Cadeira inquisitória da Santa Inquisição

cadeira de ferro com espinhos
Exemplar da monstruosa cadeira inquisitória. Créditos: autoria desconhecida.

De uso simples, a cadeira inquisitória se traduziu em um dos mais dolorosos meios de se chegar a um fim. Mediante brutal violência, a vítima era forçada a sentar na cadeira à qual era aprisionada por tiras de couros ou peças de metais que garantiam sua permanência. O torturado era submetido às milhares de pontas metálicas (às vezes de madeiras) que, fixadas por todo arcabouço do aparato, perfuravam seu corpo.

Destinada aos suplícios da carne, a cadeira inquisitória foi largamente empregada pela Inquisição como meio de se obter a confissão dos chamados hereges. No entanto, seu uso não se restringiu ao órgão religioso da Idade Média.

Caso o inquisidor não lograsse êxito (ou mesmo não estivesse de “bom humor”), poderia extrapolar a dosagem de dor ao acender pequena fogueira no compartimento metálico abaixo da cadeira — levando o torturado à dor flamejante e desespero indescritível, ao sentir o cheiro da própria carne queimando ao ser perfurada pelos dentes de aço do engenho.

Inquisição é o termo genérico que se atribuía ao conjunto de instituições com objetivos semelhantes e que atuavam sob a égide da igreja, para combater a heresia (quaisquer ideias divergentes às da igreja). Os métodos de tortura foram adotados e aperfeiçoados no decorrer do tempo em busca da mais “eficiente” confissão e afins.

O uso ou não da técnica, embora largamente empreendida, não encontrou uniformidade nos reinos europeus — e, quando praticados, costumavam variar de nação para nação, ou mesmo de cidades para cidades.

No Brasil, a Inquisição desempenhou papel significativo. Tendo início ainda no século XVI (século do “Descobrimento”), manteve-se forte até às duras críticas/reformas da era pombalina (1750-77). Encontrou oficialmente seu fim em 1821 por ocasião da abolição do Tribunal do Santo Ofício.

A prática desse tipo de brutalidade, sobretudo pela inquisição ibera (Espanha e Portugal), cedo ou tarde, parece ter sido utilizada por “todos” os povos ao longo da História visando fins similares aos da Inquisição, embora revestidas de concepções distintas — quando não por motivos meramente cruéis, como a simples e arbitrária punição.

REFERÊNCIAS:
ANGELO, Vitor Amorim de. Período pombalino: Administração de Pombal deixou marcas. Acesso em: 14 jul. 2013.
FERNANDES, Dirce Lorimier. A Inquisição na América Durante a União Ibérica (1580-1640). São Paulo: Arké, 2004.
Interconect/Pontes. A tortura na Santa Inquisição. Acesso em: 14 jul. 2013.
WHITE, Matthew. O grande livro das coisas horríveis: a crônica definitiva das cem piores atrocidades da história. trad. Sergio Moraes Rego. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
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Autor: Eudes Bezerra

30 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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