Cavalo Louco, o jovem herói indígena do Velho Oeste

indígena sobre cavalo
Não existe fotografia comprovada de Cavalo Louco, mas seu nome se tornou símbolo de resistência. Créditos: Edward S. Curtis, 1905.

Famoso por sua devoção à cultura indígena, feroz resistência aos “caras-pálidas” e pela destreza em combate, Cavalo Louco também respirou o último fôlego da “plena” liberdade indígena na América do Norte.

A reputação de Cavalo Doido cresceu quando ele se uniu à guerra travada por Nuvem Vermelha contra a construção da fortificada Trilha Bozeman, de 1865 a 1868, e teve papel importante na destruição da brigada de William J. Fetterman no Forte Phil Kearny, em 1867. (CAWTHORNE, 2010, p. 258)

1 ORIGEM E DRAMA

Nascido em 1842, na Dakota do Sul, pertencia ao povo Sioux e ainda na infância foi reputado como bravo guerreiro. Obteve fama de líder visionário nas décadas de 1860–1870 ao defender o modo de vida ameríndio dos “brancos”.

Cavalo Louco (ou Doido) viveu em uma época dramática para os índios norte-americanos. A Guerra Mexicano-Americana (1846–1848), as sucessivas descobertas de ouro e a necessidade de ocupar as terras do oeste norte-americano, acarretaram enxurradas de militares, colonos, aventureiros e mineradores às — “protegidas” por decreto — terras indígenas.

cavalo louco
Suposta fotografia de Cavalo Louco. Créditos: autoria desconhecida.

2 TRILHA BOZEMAN

Entre os anos de 1865 e 1868, Cavalo Louco se aliou a Nuvem Vermelha, um velho chefe indígena, na luta contra a Trilha Bozeman, que visava o abastecimento de garimpeiros e colonos na região.

A trilha ligava cidades de Montana ao centro de Wyoming e por vezes rasgava “terras” (reservas) indígenas. Ainda em 1867, o jovem chefe Sioux desempenhou papel decisivo na destruição da brigada do Forte Phil Kearny.

3 SEGUNDO TRATADO DO FORTE LARAMIE

Após tais eventos, tentou-se fazer a paz através do Segundo Tratado do Forte Laramie (1868), mas, para Cavalo Louco, não existiria tranquilidade enquanto os invasores não retornassem para suas casas.

Na prática, o tratado apenas serviu para o governo norte-americano tomar mais terras dos índios, restringindo o modo de viver ameríndio.

4 CAVALO LOUCO INICIA A RESISTÊNCIA

No início de 1876, o Ministério da Guerra dos EUA expediu ordem para que todos os indígenas se recolhessem às suas reservas. Muitos a acataram, no entanto, Cavalo Louco deu início à resistência final partindo para o tudo ou nada.

4.1 Batalha de Little Bighorn

Em 25 de junho de 1876, juntou-se a Touro Sentado, outro jovem chefe indígena, para enfrentar a 7ª Cavalaria do General George Custer, na Batalha de Little Bighorn.

Ambicioso e egocêntrico, Custer guiou sua cavalaria à destruição ao menosprezar a capacidade indígena — resultando na morte do próprio comandante e de grande parte do seu efetivo.

Ainda hoje a Batalha de Little Bighorn retumba na literatura e dramaturgia, sendo o general Custer um famoso caso do que um líder não pode ser.

4.2 Vingança, o genocídio ameríndio

Em contrapartida à maior derrota já sofrida nas guerras indígenas, o governo norte-americano organizou uma devastadora operação militar que ficaria marcada pela limpeza étnica dos ameríndios.

Depois da vitória em Little Bighorn, Touro Sentado se refugiou no Canadá, enquanto Cavalo Louco permaneceu para combater durante o inverno. Apesar de cada vez mais sozinho, faminto e caçado, o jovem chefe Sioux decidiu prosseguir em frente.

5 RENDER-SE JAMAIS

Em 5 de setembro de 1877, durante uma “trégua incerta”, Cavalo Louco fo detido pelo General Crook quando levava sua esposa doente à casa dos pais. Não teria resistido, mas, ao perceber que seria preso, lutou e foi morto.

Com a morte do jovem chefe e guerreiro sioux, também foi dado o último grande suspiro de liberdade indígena. A Cultura Sioux teria sido extinta poucos anos depois.

Cavalo Louco decidiu viver livre e morreu jovem, aos 35 anos.

túmulo de cavalo louco
Túmulo de Cavalo Louco, o último grande chefe indígena norte-americano. Créditos: autoria desconhecida.

6 INDICAÇÃO DE FILME

Enterrem meu coração na curva do rio, de Yves Simoneau, 2007. Também é um livro de mesmo nome.


GENOCÍDIO AMERÍNDIO NOS ESTADOS UNIDOS

Embora tenha ocorrido um morticínio indígena durante séculos, no séc. XIX os índios sofreram sucessivas “intervenções controladas” por parte do governo estadunidense que resultaram na extinção de diversas culturas pré-colombianas.

Estima-se que existiam entre 20 e 30 milhões de índios na América do Norte quando os primeiros colonos europeus desembarcaram, mas, ao final do século XIX, esse número teria sido reduzido a apenas 2 milhões.

Massacre de Wounded Knee
Um dos tantos massacres: enterro em vala comum após o Massacre de Wounded Knee, 1891. Créditos: Divisão de Impressos e Fotografias da Biblioteca do Congresso, Número da Reprodução: LC-USZ62-44458.

REFERÊNCIA(S):
ALTMAN, Max. Hoje na História – 1890: Exército norte-americano massacra os índios Sioux em Wounded Knee. Acesso em: 6 ago. 2013.
BARROS, Eneas. Chefe indígena “Cavalo Doido” é assassinado. Acesso em: 2 jul. 2013.
CAWTHORNE, Nigel. Os 100 Maiores Líderes Militares da História. trad. Pedro Libânio. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
ONÇA, Fábio. Os Homens-Búfalos. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, n.24, p. 42-47, ago. 2005.
SÉMELIN, Jacques. Purificar e Destruir: Usos políticos dos massacres e genocídios. trad. Jorge Bastos. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
WHITE, Matthew. O grande livro das coisas horríveis: a crônica definitiva das cem piores atrocidades da história. trad. Sergio Moraes Rego. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
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Autor: Eudes Bezerra

30 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever e, às vezes, arrisca-se – tragicamente – nos desenhos. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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