Por que o inglês se tornou uma língua universal?

Por que o inglês se tornou uma língua universal?
Venha conosco e conheça um pouco dessa longa história! Créditos: autoria desconhecida.

POR QUE O INGLÊS SE TORNOU UMA LÍNGUA UNIVERSAL?

Nos dias de hoje é imprescindível saber se comunicar em uma segunda língua. Esse fato vem de encontro à necessidade de comunicação de vários setores, como a diplomacia, trabalho, formação e viagens entre países que falam diferentes idiomas.

O inglês atualmente é uma língua global, apesar de não ser a mais falada no mundo (ela fica em terceiro lugar atrás do mandarim e do espanhol). Por isso, muitos países têm investido fortemente no ensino do inglês, segundo dados da English Live EF. São para as pessoas que a dominam que surgem as melhores vagas de colocação em empresas e possibilidades de imersão em culturas diferentes.

Mas para entender a sua importância nos dias atuais, é necessário revisitar a história desta língua, entendendo seu contexto e circundada com vários fatores políticos, sociogeográficos e religiosos. A história da língua inglesa e sua formação começou a ganhar força no período conhecido como baixa idade média.

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SUMÁRIO

1 Origem da língua inglesa
2 O inglês chega à América
Referências

1 ORIGEM DA LÍNGUA INGLESA

Na idade média, existiam dois grandes grupos na Europa que se localizavam na Germânia (atual Alemanha) e a França. Ao lado deles, os anglo saxões, que foram denominados como os bárbaros. É preciso que se observe que esta expressão é oriunda da Grécia Antiga, quando os gregos chamavam qualquer grupo de pessoas estrangeiras de bárbaros.

Os povos desta região começaram a perceber que poderiam ter lucros, já que não havia uma relação muito comercial entre a Germânia e a França. Diante do cenário, começaram a transitar entre os locais, comprando de um e revendendo ao outro, sempre com preços bem acima do adquirido.

Com essa medida, logo começaram a se destacar e a enriquecer com a venda de jóias, roupas e outras especiarias, e dando origem a uma classe social chamada burguesia. A burguesia lucrava através da exploração do trabalho, e começou a deter o poder.

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A vida na Idade Média. Créditos: autoria desconhecida.

Mas, para se estabelecer como uma nação, eram necessários alguns ajustes: eles necessitavam do apoio da Igreja e também de uma língua própria. O apoio da Igreja era imprescindível, já que o clero centralizava em si a força política.

As pessoas viviam sob o jugo desta instituição religiosa, e para se aliar à ela, os burgueses passaram a patrociná-la. Diante disso, o clero, que detinha praticamente todo o conhecimento intelectual da época, passou a propagar o english.

A palavra ENGLISH origina dos termos ENGLE (Anglos) e passou a ser falada na região que passava a se chamar ENGLAND (terra dos anglos). A Inglaterra, surgiu, portanto, através de um sistema geopolítico.

Neste momento começava-se a criar uma hegemonia da língua. O idioma foi formado pela junção de vários outros dialetos anglo-frísio e saxão, além de ter influências do latim e do francês e veio a substituir o dialeto celta, que pouco a pouco passou a ser esquecido.

Com a expansão do império em várias regiões, o inglês começou a se tornar importante meio de comunicação. É  importante lembrar que já por volta de 1500 havia um desenvolvimento na literatura inglesa com a formulação de documentos oficiais e tratados e também da literatura do escritor William Shakespeare.

O inglês também foi ao longo do tempo transformado em razão de batalhas e invasões, o que tornou seu vocabulário bastante extenso.

William Shakespeare
O escritor William Shakespeare, suas obras foram amplamente traduzidas e ainda nos dias atuais têm grande relevância na literature clássica. Créditos: John Taylor / National Portrait Gallery, Londres, Inglaterra.

