Ciro, o Grande: o nobre Rei Pastor

Ciro, o Grande
Ciro, o Grande, destruía seus inimigos da forma mais eficaz: transformava-os em amigos e por sua nobreza foi eternizado na História (e até na bíblia).

De quase assassinado pelo rei mais poderoso de sua época quando ainda era um bebê ao título de um dos maiores conquistadores da história e criador da primeira grande potência do mundo: Ciro, o Grande, era definitivamente um homem a frente de seu tempo, chegando ao ponto de decretar a primeira carta dos direitos humanos que se tem notícia.

Ciro, o Grande, simplesmente destruía seus inimigos da forma mais eficaz: transformava-os em aliados ou amigos. No fim de sua vida, o Rei Pastor morreu como o bom pastor protegendo seu rebanho do perigo.

Eles o chamavam de Kourash, que significa pastor. Não o chamavam assim porque achavam que esse menino, filho de Cambises, o rei de Anshan, Parsumash e Parsa, iria um dia cuidar de ovelhas, mas porque se esperava que um rei persa fosse o pastor de seu povo” — William Weir (2009, p. 27)

camisas de história
COMPRE SUA CAMISA!

SUMÁRIO

1 Origem, infância e primeiros anos de Ciro
2 Sonho de Astíages: Ciro deveria morrer
⠀⠀2.1 Castigo de Harpago
3 Ascensão de Ciro II
4 Ciro X Astíages
⠀⠀4.1 Vingança de harpago, a derrota do rei Astíages
5 Política de Ciro, o grande
6 Ciro conquista a Lídia de Creso
6.1 Oráculo de Delfos: “um grande império sucumbirá”
6.2 Ciro contra-ataca Creso com uma surpresa
6.3 Ciro conquista a Lídia
7 Cavaleiros citas
8 Ciro conquista a Babilônia
8.1 Conquista da Babilônia
8.2 O Cativeiro da Babilônia
9 Cilindro de Ciro
10 Administração do império persa
11 Morte de Ciro
12 Legado
Referências

1 ORIGEM, INFÂNCIA E PRIMEIROS ANOS

Ciro II teria nascido no ano de 600 a.C. na cidade de Ansam, no Irã, mas não se tem certeza. Ciro era filho de Cambises I e Madane, pertencia ao clã dos Aquemênidas da tribo dos Pasárgadas .

Cambises I era o rei dos persas, um rei vassalo do Império Medo. O nome Ciro é o nome dado pelos gregos.

2 SONHO DE ASTÍAGES: CIRO DEVERIA MORRER

Não se sabe dos fatos sobre o sonho de Astíages nem se de fato o velho rei dos Medos o sonhou. Contudo, diz-se que o rei Astíages, pai de Madane e avô de Ciro, havia sonhado que um dia seria destronado por seu neto, Ciro I.

Astíages ordenou que seu funcionário de maior confiança, Harpago, (mordomo palaciano e general), levasse o pequeno Ciro a algum canto distante e o assassinasse. Contudo, Harpago teria se encantado com a criança e salvado sua vida, ao deixá-lo sob os cuidados de um pastor local.

Harpago reportou ao rei dos Medos que a criança estava morta, mas anos depois a farsa acabou sendo descoberta, o que punha o mordomo em perigo por descumprir ordens diretas do rei.

Diferentemente de Harpago, Ciro parece não ter sofrido eventual dano ou privação, sendo autorizado a retornar ao convívio dos seus pais, Cambises e Madane, tornando-se finalmente príncipe dos persas.

Astíages mandando Harpargo matar Ciro, o Grande
O rei Astíages enviando Harpago para assassinar Ciro quando ainda criança. Créditos: Jean-Charles Nicaise Perrin.

2.1 Castigo de Harpago

Enfurecido, mas contido, o rei interrogou seu mordomo (cargo de mordomo = “secretário” do palácio, um altíssimo cargo persa), que acabou confirmando que não havia matado a criança.

Astíages ordenou um banquete onde Harpago se banquetearia na presença de muitos. Contudo, o que Harpago comeu era o seu próprio filho que havia sido morto por ordem de Astíages como punição.

Não se sabe se Harpago conhecia ou não o fato de estar comendo seu filho esquartejado e cozinhado a mando do rei Astíages. Mas se sabe que o rei medo costumava ser brutal.

3 ASCENSÃO DE CIRO II

De volta à Pérsia, Ciro teve acesso ao poder que lhe pertencia hereditariamente e tratou de logo cedo mostrar sua astúcia.

Diz-se que Ciro tinha duas grandes vantagens por ser persa: a primeira por sua região ser donos de um dos melhores cavalos do mundo, os cavalos niseus; e a segunda por sua população, embora analfabeta e agricultora, ser formada por excelentes cavaleiros.

De acordo com William Weir (2009, p. 28, acréscimo nosso):

Eles [persas] só aprendiam três coisas — montar, atirar e dizer a verdade. Sua força, como a dos citas das estepes, estava em serem todos arqueiros montados. Eles também admiravam e seguiam líderes guerreiros astutos”.

Aproximadamente em 559 a.C, o rei Cambises I, pai de Ciro, morre e é sepultado em Pasárgada, deixando o trono para o príncipe agora tornado rei da Pérsia.

