Salve! O PCC deixa São Paulo de joelhos

pcc fazendo protesto em presídio
A fotografia em tela representa a ostentação de poder do Primeiro Comando da Capital durante os acontecimentos de maio de 2006. Este registro fotográfico estampou a capa do filme “Salve Geral” (2009), de Sérgio Rezende, além de revistas e jornais nacionais e estrangeiros. Créditos: Ana França Design: http://www.anafrancadesign.com.br/

Em de maio de 2006, o Primeiro Comando da Capital (PCC) golpeou duramente o Estado de São Paulo prostrando o governo, chocando a opinião pública e fazendo a sociedade civil vir abaixo.

O PCC ganhou notoriedade internacional, seu poderio tornou-se evidente e testou o reflexo das autoridades, que se mostraram incapazes de reagir adequadamente — sendo muitas destas demitidas após o cessar-fogo.

A MEGARREBELIÃO DE MAIO DE 2006

Ao coordenar a maior megarrebelião da história, o Primeiro Comando da Capital atraiu relevante parte da armada policial paulista às penitenciárias do Estado, deixando a capital e outras cidades “desguarnecidas”. O caos eclodiu e o rastro de destruição foi gigantesco.

Centenas de ataques (350 aproximadamente) foram deflagrados resultando em dezenas de policias mortos e ônibus incendiados. Delegacias, guarnições da Polícia Militar e bancos também foram alvos. A metrópole simplesmente parou por determinação do PCC. No final, somando policiais, criminosos e civis, um assustador saldo de 493 mortos.

OS SUPOSTOS MOTIVOS DA MEGARREBELIÃO

A ordem para as ações teria sido uma represália à remoção de vários líderes do Partido do Crime (PCC) para penitenciárias remotas e o duro encarceramento no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) — a nova “solitária”.

A degradante vida dentro do cárcere, o sequestro em 2005 do enteado de Marcola (líder máximo do PCC) por policiais civis e a corrupção policial também teriam fomentado o “Salve”.

A RESPOSTA DO ESTADO AO PCC

Nos bastidores do governo, as autoridades recebiam más notícias a cada minuto e a situação não era para menos: escolas, bancos, empresas e comércio fechados. Moradores se entrincheiraram dentro de suas casas.

Diante do caos vigente, folgas foram suspensas e todo o efetivo das forças de segurança foi para as ruas para restabelecer a ordem. Armamento mais “adequado” também foi fornecido aos agentes.

A resposta mais implacável do Estado gerou consequências que até hoje não foram esclarecidas:

Os carros da ROTA, a tropa mais mortífera da Polícia Militar, saíram de seu quartel-general com os homens equipados com fuzis de calibre 12 milímetros. Essa é uma das senhas usadas para que os policiais saibam, sem que venha uma ordem expressa do seu comando, que está dada a licença para matar […].
Outro sinal é o uso de capuzes. Quando eles descem sobre as cabeças dos policiais, os moradores da periferia paulistana sabem que não haverá diálogo e tão-somente fuzilamentos. Em pouco menos de 12 horas, a polícia matou mais de 60 suspeitos de ligação com o PCC. (DAIMANI, 2006, p. 40)

Diante da enérgica reação das forças polícias a mando do — desesperado — governador, um acordo entre o Primeiro Comando da Capital e o Governo Cláudio Lembo teria sido concluído para que as rebeliões e os ataques mútuos cessassem.

Ironicamente, as autoridades detinham informações de que uma megarrebelião aconteceria no mês de agosto. Tentou evitá-la transferindo mais de setecentos presos para Penitenciárias de Segurança Máxima às vésperas do Dia das Mães, o que acabou endurecendo ainda mais a ação dos “irmãos” (como se chamam os integrantes do PCC).

2012: NOVA REBELIÃO

Em 2012, São Paulo voltou a vier caos semelhante como vivera em 2001 e 2006 – com policiais mortos, ônibus incendiados, população aterrorizada e mais autoridades demitidas por incompetência.

REFERÊNCIA(S):
AMORIM, Carlos. Assalto ao Poder: O Crime Organizado. Rio de Janeiro: Record, 2010.
BRASIL. Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário. DF, Brasília: Editora Câmara, 2009.
BRASIL. Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico de Armas. DF, Brasília: Editora Câmara, 2006.
DAIMANI, Marco. Sob o domínio do crime. Revista Isto É, São Paulo, n. 1909, maio, 2006.
GODOY, Luiz Roberto Ungaretti de. Crime organizado e seu tratamento jurídico penal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
São Paulo Sob Achaque: Corrupção, Crime Organizado e Violência Institucionalizada em Maio de 2006. São Paulo: 2011.
Autor: Eudes Bezerra

30 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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