A conquista do Everest: Hillary e Norgay no rosto do céu

Edmundo Hillary e Tenzing Norgay após Everest
Edmundo Hillary (neozelandês) e Tenzing Norgay (guia nativo).
Créditos: Associated Press – 26 de junho de 1953.

Entre o Tibete e Nepal, na fria cordilheira dos Himalaias, encontrava-se a última e maior conquista do homem sobre os rochedos irrompidos da Terra: o monte Everest. Com aproximadamente 8.850 metros de altitude (suficientes para ser o “topo” do mundo), foi alvo de inúmeras expedições de conquista por parte do homem. Não deixando-se domar facilmente, o monte Chomolangma (“mãe do Universo” em tibetano) petrificou dezenas de alpinistas em suas sepulturas de gelo até ser finalmente vencido em 29 de maio de 1953.

Em 1911, quando o norueguês Roald Amundsen escreveu sua página na história ao fincar a bandeira da Noruega no Polo Sul, deixando britânicos para trás. Agora, subir o Everest tinha se tornado uma questão de honra para os britânicos. Os nacionalismos da época requisitavam feitos gloriosos dedicados às pátrias. Quanto mais árdua a conquista, maior seria a glória nacional.

O caminho a ser desbravado até o cume do monte era desconhecido e perigoso. Em 1921, George Mallory e Andrew Irvine seguem para o Everest e desaparecem na neblina. Até hoje não se soube se chegaram ao topo ou não. O monte dos Himalaias ainda hoje possui um rastro de dezenas cadáveres dos que tentaram subi-lo.

A escalada do monte Everest implica em grande desgaste humano. Sua altitude corrói a capacidade humana, fatalmente acabando com a vida. Com 8 mil metros de altitude, “o aproveitamento do oxigênio cai para 30%, causando muita náusea. As tosses dão impressão de facadas nas costas. Se alucinações ocorrem, são indicação de que a descida é necessária.”

Depois da Segunda Guerra, foram disponibilizados novos equipamentos para a mortífera empreitada do homem “contra” a natureza. Produzidos para soldados alpinos e aviadores ambiciosos, uma séria de itens, como tanques de oxigênio, estufas desmontáveis, walkie-talkies (rádios de comunicação), roupas confortáveis, foram ansiosamente adquiridas para dar continuidade às expedições.

O coronel britânico John Hunt comandou a mais bem equipada de todas as expedições britânicas ao Everest. Dois dos seus alpinistas – Edmundo Hillary (neozelandês) e Tenzing Norgay (guia nativo) – foram enviados à frente. Em 29 de maio de 1953 a equipe chegou e, apesar da extrema condição imposta pela natureza, maravilharam-se com a vastidão sem fim. E, mesmo que não fosse possível ver algo, certamente o corpo sentiria a grandeza de estar no topo do mundo.

Em 1953, na primeira vez que o Everest foi vencido, o caminho foi feito pelo lado sul, o mais instável: lá existe a chamada cascata de gelo, que se quebra e se refaz o tempo todo, além das fendas profundas que são escondidas por finas camadas de neve.

O neozelandês Edmundo Hillary – e que teria sido o primeiro dos dois a chegar ao cume – e sherpa Tenzing Norgay entraram para a história como os conquistadores do Sagarmatha (rosto do céu em nepalês). “Os primeiros alpinistas foram heróis: não tinha¨m informação sobre o que vinha pela frente nem os mapas e equipamentos que temos hoje”. Hillary e Norgay desbravaram e venceram onde aproximadamente 200 alpinistas foram mortos (falando-se de números oficiais).

REFERÊNCIAS:
GARCIA, Mauricio. O Monte Everest, passo-a-passo. Acesso em: 29 mar. 2013.
GEOFFREY, Blainey. Uma Breve História do Século XX. São Paulo, SP: Fundamento, 2008.
LINARDI, Fred. A conquista do Everest. Acesso em: 29 mar. 2013.
Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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