Diferentemente do seu pai, Ciro II era um hábil condutor e unificador de povos e rapidamente uniu as várias tribos persas, acabando por causar calafrios em Astíages que ainda era assombrado pelo seu antigo sonho de ser destronado por seu neto.

Ciro dava mostras de que era um líder guiado pelo sucesso e destinado a comandar povos, o que fazia com que o rei medo cada vez mais perdesse influência diante dos demais vassalos e provavelmente tivesse até seu poder contestado por alguns.

Astíages convidou gentilmente Ciro à sua capital, a cidade de Ecbátana, para discutir termos de uma eventual aliança ou coisa parecida, mas Ciro, desconfiado de que seria assassinado, negou-se a ir.

Estandarte de Ciro, o Grande
Estandarte de Ciro, o Grande. Créditos: autoria desconhecida.

4 CIRO X ASTÍAGES

O rei dos Medos então enviou Harpago a frente de um exército, enviando outro exército uma semana depois. Este segundo exército era liderado pelo próprio rei Astíages.

O primeiro confronto entre Ciro e Harpago teria sido um empate, onde a experiência militar do mordomo medo, embora com soldados menos equipados, venceu a qualidade militar persa.

Os demais confrontos teriam sido sanguinários e se mantido de forma inconclusiva até a chegada do segundo exército que era liderado pelo rei Astíages.

4.1 Vingança de Harpago, a derrota do rei Astíages

Harpago mudou de lado, unindo-se a Ciro contra Astíages. O General Harpago havia explicado ao jovem rei persa que era necessário um confronto entre os exércitos para que Astíages acreditasse que Harpago não só continuava do lado dos medos, como também seria capaz de enfraquecer o exército persa.

Enfraquecer o exército de Ciro para que Astíages chegasse em momento oportuno e aplicasse o golpe de misericórdia, ganhando a glória total do combate, tornando-se famoso por todos os cantos e ainda dando o exemplo aos demais reis vassalos que duvidavam de sua capacidade de governo.

Unidos, Ciro e Harpago derrotaram as forças de Astíages, mas Ciro poupou a vida do rei inimigo permitindo que vivesse em paz e bonança. Astíages se torou rei vassalo do trono da Pérsia.

Monumento de Ciro o Grande
Monumento de Ciro, o Grande no Parque Olímpico de Sydney, Austrália. Créditos: Siamax.

5 POLÍTICA DE CIRO, O GRANDE

Ciro, ao poupar e permitir um confortável modo de vida ao seu avô (o rei vencido), inaugurou uma nova política para com os povos vencidos. Era costume executar governantes e suas famílias após as conquistas, para evitar que herdeiros indesejados reivindicassem o trono de seus antepassados no futuro.

Ciro resolveu fazer o contrário acreditando que um império deveria ser construído com base na confiabilidade da liderança do seu comandante e não no medo do seu chicote. Assim, Ciro permitiu a Astíages viver de modo abastado.

Ciro, em troca de tributos e alianças, permitia a liberdade de crença religiosa e que povos conquistados mantivessem seus costumes sem interferência do Estado persa.

Muitos cidadãos das “nações” conquistadas por Ciro recebiam cargos na administração persa, o que facilitava a integração entre os povos de forma espontânea (e não pela força).

Ciro teria percebido que essa política “amigável” deveria ser a base do seu império anos antes, quando visitou as ruínas da cidade de Susa, a antiga capital de Elam.

Na ocasião da visita a Susa, Ciro teve acesso a um testemunho escrito em uma tabuleta de pedra. O escrito se referia ao famoso e temido rei assírio Assurbanipal (668–627 a.C.) sobre a destruição de Elam, o qual reproduzo abaixo:

Eu, Assur-bani-pal, grande rei de todas as terras, tirei a mobília gravada destas câmaras; tirei dos estábulos os cavalos e as mulas com peças adornadas de ouro. Queimei com fogo os pináculos de bronze do templo; carreguei para a Assíria o deus de Elam e todas as suas riquezas; levei embora as estátuas de trinta e dois reis, junto com os poderosos touros de pedras que guardavam os portões.

Assim, devastei inteiramente esta terra e massacrei os que nela moravam. Escancarei seus túmulos ao sol e removi os ossos daqueles que não veneravam Assur e Ishtar [deuses assírios], meus senhores — deixando os espíritos desses mortos para sempre sem repouso, sem oferendas de comida e água. (WEIR, 2009, p. 28)

Alguns anos depois Assurbanipal, o “grande rei de todas as terras”, morria cercado por rebeldes em seu palácio, enquanto sua esplêndida capital, Nínive, era destruída e jogada ao esquecimento.

Esse evento teria marcado profundamente Ciro que não desejava ter o mesmo fim.

império de Ciro o Grande
O Império Aquemênida sob o governo de Ciro. A Pérsia se tornou o maior império que o mundo já havia visto. Créditos: autoria desconhecida.

*MATÉRIA EM FASE DE TESTE. PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO DE ACORDO COM O SUMÁRIO: 25/FEVEREIRO

Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

Publicações de Eudes Bezerra
Top