Vatel, o cozinheiro que se matou porque faltou peixe

Vatel um banquete para o rei
Banquete de François Vatel.
Créditos: cena do filme “Vatel, Um Banquete Para o Rei” (FR, UK, BEL; 2000; Joffá).

François Vatel, indicado como um dos maiores chefes de cozinha da história, teria inventado o creme de chantilly e orquestrado banquetes suntuosos com direito a peças de teatro e fogos de artifícios. Inspirou filme e se tornou uma lenda na Gastronomia. Em certa ocasião, em que faria um banquete para milhares de pessoas, incluindo o Rei-Sol, Luís XIV, no entanto, faltaram-lhe peixes. Vatel surtou e se matou.

Vatel e seu tempo

Vatel ficou conhecido por fazer banquetes espetaculares. Não apenas pelos pratos que eram servidos, mas também pelas apresentações de teatro e shows pirotécnicos que promovia. Vatel desde cedo se mostrou ambicioso e queria provar ao rei francês, Luís XIV, que era o melhor cozinheiro que existia.

Na época em que o Absolutismo imperava, bons cozinheiros eram disputados às tapas pelos monarcas europeus: pratos servidos por renomados chefes de cozinha geravam status e Vatel se tornou extraordinário no que se propunha a fazer. Membros da nobreza disputavam, com pompa e intrigas, assento à mesa do chefe de cozinha.

A bizarra história do brilhante cozinheiro inspirou o filme Vatel, Um Banquete Para o Rei (FR, UK, BEL; 2000; Joffá).

O banquete para o Luís XIV, o Rei-Sol

Embora François Vatel já tivesse feito um jantar para o Rei-Sol, não obteve êxito passando “despercebido”. Mas, em 1671, trabalhando para o príncipe de Condé, no castelo de Chantilly, soube da nova oportunidade: faria um banquete para milhares de pessoas, incluindo seu alvo: o rei Luís XIV.

Passou quase duas semanas sem dormir criando ornamentações, esculturas de gelo gigantes, pratos variados e ritos. De acordo com suas preferências, organizou peças de teatros espalhafatosas, fogos de artifício e verificou prato a prato.

Castelo de Chantilly vatel
Castelo de Chantilly, França. Créditos: Ignis, 26.06.2006.

No dia em que Luís XIV chegou, trazendo um número de pessoas superior ao esperado, Vatel percebeu que o faisão não daria conta, o que o deixou consternado. Teria se lamentado afirmando “minha honra está perdida”, no que foi consolado pelo seu patrão, o príncipe de Condé:Vatel, nunca houve um jantar magnífico como o de hoje”. Pouco adiantou porque o renomado chefe de cozinha estava preocupado com o banquete que seria servido no sábado, o maior da sua carreira.

Era a décima terceira noite em que o obsessivo François Vatel não dormia tranquilamente por estar cuidando dos preparativos. Ao checar se as duas carroças de peixe que necessitava teriam chegado, percebeu apenas duas cestas. Era pouco.

E Fraçois Vatel se mata

Vatel encomendara frutos do mar de todos os portos da França para a ocasião especial. Transtornado, teria exclamado: “Não suportarei mais essa desgraça”. Dirigiu-se ao seu quarto, onde se trancou e se matou com um punhal. Era 23 de abril de 1671, um sábado.

O banquete foi um sucesso

Pouco tempo depois, diversos pescadores começaram a trazer as cargas de peixes — houve um atraso nos portos. À noite o luxuoso banquete foi servido sendo um sucesso. Em respeito ao cozinheiro suicida, não serviram o peixe “atrasado”. O rei francês se rendeu aos dons do cozinheiro.


Curiosidade

Fraçois Vatel teria criado o famoso creme de chantilly — nome dado em homenagem ao castelo em que trabalhava. No entanto, fontes carecem de sintonia se mostrando divergentes.


REFERÊNCIAS:
KÜCHLER, Adriana. Luís XIV: Tudo pela fama e pela guerra. Revista Aventuras na História: Coleção os 10 maiores: Ditadores. São Paulo: Abril, n. 3, nov. 2004.
MANTESSO, Rafael. O cozinheiro Suicida. Acesso em: 24 dez. 2013.
O suicida da Cozinha. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, n. 53, dez. 2007.
Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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