Morcego-bomba: a bizarra arma norte-americana

Morcego-bomba (bat bomb): a inovação macabra da Segunda Guerra Mundial.
Créditos: Força Aérea dos Estados Unidos da América.

Em meio às inovadoras — e por vezes toscas ou mirabolantes — tecnologias que eram desenvolvidas durante a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos procuraram dar sua contribuição à “oficina dos experimentos bizarros”. Acreditando no potencial de uma espécie de morcego que poderia transportar bombas, o projeto apelidado de Bat-Bomb ¨(morcego-bomba) foi liberado. Por pouco, pouquíssimo, a bizarra arma não foi empregada contra o Japão. Os EUA preferiram empregar outro experimento já testado com sucesso — a bomba atômica.

Não é de hoje que o homem emprega animais com fins militares, há milênios “bichanos” vêm servindo aos propósitos belicosos do homem. Elefantes, cães, cavalos, pombos, javalis, golfinhos, orcas e tantos outros animais já foram objeto de experimentos — ou mesmo empregados de modo efetivo na guerra ou em funções equivalentes.

A ideia do morcego-bomba

Durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1942, Lytle S. Adams, odontólogo com ligações com a Casa Branca, teve uma ideia aparentemente bizarra, mas possível: o morcego bomba. O presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, sentiu-se atraído pelo projeto e deu sinal verde para o desenvolvimento do protejo que teria custado dois milhões de dólares.

Talvez tenha sido a mais bizarra arma do arsenal norte-americano durante a Segunda-Guerra e que se consubstanciava em fixar um pequeno artefato incendiário (napalm) ao rabo do morcego. A espécie escolhida foi a Tadarida Brasiliensis. Esta seria uma espécie em abundância nas Américas Central e Latina e com uma tendência a habitar zonas urbanas. A espécie também poderia levar o dobro do próprio peso.

O plano

Os morcegos seriam lacrados em capsulas e transportados até a zona de impacto (alvos). Cada capsula conteria cerca de 40 morcegos e, depois de lançada, um paraquedas seria acionado a 300 metros de altitude, ao mesmo tempo em que os compartimentos seriam liberados para carga viva voar livremente.

capsula do morcego-bomba
Modelo de capsula que levaria a arma animal.
Créditos: Força Aérea dos Estados Unidos da América.

Os explosivos fixados aos morcegos conteriam um temporizador que forneceria tempo suficiente para que os animais se escondessem nas edificações, de modo que todos explodiriam ao mesmo tempo — o que iniciaria incêndios em diversos pontos. Milhões de morcegos seriam liberados no Japão.

O mirabolante projeto ianque teria uma logística simples, mas cruel, porque não somente seria o fim dos morcegos, como também seriam lançados em áreas urbanas, isto é, grande parte da carga incendiária iria se esconder, inevitavelmente, em casas.

No entanto, o projeto foi abortado em 1944. Os norte-americanos preferenciaram lançar seu artefato nuclear que teria maior precisão e, de quebra, deixaria claro e assustador recado aos ditos “inimigos da América” — a face da terra nunca seria tão dramaticamente alterada pelo homem.

Guerra do Iraque, 2003

Embora se pense que o emprego de animais esteja cada vez mais distante, em 2003, na segunda invasão do Iraque, o governo norte-americano utilizou 140 golfinhos e leões-marinhos para detectar minas submarinas no porto de Umm Qasr. Segundo o governo norte-americano, não houve nenhuma baixa.

REFERÊNCIAS:
CELLANIA, Miss. 9 Weapons That Failed Spectacularly (and 1 That Possibly Didn’t). Acesso em:  13, abr., 2013.
DEMARA, F.W.. The Bat-Bomb Projected. Acesso em:  13, abr., 2013.
MADRIGAL, Alexis C. Old, Weird Tech: The Bat Bombs of World War II. Acesso em:  13, abr., 2013.
MARTON, Fábio. A fauna das trincheiras. Revista Aventuras na História, São Paulo, n. 87, p. 50-55, out. 2010.
Autor: Eudes Bezerra

32 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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