: piedade; para baixo: morte) que decidiria as lutas parece ser a parte mais contraditória das lutas. Talvez, o punho se mantivesse fechado e significasse piedade, enquanto que o dedo estivesse para alto e descesse significasse o movimento da arma sobre o vencido, isto é, a sentença de morte.

“Se um gladiador estivesse diante da morte, esperava-se que ele aceitasse seu fim sem choradeira. Após o golpe fatal, seu corpo era removido por um homem vestido como Caronte (o barqueiro mitológico que conduzia as almas para o inferno), que saía do Coliseu pela Porta Libitinensis (Libitina era a deusa da morte).” (ONÇA, 2005, p. 11, grifo nosso)

4. Rudis, a liberdade

Bons gladiadores costumavam ser bajulados por muitos, os melhores podiam se tornar homens livres e gerar fortuna. “A glória ficava por conta da adoração que os romanos tinham pelos gladiadores. Os mais famosos faturavam prêmios, eram idolatrados pelas mulheres e eventualmente ainda ganhavam uma espada de madeira (chamada rudis) no fim da carreira. Ela simbolizava a liberdade.” (ONÇA, 2005, p. 10)

REFERÊNCIAS:
CABRAL, Danilo Cezar. Quais eram os principais tipos de gladiador?. Acesso em: 28 jun. 2013.
GILL, N.S.. Roman Gladiators. Acesso em: 28 jun. 2013.
GILL, N. S.. How Did Gladiator Fights End. Acesso em: 28 jun. 2013.
GORZONI, Priscila. Animais nas Guerras: A força do exército de bichos nas grandes batalhas da História. São Paulo: Matrix, 2010.
MAGNOLI, Demétrio (org); MONDAINI, Marco. História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, 2011.
NEWARK, Tim. História Ilustrada da Guerra. trad. Carlos Matos. São Paulo: Publifolha, 2011.
ONÇA, Fábio. Os gladiadores romanos. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, n. 26, p. 10-11, out. 2005.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
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Autor: Eudes Bezerra

30 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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