2 O INGLÊS CHEGA À AMÉRICA

Dando um bom salto no tempo chegamos a um ponto da história em que Martinho Lutero, monge agostiniano de grande sabedoria, passou a questionar a Igreja. Lutero não concordava que a salvação fosse algo a ser comprado.

Através de vários estudos, ele passou a protestar contra práticas católicas que julgava serem corrompidas e que não tinham compromisso espiritual. Os interesses burgueses haviam influenciado a religião com a compra de indulgências, por exemplo.

E ao ser ver, tais fatos afastavam a igreja católica de Deus. Lutero dava origem ao protestantismo, um passo importante para que a língua rompesse a barreira continental.

As palavras de Lutero passaram a ganhar mais força com o apoio de João Calvino, um poderoso homem, advindo da burguesia, mas que abraçou as ideias luteranas. Calvino fundamentou as ideias de Lutero criando o calvinismo. E o calvinismo nada mais era do que os ideais do catolicismo primitivo, que não compreendia a venda de salvação.

O avanço do calvinismo e seus ideias começou a assustar a coroa inglesa que via nisto um grande perigo para a economia. Com a diminuição drástica da venda de indulgências, o sistema financeiro corria o risco de decair cada vez mais.

A solução encontrada pela coroa foi oferecer subsídios para que moradores de regiões mais atingidas pelos ideais partissem para a América. E assim, milhares de moradores de York e Jersey partiram para o outro continente, criando Nova York e New Jersey.

Posteriormente, outros grupos também se mudaram para a América, criando regiões prósperas. Foram criadas ao todo 13 colônias que mais tarde iriam se espalhar para o Oeste.

navios ingleses chegando à América
Navios ingleses partindo para a América, chegando à Manhattan. Créditos: Getty Images.

Depois de um tempo, os moradores da América começaram a prosperar, e não concordavam mais em ceder ⅕ de tudo o que ganhavam à coroa inglesa. Eles achavam injusto que tivessem que ceder algo, já que não havia mais nenhuma relação comercial entre a Colônia e a Coroa.

Foi então que resolveram se tornar independentes em 1783, criando os Estados Unidos da América, uma nação que viria a se transformar através de suas ambições de poder.

É curioso saber, no entanto, que o inglês passou a ter sua importância reconhecida em 1919, quando o Tratado de Versalhes foi assinado em duas línguas: a francesa (de maior domínio na época) e o inglês.

Esse reconhecimento da língua como uma das mais influentes do mundo teve um aumento significativo após as duas grandes guerras mundiais e as possibilidades maiores de comunicação entre as nações.

O desenvolvimento dos Estados Unidos, tornando-se o que hoje reconhecemos ser uma superpotência mundial, só amplia a necessidade de que outras nações compreendam a língua inglesa.

Chegando à nossa atualidade, percebemos que o inglês moderno é soberano em todas as áreas culturais, governamentais, sociais e de negócios. Isso amplia seu caráter global quando pensamos que ele foi criado desde o princípio sob bases que tinham em vista o domínio, através de controle do comércio e avanços através de tomadas de territórios.

E como a nação que detém o maior poder sempre acaba por influenciar os demais, percebemos que o domínio desta língua faz com que seus falantes, nativos ou não, tenham maiores possibilidades de deter também o poder, mesmo que seja o da comunicação.


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REFERÊNCIA(S):

BEZERRA, Eudes. Periodização da História sob o modelo europeu. Acesso em: 9 dez. 2019.
BEZERRA, Eudes. Tratado de Versalhes: os duros termos da paz. Acesso em: 9 dez. 2019.
Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper. João Calvino – síntese biográfica. Acesso em: 9 dez. 2019.
MAJID, Avan. América Latina vira o jogo na 9ª edição do Índice de Proficiência em Inglês da EF – México e Brasil apresentam leve queda. Acesso em: 9 dez. 2019.
NAVARRO, Roberto. Quem eram os bárbaros?. Acesso em: 9 dez. 2019.
SANTIAGO, Emerson. Geopolítica. Acesso em: 9 dez. 2019.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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