Leonid Minin, o Senhor das Armas

leonid minin na polícia Senhor das armas
Única fotografia conhecida de Minin.
Créditos: autoria desconhecida.

Acusado de traficar drogas e armas para zonas de conflito armado, muitas vezes em desrespeito direto a resoluções internacionais, Leonid Efimovich Minin tem seu nome associado à máfia russa, à lavagem de dinheiro e à corrupção generalizada em diversos países. Detinha empresas legais e ilegais em continentes distintos e se apresentava como um “industrial israelita”. Entretanto, Leonid é mais conhecido como “O Senhor das Armas” — e se acredita que viva em liberdade.

Caçado pela INTERPOL, EUROPOL e tantas outras insígnias dos mais diversos países e jurisdições, Leonid Minin movimentou bilhões como mercador da morte e teve sua história parcialmente contada em filmes, como “O Senhor das Armas” (EUA; 2005; Niccol).

A prisão em 2000

Na noite de 5 de agosto de 2000, em Cinisello Balsamo, na Itália, após mera denúncia sobre suposta festa “aspirada” à cocaína no Hotel Europa, a polícia deteve Leonid. Junto a ele foram apreendidos papéis, cocaína, 30 mil dólares em diversas moedas e diamantes avaliados em milhões de dólares.

Levado ao departamento policial, nem os policiais nem o promotor responsável o conheciam. A papelada encontrada no apartamento foi enviada à Central de Polícia em Roma e o resultado gerou euforia e espanto: “Em Roma, as pessoas sabiam muito bem quem era Leonid, o homem com passaportes israelita, russo, boliviano, grego e alemão; um homem que a Suíça e o Principado de Mônaco tinham declarado ‘persona non grata’; um homem sobre o qual existia um longo dossiê dos serviços de segurança francês e belga”. (UESSELER, 2008, p. 29, grifo nosso)

O Senhor das Armas

Minin nasceu em 1948, na Odessa soviética (Ucrânia). Mudou-se para Israel em 1970 dando início às suas atividades ilegais e se tornando o “industrial israelita” (um dos seus disfarces). Até onde se sabe, criou empresas legais e/ou ilegais para dar suporte às suas operações em Gilbratar, Bolívia, Israel, Ucrânia, Suíça, Rússia, China, Serra Leoa, Libéria e possivelmente em outros países.

A papelada apreendida no apartamento revelou seu complexo e bem articulado sistema de trabalho. Embora tivesse sido amplamente caçado há pelo menos uma década, mantinha-se sempre à frente das autoridades e fazia parte de uma gigantesca e sofisticada rede de negócios que atuava parcialmente na legalidade, parcialmente na ilegalidade.

Os diamantes apreendidos no apartamento representavam seu pagamento por suposta venda de armas que havia feito. Como a própria ONU concluiu ao analisar o caso de Minin, hoje em dia, cada vez mais armas e serviços obtidos ilegalmente são pagos com produtos naturais ou seus derivados, como diamantes brutos, cobre, madeiras tropicais, ópio e cocaína.

Diversos países — sobretudo os marcados por conflitos armados — não possuíam receita comprar as armas de Minin (e outros), mas tinham, para tanto, acesso aos recursos naturais existentes dentro de suas fronteiras, como os diamantes — também conhecidos como “diamantes de sangue” — comumente extraídos e contrabandeados a partir de zonas de conflito armado na África nas últimas duas décadas. Para Minin, sem dúvida, não havia nada mais lucrativo que os fuzis AK-47 e lança-rojões tipo RPGs, ambos de fabricação soviética.

Quebrando embargos estabelecidos pela ONU, Minin vendeu armas através de aviões para Serra Leoa e Libéria nas guerras civis da década de 1990 e recebeu madeira nobre desta e diamante daquela. Acredita-se que tenha vendido suas armas para os dois lados em conflito, nestas duas guerras.

Grande parte do armamento vendido por Leonid saiu dos antigos arsenais da extinta União Soviética. Após o colapso soviético, vários países pertencentes à ex-URSS ou sua zona de influência mantiveram grandes estoques de armamento produzido durante a Guerra Fria (1945–1991), como a Ucrânia, a terra natal de Leonid. Por sua posição geográfica estratégica no antigo território soviético, fazendo fronteira com diversas nações do leste europeu, a Ucrânia herdou tremendo arsenal militar que incluía artefatos nucleares após sua independência decorrente do colapso da URSS. Minin teria principalmente se valido dos “arsenais esquecidos” da Ucrânia, Rússia e Bulgária.

Prisão e soltura

“Enquanto as guerras civis no continente africano bramiam sem trégua e Minin se encontrava em uma prisão italiana, os seus negócios continuavam funcionando. As tentativas da promotoria de condená-lo, entre outras coisas, por comércio ilegal de armas e pela quebra de diversas determinações de embargo da ONU falharam. (…) Não havia nenhum motivo jurídico contra esse tipo de negócio no universo dos novos mercenários”. (TRAYNOR, 2013, s/p)

Em 2004, após o confisco de parte dos seus bens, Leonid Minin, o Senhor das Armas, foi solto — juntamente com seus diamantes. Atualmente não se sabe onde se encontra… e há outros iguais a ele.
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REFERÊNCIAS:
BRUNWASSER, Matthew. Leonid Efimovich Minin: From Ukraine, a New Kind of Arms Trafficker. Acesso em: 4 jun. 2013.
Embaixada da Ucrânia no Brasil (org.). A Ucrânia pode propor ao Brasil inúmeros projetos conjuntos na área de defesa. Acesso em: 4 jun. 2013.
MAIEROVITCH, Wálter Fanganiello. A história de MININ EFIMOVICH, a envolver suspeitas de tráficos de armas, diamantes, drogas e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. Acesso em: 4 jun. 2013.
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime Organizado: aspectos gerais e mecanismos legais. 3. ed. São Paulo: Atlas. 2009.
TRAYNOR, Ian. The international dealers in death. Acesso em: 4 jun. 2013.
UESSELER, Rolf. Guerra como prestação de serviços: a destruição da democracia pelas empresas militares privadas. trad. Marco Casanova. São Paulo: Estação Liberdade, 2008.
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Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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