Nobuo Fujita, ataque e reconciliação com o inimigo

nobuo fujita em traje de piloto
Nobuo Fujita, o único aviador a atacar a pátria estadunidense na guerra moderna. Créditos: autoria desconhecida.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um solitário avião japonês decolou a partir de um submarino para uma missão ousada e inédita: sobrevoar e bombardear o território pátrio dos Estados Unidos. Apesar do ataque não ter causado o efeito desejado, a incursão aérea foi um sucesso, forneceu subsídio à propaganda japonesa e originou uma bela história de reconciliação no pós-guerra entre o atacante Nobuo Fujita e suas quase vítimas.

O peculiar ataque japonês tinha ao menos dois objetivos: responder ao audaz bombardeio norte-americano à capital japonesa, Tóquio, em abril de 1942; e tentar “empurrar” as esquadras inimigas estacionadas no Pacífico para perto do litoral da América, ao demonstrar vulnerabilidade desta. De quebra, o sucesso da missão poderia ser explorado pela imprensa japonesa — fato consumado mesmo com o parcial sucesso da incursão.

Nobuo Fujita ataca

Na manhã do dia 9 de setembro de 1942, um submarino japonês (I-25) emergiu a cerca de 80 km da costa dos EUA. Sobre seu convés, um hidroavião de reconhecimento (Yokosuka E14Y) especialmente adaptado à missão foi desdobrado e montado em uma hora. Municiado para incendiar o Parque Nacional no Monte Emily, em Oregon, nos EUA, o pequeno avião decolou com bombas incendiárias e apenas uma metralhadora 7,7 mm para se defender.

No avião, encontravam-se Nobuo Fujita (piloto e mentor da missão) e Shoji Okuda (observador). Fujita decolou e se valeu da neblina até encontrar, nas proximidades da cidade de Brookings, as densas florestas do parque nacional onde a aeronave cuspiu seus artefatos explosivos que se multiplicaram em dezenas bolas de fogo.

O bombardeio incendiário teria sido exemplarmente cumprido, mas — para sorte dos EUA — havia chovido bastante nos últimos dias e os artefatos japoneses tiveram suas chamas neutralizadas pela alta umidade. O ataque foi novamente realizado 20 dias depois, mas, novamente, sem causar os efeitos desejados.

Pós-guerra Segunda Guerra

Ao fim da guerra, em 1945, Nobuo Fujita desempenhava a função de instrutor de kamikaze e posteriormente trabalhou como comerciante. Quase vinte anos após o ataque à cidade de Brookings, o ex-aviador recebeu convite para visitar a região que bombardeara durante a guerra. Fujita aceitou o convite, mas, por recear algum julgamento ou punição, levou consigo sua katana (espada samurai) para se suicidar caso seus temores se revelassem reais.

Entretanto, o convite foi amistoso e Fujita bem recepcionado. Comovido com o acontecido e em paz consigo mesmo, doou sua katana — com cerca de 400 anos na família Fujita — à prefeitura da cidade, tornou-se cidadão honorário da mesma e retornou muitas vezes cultivando amizades que perduraram até o fim da vida, em 1997.

Após sua morte, sua filha, Yoriko, enterrou parte de suas cinzas em Brookings, em Oregon. Shoji Okuda, o observador, morreu durante Segunda Guerra.

Com os ataques desferidos em setembro de 1942, Nobuo Fujita é considerado o único aviador estrangeiro a atacar os EUA em seu território pátrio após o advento da guerra moderna.

Com sua esposa (Ayako) e filho (Yasuyoshi), Fujita entrega a katana de sua família com cerca de 400 anos de história ao prefeito de Brookings, Caiu Campbell. Créditos: bombas sobre Brookings / William McCash.
Fujita, já idoso, inspecionando sua antiga katana. Cdesconhecido.
REFERÊNCIAS:
CARDONA, Gabriel. O mundo durante a guerra: O contra-ataque aliado no Pacífico. Coleção 70º Aniversário da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). São Paulo: Abril, n. 15, 2009.
FINN, J.D. John. Oregon town’s special friendship with a former enemy. Acesso em: 18 set. 2013.
Point Orford Heritage Society. Japanese Submarine Attacks on Curry County in World War II. Acesso em: 18 set. 2013.
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Autor: Eudes Bezerra

32 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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