Jeffrey Dahmer, o Canibal de Milwaukee

Dahmer no tribunal
“Eu fiz a minha fantasia de vida mais poderosa do que a minha vida real”. Fotografia de Dahmer no tribunal, 5 de fevereiro de 1992. Créditos: Curt Borgwardt/Sygma/Corbis. ID: 42-19838799.

Visto como bom rapaz, era tido pela vizinhança como jovem trabalhador, educado e recatado, mas, dentro de si, abrigava um monstro e sua selvageria aterrou os que de sua história souberam. Alimentando-se de estupros, assassinatos, necrofilia e canibalismo, o insaciável Dahmer matou, esquartejou, congelou, fritou e devorou seres humanos. No julgamento, seu advogado disse “Dahmer é um trem nos trilhos da loucura”, no que a promotoria refutou: “Ele não era o trem, era o maquinista!”. Incrivelmente, inspirou livros, músicas e filmes.

1. Infância e juventude

Jeffrey Lionel Dahmer nasceu em 1960, em Milwaukee, nos EUA. Segundo seu pai, teve uma infância normal, apesar de alguns fatos intrigantes. Registrou que Jeffrey cuidou com presteza, quando criança, de um pássaro ferido até que este pudesse voar novamente — “os olhos de Jeff estavam bem abertos e brilhavam. Talvez tenha sido o momento mais simples e feliz da vida dele”.

Os fatos intrigantes relatados por seu pai eram as experiências com animais mortos já aos 10 anos de idade — animais mortos eram dissolvidos em ácido e tinham seus ossos guardados. Certa vez cravou a cabeça de um cão em uma estaca. Não se sabe se os animais eram torturados e mortos por Dahmer.

Na adolescência, Jeffrey começou a ter problemas com a bebida. Problemas estes que o fizeram ser expulso do Exército onde passou dois anos. Serviu na Alemanha Ocidental onde a polícia alemã disse nada existir contra. Entretanto, ao retornar aos EUA, teria desenterrado sua primeira vítima para ver o estado em que se encontrava.

Jeffrey em entrevista a Stone Phillips
Jeffrey em entrevista a Stone Phillips no Confissões de um Serial Killer (EUA, 1994; Phillips).
Verificar entrevista no fim da matéria.

2. O início da caçada

O primeiro homicídio (supracitado) teria ocorrido aos 18 anos. Dahmer levou consensualmente um caronista para sua casa onde conversaram, beberam e, possivelmente, transaram. Dahmer golpeou a cabeça da sua visita quando esta quis ir embora, estrangulando-a depois. “Eu não sabia mais como mantê-lo comigo” — disse Dahmer. O corpo do caronista foi desmembrado — Jeffrey sentiu-se novamente excitado — e enterrado no quintal.

Aos 22 anos, em 1982, decidiu ir morar com a avó, mas algum tempo depois foi expulso por ela devido ao seu comportamento estranho. Dahmer teve problema com a polícia após se masturbar em público.

No ano de 1987, com 27 anos, Jeffrey Dahmer matou novamente. Não se lembrava de como se deu este homicídio, porque havia bebido demais na noite anterior. Acordou no dia seguinte com o cadáver ao seu lado. Dahmer “levou o corpo para casa, fez sexo com o cadáver, masturbou-se sobre ele e o desmembrou.” De agora em diante, mataria e comeria cada vez mais.

Em certa ocasião, foi levado a julgamento por ter molestado um menor de 14 anos. “A acusação pediu uma pena grande, alegando que por baixo da superfície de calma daquele homem havia alguém bastante perigoso. Psicólogos que o avaliaram recomendaram hospitalização e tratamento, pois era manipulador e evasivo. A própria defesa argumentou que tratamento seria melhor que prisão, mas que Jeffrey Dahmer ainda tinha condições de ficar em liberdade. Dahmer colocou a culpa de seu ato no álcool e disse que foi um momento de ‘idiotice’, pediu perdão e disse que isto não ocorreria novamente. Foi condenado ao regime semiaberto por um ano, devendo ficar 5 anos sob condicional.”

Em 10 meses estava solto novamente por bom comportamento e com uma terrível fome.

Jeffrey fichado no Departamento de Polícia de Milwaukee.
Jeffrey no Departamento de Polícia de Milwaukee.

Jeffrey, mesmo sob a condicional, continuou a matar. Atraía homens em bares gays para sua casa onde os sedava. Suas vítimas eram abusadas e fotografadas antes e depois dos mórbidos atos de Dahmer. Depois de mortas, tinham o corpo despedaçado e as partes preferidas eram separadas em seu congelador. Dahmer apreciava comida frita.

