Althea Gibson, vencendo barreiras e fazendo história

althea gibson segurando troféu em wimbledon
Althea Gibson vitoriosa em Wimbledon, 1957. Créditos: Associated Press.

Derrubando as barreiras contra o racismo dentro e fora dos Estados Unidos, a tenista afro-americana Althea Gibson muito mais do venceu os importantes torneios de tênis de Roland Garros e Wimbledon: tornou-se um ícone de sua luta e criou uma ponte para outras mulheres negras ingressarem na história, como a vitoriosa Serena Williams, de quem foi treinadora.

Não importa as realizações que você faz, alguém ajudou você” — Althea Gibson.

1. Um despertar avassalador

Althea Gibson nasceu no Condado de Clarendon, na Carolina do Sul, em 25 de agosto de 1927. Atlhea logo cedo teria despertado paixão pelos esportes, como o tênis de mesa, e não demorado a chamar atenção dos que a assistiam jogar (e testemunhavam suas vitórias arrebatadoras).

Uma das pessoas que não “escapou” das qualidades desportivas que a jovem avançadamente demonstrava foi o músico Buddy Walker, o qual a convidou para jogar tênis em clubes da região, ocasião em que o esporte teria passado a ser o seu o preferido e no qual ela se empenharia cada vez mais.

Os resultados logo vieram e no ano de 1941, apenas um ano após pegar na raquete de tênis pela primeira vez, Althea conseguiu seu primeiro título de tênis ao vencer um torneio local patrocinado pela American Tennis Association (ATA), uma entidade esportiva estadunidense dedicada à promoção de jogadores negros.

Logo a jovem aperfeiçoou suas habilidades e na década de 1940 praticamente conquistou tudo que disputou, tendo a façanha de ter conquistado 10 campeonatos consecutivos (de 1947 a 1956) nos Estados Unidos.

Althea em Roland Garros 1956
Althea Gibson, a primeira atleta negra a ganhar os importantes torneios de tênis de Roland Garros e Wimbledon. Créditos: Thomas D. McAvoy — The LIFE Picture Collection / Getty Images.

2. Vencendo o racismo dentro e fora das quadras

Nas décadas de 1940 e 1950, dentro e fora dos EUA, era raro encontrar atletas de origem africana — entre tantas outras — correndo de um lado para o outro nas quadras de tênis. Ainda mais difícil era a simples ideia de atletas negros participando de torneios internacionais, como os tradicionais campeonatos de Roland Garros e Wimbledon.

A virada da maré em favor de Gibson veio no ano de 1950 com um artigo publicado por Alice Marble. A ex-tenista n.º 1, que não compactuava com a segregação racial, criticou fortemente o racismo influenciando os rumos do esporte por negar à jogadora afro-americana a oportunidade de disputar campeonatos internacionais.

No ano seguinte, em 1951, a tenista negra, cujo talento era notório, teve sua primeira participação no torneio britânico de Wimbledon, fato até então inédito. O talento da desportista não podia ser mais sufocado pelos círculos que a marginalizavam, hostilizavam e faziam vista grossa diante da sua ascensão meteórica.

O artigo publicado na revista especializada em tênis American Lawn Tennis causou grande reflexão nos meios esportivo e político. Alice reconhecia Althea Gibson como uma atleta de altíssimo nível.

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Althea em casa e em Roland Garros, 1956. Créditos da fotomontagem: Thomas D. McAvoy — The LIFE Picture Collection / Getty Images.

3. A consagração em Roland Garros e Wimbledon

A consagração da tenista teve início em 1956 quando se tornou a primeira atleta negra a vencer o torneio de Roland Garros, jogando individualmente. Posteriormente teve sua aclamação definitiva ao vencer Wimbledon em 1957 (individualmente) e em 1958 (individualmente e em dupla).

3.1 Wimbledon

Em Wimbledon, ainda em 1957, Althea entrou no campeonato como uma das favoritas ao título e recebeu seu troféu das mãos da rainha Elizabeth II. Sua adversária na final, Darlene Hard, que também havia sido sua parceira na disputa em duplas, encerrou a coroação de Gibson ao lhe beijar na bochecha, reconhecendo a força e determinação da tenista que tanto lutou para ali chegar.

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Althea Gibson recebendo o beijo de sua adversária final, Darlene Hard, por ter ganhado o torneio de Wimbledon, 1957. Créditos: Keystone / Hulton Archive / Getty Images.

3.2 Atleta do ano

Também em 1957 a atleta recebeu o título de Atleta do Ano, da Associated Press. Pela primeira vez na história, uma mulher negra era contemplada com tamanha honraria do esporte que corriqueiramente era reputado, de modo preconceituoso, como tradicional esporte da elite branca.

3.3 A parceria com a brasileira Maria Esther Bueno

Em 1958, durante o torneio de Wimbledon, além de campeã no individual feminino, jogou em dupla e se sagrou campeã ao lado da fera brasileira Maria Esther Bueno, outra grande lenda do tênis mundial e que logo viria a se tornar a n.º 1 do ranking global.

4. Treinadora, aposentadoria e falecimento

Gibson fez carreira profissional no tênis e no golfe, tendo sido a treinadora das vitoriosas irmãs do tênis, Venus e Serena Williams. Durante a aposentadoria, também se tornou a primeira mulher negra a integrar a Ladies Professional Golf Association.

Em 28 de setembro de 2003, a descendente de escravos Althea Gibson faleceu aos 76 anos. Seu nome consta no Hall da Fama do Tênis Internacional.

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Althea Gibson com suas paixões: a raquete de tênis e o taco de golf.
Créditos: Marty Lederhandler.
REFERÊNCIAS:
Biografia.com Editores. Althea Gibson Biografia.com. Acesso em: 16 jun. 2017.
Biography.com Editors. Alice Marble Biography.com. Acesso em: 16 jun. 2017.
RONK, Liz; ROTHMAN, Lily. The Woman Who Broke the Color Barrier for Tennis. Acesso em: 7 dez. 2016.
Roland-Garros. Past Winners. Acesso em: 7 dez. 2016.
The New York Times. July 6, 1957 | Althea Gibson Becomes First Black Player to Win Wimbledon. Acesso em: 16 jun. 2017.
TicketCity. Wimbledon Champions. Acesso em: 7 dez. 2016.
Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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