Idade Moderna Vatel, o cozinheiro que se matou porque faltou peixe Matéria criada em 15 abril 2014 Atualizada em 16 março 2019 Reputado como um dos maiores chefes de cozinha da história, Vatel orquestrou banquetes suntuosos com direito a peças de teatro e fogos de artifícios. Idade Moderna • Períodos • Personalidades Tempo de leitura: 3 minutos Banquete de François Vatel. Créditos: cena do filme “Vatel, Um Banquete Para o Rei” (FR, UK, BEL; 2000; Joffá). François Vatel, indicado como um dos maiores chefes de cozinha da história, teria inventado o creme de chantilly e orquestrado banquetes suntuosos com direito a peças de teatro e fogos de artifícios. Inspirou filme e se tornou uma lenda na Gastronomia. Em certa ocasião, em que faria um banquete para milhares de pessoas, incluindo o Rei-Sol, Luís XIV, no entanto, faltaram-lhe peixes. Vatel surtou e se matou. Vatel e seu tempo Vatel ficou conhecido por fazer banquetes espetaculares. Não apenas pelos pratos que eram servidos, mas também pelas apresentações de teatro e shows pirotécnicos que promovia. Vatel desde cedo se mostrou ambicioso e queria provar ao rei francês, Luís XIV, que era o melhor cozinheiro que existia. Na época em que o Absolutismo imperava, bons cozinheiros eram disputados às tapas pelos monarcas europeus: pratos servidos por renomados chefes de cozinha geravam status e Vatel se tornou extraordinário no que se propunha a fazer. Membros da nobreza disputavam, com pompa e intrigas, assento à mesa do chefe de cozinha. A bizarra história do brilhante cozinheiro inspirou o filme Vatel, Um Banquete Para o Rei (FR, UK, BEL; 2000; Joffá). O banquete para o Luís XIV, o Rei-Sol Embora François Vatel já tivesse feito um jantar para o Rei-Sol, não obteve êxito passando “despercebido”. Mas, em 1671, trabalhando para o príncipe de Condé, no castelo de Chantilly, soube da nova oportunidade: faria um banquete para milhares de pessoas, incluindo seu alvo: o rei Luís XIV. Passou quase duas semanas sem dormir criando ornamentações, esculturas de gelo gigantes, pratos variados e ritos. De acordo com suas preferências, organizou peças de teatros espalhafatosas, fogos de artifício e verificou prato a prato. Castelo de Chantilly, França. Créditos: Ignis, 26.06.2006. No dia em que Luís XIV chegou, trazendo um número de pessoas superior ao esperado, Vatel percebeu que o faisão não daria conta, o que o deixou consternado. Teria se lamentado afirmando “minha honra está perdida”, no que foi consolado pelo seu patrão, o príncipe de Condé: “Vatel, nunca houve um jantar magnífico como o de hoje”. Pouco adiantou porque o renomado chefe de cozinha estava preocupado com o banquete que seria servido no sábado, o maior da sua carreira. Era a décima terceira noite em que o obsessivo François Vatel não dormia tranquilamente por estar cuidando dos preparativos. Ao checar se as duas carroças de peixe que necessitava teriam chegado, percebeu apenas duas cestas. Era pouco. E Fraçois Vatel se mata Vatel encomendara frutos do mar de todos os portos da França para a ocasião especial. Transtornado, teria exclamado: “Não suportarei mais essa desgraça”. Dirigiu-se ao seu quarto, onde se trancou e se matou com um punhal. Era 23 de abril de 1671, um sábado. O banquete foi um sucesso Pouco tempo depois, diversos pescadores começaram a trazer as cargas de peixes — houve um atraso nos portos. À noite o luxuoso banquete foi servido sendo um sucesso. Em respeito ao cozinheiro suicida, não serviram o peixe “atrasado”. O rei francês se rendeu aos dons do cozinheiro. Curiosidade Fraçois Vatel teria criado o famoso creme de chantilly — nome dado em homenagem ao castelo em que trabalhava. No entanto, fontes carecem de sintonia se mostrando divergentes. REFERÊNCIAS: KÜCHLER, Adriana. Luís XIV: Tudo pela fama e pela guerra. Revista Aventuras na História: Coleção os 10 maiores: Ditadores. São Paulo: Abril, n. 3, nov. 2004. MANTESSO, Rafael. O cozinheiro Suicida. Acesso em: 24 dez. 2013. O suicida da Cozinha. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, n. 53, dez. 2007. Tags usadas: muita vodca no toddynho Autor: Eudes Bezerra 37 anos, recifense, graduado em Direito e História. Diligencia pesquisas especialmente sobre Antiguidade, História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e executar o que planeja. Deixe um comentário Cancelar respostaO seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *Comentário * Nome E-mail Veja também5 Consequências da Guerra dos Cem AnosCaporegime: entre o Don e o gatilhoBombardeio com as mãos na Grande GuerraEstandarte do Espírito Mongol