Depois que uma vítima escapou nua e algemada, Dahmer foi preso. Por ocasião da sua prisão, os policiais entraram na sua casa e era evidente que havia muita coisa errada ali: a casa cheirava incrivelmente mal e o assoalho da cozinha encontrava-se com grandes manchas do que parecia ser sangue. Logo encontraram fotos de corpos destroçados, outros corpos em decomposição e dissecados depositados em tonéis.

Ao abrir o refrigerador, um policial teria gritado para o outro: “Tem a porra de uma cabeça aqui!“. Encontraram mais partes humanas, como coxas, pênis e mais cabeças. Um peixe, bem cuidado, nadava no aquário. Na contagem geral, foram encontrados 14 corpos — o número exato é confuso.

No tribunal, Jeffrey chocou ao revelar suas fantasias: começou a fazer sexo com cadáveres aos 14 anos, que “ficava ‘fascinado’ com as vísceras dos homens mortos e que a manipulação dos cadáveres o excitava muito” — guardava membros como troféus. Seu canibalismo, como o feito por civilizações antigas, foi explicado: “comendo partes das vítimas, elas poderiam ainda viver incorporadas no seu organismo, que as absorveria. Ao comer, tinha ereções”.

3. O julgamento de Dahmer

Dahmer foi julgado em 1992. Ficou isolado em uma cabine à prova de balas, enquanto cães farejavam bombas. Ao iniciar, disse ser culpado e saber o que tinha feito. Declarou-se insano, mas foi considerado são — sendo condenado a 15 prisões perpétuas.

Ao final do julgamento, disse calmamente: “Agora está terminado. Em nenhum momento estive aqui para querer permanecer livre. Francamente, eu queria a morte para mim mesmo“. O modo de se expressar costumava gerar um turbilhão de ideias nas pessoas. Parecia estar falando de outro assunto que não dos seus crimes. Sua frieza era notável, incrível, absurda.

jeffrey dahmer sentado no tribunal
Jeffrey sentado tranquilamente no tribunal. Créditos: autoria desconhecida.

4. A morte de Jeffrey

Na prisão, converteu-se ao Cristianismo. Em novembro de 1994, Jeffrey foi morto por outro preso com transtornos psicológicos que teria recebido uma mensagem divina em que Dahmer e outro preso deveriam ser mortos. Jeffrey, depois de atacado com um bastão de ferro, morreu a caminho do hospital.

O preso se chamava Christopher Scarver e, como toda a prisão, a presença — e humor — de Dahmer o incomodava. Diz-se que Jeffrey, além de fazer piadas que deixavam presidiários e guardas penitenciários angustiados, costumava criar membros de corpos com a comida e os deixava em locais onde todos passavam ou permaneciam. Os próprios guardas teriam facilitado sua morte.

Scarver, quebrando o silêncio de décadas, disse que muitos presos na cadeia teriam se arrependido de sua vida de crimes, mas que Jeffrey Dahmer definitivamente não era um deles.

Anos depois, seu o pai de Dahmer registrou em um livro: “Havia algo que faltava em Jeff… Chamamos isso de uma ‘consciência’… que morreu ou mesmo que nunca nasceu.” A renda do livro foi revertida em prol das famílias arrasadas por Dahmer. Não se sabe ao certo, mas se supõe que Jeffrey Dahmer tenha matado ao menos 17 pessoas.

Entrevista de Dahmer a Stone Phillips no Confissões de um Serial Killer (EUA, 1994; Phillips):

REFERÊNCIAS:
Biography. Biography: Jeffrey Dahmer.
CÉSAR, Fernando. Jeffrey Dahmer.
CÉSAR, Fernando. O canibalismo.
Convulssion. O prazer primitivo-perverso um orgasmo sombrio – Jeffrey Dahmer (part I).
Convulssion. O prazer primitivo-perverso um orgasmo sombrio – Jeffrey Dahmer (part II).
Convulssion. O prazer primitivo-perverso um orgasmo sombrio – Jeffrey Dahmer (part III).
Convulssion. Jeffrey Dahmer e suas vítimas.
FEINBERG, Ashley. Jeffrey Dahmer Died From Being Too Good at Pranks. Acesso em: 25 maio 2017.
O Aprendiz Verde. Christopher Scarver: Porque eu matei Jeffrey Dahmer. Acesso em: 25 maio 2017.
IMAGEM(NS):
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Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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