Fenícios, história dos mestres dos mares da Antiguidade

navio birreme
As birremes fenícias foram amplamente copiadas, aprimoradas e utilizadas pela Grécia e por Roma, que as utilizaram para conquistar poder no Mediterrâneo. Créditos. Autoria desconhecida.

Os cananeus, mais conhecidos como fenícios, foram os grandes navegadores da Antiguidade. Capazes criar rotas comerciais e grandes mistérios, também ficaram conhecidos pelos seus rituais religiosos, onde crianças eram sacrificadas, e pelo primeiro alfabeto fonético (do qual deriva o nosso português).

1 LOCALIZAÇÃO: PALESTINA E MAR MEDITERRÂNEO

Ocupando uma estreita faixa territorial no litoral que atualmente compreende os estados de Israel, Líbano e Síria, os fenícios construíram sua sociedade, seus barcos e seu legado. Chamavam-se, na verdade, de cananeus (da cidade de Canaã), mas ficaram conhecidos na história como fenícios (nome dado pelos gregos).

Estabelecidos em uma região árida e de difícil cultivo, mas que proporcionava alguma quantidade de cereais, videiras e oliveiras. A pesca e o artesanato também possuíam grande valor. Porém, seria no mar, a partir do mar Mediterrâneo, que fortuna e renome seriam dados à sua civilização.

O triunfo dos fenícios recai sobre três coisas: o mar Mediterrâneo, árvores com boa qualidade de madeira e a reconhecida criatividade do seu povo, que soube lucrar e enriquecer através do comércio marítimo. Como foram mestres na navegação, teriam criado o que seria o melhor barco da Antiguidade: a birreme.

território dos fenícios mapa
Território dos cananeus (fenícios). Créditos: autoria desconhecida.

2 ECONOMIA FENÍCIA

2.1 O comércio marítimo

Destacaram-se disparadamente no comércio marítimo, instalando feitorias e criando colônias além das costas do mar Mediterrâneo, como no litoral da África, já no desconhecido e temido Oceano Atlântico. Comercializando diversos excedentes agrícolas de outros povos, como cereais do rico Egito, seus portos se tornaram prósperos.

Os fenícios também geraram uma riqueza formidável vendendo seus artesanatos, destacando-se os tecidos de cor púrpura (de elevado valor). A coloração púrpura, que os fenícios conseguiam extraindo de pequenos moluscos existentes na sua costa, durante séculos esteve associada ao poder régio ou imperial, por isso o grande status de quem os utilizava.

rotas comerciais dos fenícios
Rotas comerciais dos fenícios. Acredita-se que muitas outras rotas foram criadas, mas a ausência de registros torna de difícil a prova. Créditos: autoria desconhecida.

2.2 Feitorias

As feitorias da Fenícia cerca de dois mil anos depois inspirariam a Espanha e grandemente o reino de Portugal na época das Grandes Navegações. Com elas, os cananeus conseguiram interagir de modo constante com inúmeros povos por mais longe que fosse o entreposto comercial.

2.3 Cartago, a grande colônia

Importante destacar a colônia de Cartago, ao norte da costa africana, que se tornaria uma poderosa cidade-Estado e travaria três guerras contra Roma. Cartago se tornaria tão próspera que muitos historiadores e entusiastas afirmam que foi a mais poderosa cidade-Estado durante alguns séculos.

Cartago teve o general Aníbal Barca, que ganhou fama eterna pela travessia dos Alpes com os seus famosos elefantes de guerra, comandando o exército cartaginês durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.–201 a.C.).

Curiosidade saber que a tática de cerco utilizada por Aníbal contra os romanos na Batalha de Canãs, em 216 a.C., é uma das poucas da Antiguidade ainda ensinadas em escolas militares.

porto de cartago
Reprodução do porto da antiga cidade de Cartago, que era considerado uma obra-prima da Antiguidade. Com capacidade para abrigar centenas de navios de comércio e guerra, mostrava bem o poderio da cidade fenícia. Créditos: autoria desconhecida.
ruínos de cartago
Ruínas da antiga joia do Mediterrâneo, a cidade de Cartago, incendiada por Roma após o fim da Terceira Guerra Púnica. Créditos: Patrick Verdier.

3 POLÍTICA

De modo clássico, os fenícios se agrupavam em cidades-Estados independentes e regidas por governantes próprios, tendo uma política descentralizada. Entretanto, muito de sua vida política se perdeu com os registros, mas não se tem dúvida que o poder político fenício passou por diversas etapas.

4 RELIGIÃO

Eram politeístas como a maioria das civilizações da região e seus deuses e deusas se associavam à fauna e flora. Também eram abertos a novas divindades estrangeiras, que as receberiam de bom grado. Os fenícios costumavam realizar seus rituais sagrados em lugares elevados e ao ar livre, onde executavam sacrifícios de animais.

Quando o ritual de sacrifício era de relevante importância, crianças também eram sacrificadas em oferecimento às suas divindades tal como acontecia nos sacrifícios astecas. A principal divindade fenícia era Baal (chamado de “Senhor”, pelos gregos).

5 SOCIEDADE

Destacando-se da maioria dos povos da época, como o Egito Antigo e algumas civilizações mesopotâmicas, a sociedade fenícia não era estamental, possibilitando mobilidade social.

Era tida como uma sociedade “classista”, algo parecido com o que vivemos hoje e que há possibilidade de subir ou descer na hierarquia social, mesmo que a ascensão fosse particularmente difícil.

Ainda ao contrário das demais sociedades de sua época, o ofício de comerciante (mercador) se tornou bastante valorizado. A classe dos mercadores, inclusive, costumava indicar os governantes das cidades-Estados fenícias.

Outra característica também oriunda dos mares era a de ser uma sociedade cosmopolita. Os fenícios, por suas atividades marítimas, trocavam mais do que mercadorias, trocavam ideias e por isso a tamanha abertura desse povo a novos costumes (e até divindades).

6 ALFABÉTICO FONÉTICO

Além de excelentes matemáticos e astrônomos, criaram um alfabeto fonético composto por 22 letras, o que era algo totalmente inovador. Esse alfabeto novo, baseado em sons, destacava-se dos demais existentes por sua simplicidade e funcionalidade, fazendo o comércio fenício fluir com muito mais praticidade.

Tão relevante se mostrou a invenção do alfabético fonético fenício que gregos e romanos o absorveram. A consequência disso é que, como habitualmente a cultura greco-romana é tida como o berço da civilização Ocidental, acabou por influenciar na criação das diversas línguas de origem latina, como o francês, italiano, português e espanhol.

REFERÊNCIA(S):
BOTTÉRO, Jean. No começo eram os deuses. trad. Marcelo Jacques de Morais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
CLINE, Eric H.; GRAHAM, Mark W.. Impérios antigos: da Mesopotâmia à Origem do Islã. trad. Getulio Schanoski Jr.. São Paulo: Madras, 2012.
GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 1969.
SOLLA, Walter. Hebreus, Fenícios e Persas. Acesso em: 27 fev. 2018.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
IMAGEM(NS):
Buscou-se informações para creditar a(s) imagem(ns), contudo, nada foi encontrado. Caso saiba, por gentileza, entrar em contato: [email protected]
Autor: Eudes Bezerra

30 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

Publicações de Eudes Bezerra
Top