O Rebelde Desconhecido da praça da Paz Celestial, 1989

homem e tanques na china
O rebelde que protestara por liberdade, quando encarou e parou o governo chinês, dando ao mundo um dos mais conhecidos e emocionantes registros da história. Créditos: Jeff Widener, Associated Press.

Em 5 de junho de 1989, um rebelde anônimo deu ao mundo um dos mais conhecidos e emocionantes registros da História, quando, armado com sacolas, encarou e barrou uma das colunas de tanques enviadas pelo governo chinês para dispersar — e assassinar! — estudantes, professores e cidadãos que protestavam pacificamente por liberdade e transparência no centro da capital chinesa, Pequim.

O registro do Rebelde Desconhecido

O protesto do jovem, que parecia se tratar de um estudante, ocorreu no entorno da sagrada Praça da Paz Celestial (Tian’anmen), onde desde a noite anterior aproximadamente 40 mil militares, com carros de guerra e armas automáticas, despediam brutalidade e tiros indiscriminados para “debandar” os manifestantes que compunham possivelmente 100 mil cidadãos.

O rebelde anônimo que atraiu a atenção do mundo acabou por ser retirado à força por duas pessoas e desde então seu paradeiro é um mistério, além de extremamente especulado em todo o planeta.

O desconhecido foi eleito pela Revista Times uma das pessoas mais influentes do século XX. Igualmente como a obscuridade que veste a identidade do suposto estudante é a identificação do piloto do tanque, que, embora tivesse ordem expressa para esmagar aquele, não o fez.

Mikhail Gorbachev e a imprensa internacional na China

A captação e transmissão dos registros da Praça da Paz Celestial só teriam sido possíveis por causa da existência de opiniões divergentes entre os membros da cúpula do governo chinês, o que retardou a escolha da medida final a ser empregada contra o protesto e a esperada supressão da mídia, principalmente estrangeira que se encontrava no país por causa da visita do então líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev.

Posteriormente, muitos chineses foram demitidos e perseguidos pela linha dura do partido comunista por transmitirem e repassarem seus registros aos colegas de profissão do exterior.

chineses e estátuas
Estudantes que protestavam por democracia e direitos humanos descansando sobre escultura da Praça Tian’anmen, 18 de maio de 1989. Créditos: Kevin R. Morris. Bohemian Nomad Picturemakers/Corbis. ID: IH097850.

A presença da imprensa estrangeira na China foi oportunamente aproveitada pelos estudantes e trabalhadores para potencializar a propagação da mensagem sobre o mundo.

O governo chinês, que vinha desde abril tentando encerrar os protestos, inclusive com Lei Marcial a partir de 20 de maio, encontrava-se cada vez mais constrangido diante das câmeras da imprensa mundial e optou pela ideia de sitiar os manifestantes na noite de 4 de junho, apagar a luz da praça e abrir fogo para selar o manifesto…

O protesto: motivos, feridos e mortes

Os protestos da Praça da Paz Celestial do fatídico ano de 1989 clamavam por liberdade, transparência e eficiência na administração da máquina pública, punição exemplar para envolvidos em corrupção e tantos outros anseios comuns às democracias mais virtuosas.

Não se encontra coesão acerca do número de manifestantes mortos e feridos, mas, em todos os casos — que não provenham do governo chinês —, são brutais e condenáveis. Estimam-se, em média, 3,5 mil mortos e 60 mil feridos.

chineses e bicicletas
Estudantes pró-democracia em Xangai pouco antes do massacre de Tian’anman, 27 de maio de 1989, em Xangai, China. Créditos: Barnabas Bosshart. ©Barnabas Bosshart/Corbis. ID: BH001800.
tanques praça da Paz Celestial Tian’anmen
Tanques aguardando ordens na sagrada praça da Paz Celestial (Tian’anmen). Créditos: autoria desconhecida.
monumento polonês vítimas do massacre da praça da paz celestial
Memorial polonês em memoria das vitimas do Massacre da Praça da Paz Celestial, Polônia. Créditos: Julo.

E-Books Mais Vendidos

REFERÊNCIAS:
BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. São Paulo, SP: Fundamento, 2008.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: O Breve Século XX: 1914-1991. trad. Marcos Santarrita. 2 ed. 46 imp. São Paulo: Companhia de Letas, 2012.
MARX, Bettina. 1989: Massacre na Praça da Paz Celestial. Acesso em: 31 maio 2014.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
IMAGEM(NS):
Buscou-se informações para creditar a(s) imagem(ns), contudo, nada foi encontrado. Caso saiba, por gentileza, entrar em contato: contato@incrivelhistoria.com.br