Vikings na América antes de Colombo? Claro!

estátua de bronze de Leif Eriksson na América
Estátua feita de bronze de Leif Eriksson, Museu Mariners, Newport News, Virginia, EUA. Réplica da projetada por Alexander Stirling Calder. Créditos: autoria desconhecida.

Lançando-se em alto mar após infortúnios em terra, os vikings, Erik, o Vermelho, e seu filho, Leif Eriksson, realizaram uma das maiores façanhas da história e ofuscaram a glória total de Colombo, ao pisar na Groenlândia e posteriormente na América — 500 anos antes ao navegador genovês —. Com tal proeza, foi provado mais uma vez que, ao contrário do comumente dito, a História Viking não se resume aos assaltos com machado na mão.

Em tela, a estátua de Leif Eriksson. Feita de bronze, a estátua do famoso explorador viking marca a entrada do Mariner’s Museum em Newport News, na Virginia (EUA). A estátua, símbolo da conquista oceânica, é uma réplica da original projetada por Alexander Stirling Calder e foi ofertada pelos EUA como presente, em 1930, ao povo da Islândia.

Ousados exploradores — muito mais do que o brevemente ocorrido no Mosteiro de Lindisfarne, em 793 —, os nórdicos possuíam um espírito indomável pela aventura e eram os inventores do melhor barco da época, o poderoso e flexível drakkar (navio-dragão). No comando de seus “dragões”, foram os primeiros a testemunhar a expansão do mundo conhecido. Embora não se saiba o exato motivo da ocultação de tamanha façanha por séculos, atualmente, os Vikings são considerados os verdadeiros descobridores da América.

1. O início da saga nórdica

A história que desembocaria nos “descobrimentos” da Groenlândia e América teve seu início na Noruega (terra Viking), quando o brigão Erik, o Vermelho, assassinou um homem e foi banido de sua pátria. Mudou-se para Islândia (também terra Viking), constituiu família e novamente matou outro homem. Os motivos das mortes ainda hoje são desconhecidos, mas, mesmo para os padrões Vikings, Erik gerava desconfiança e acabou sendo banido mais uma vez.

Erik, o Vermelho (ou Eric ou Erico, o Ruivo), na verdade, tratava-se de um guerreiro extraordinário (o temido berserker). Temido nos tempos de paz, era memoravelmente lembrado nos de guerra e saques — registros antigos retratam Erik como descendente do próprio Thor (Deus do Trovão na Mitologia Viking). Erik é possivelmente o viking mais famoso da história e teria nascido em 950. A data da sua morte é ignorada.

Revoltado com sua segunda expulsão, Erik decidiu desbravar o Atlântico e encontrar as supostas terras relatadas por Gunnbjörn Ulfsson (outro viking). Tais terras ficariam a oeste ou noroeste da Islândia e para lá partiu atrevidamente com seus bravos seguidores, o que incluía seu segundo filho, Leif Eriksson (975-1020).

réplica do Drakkar de Gokstad em Chicago
Réplica do Drakkar de Gokstad chamado de “Viking”, na Feira Mundial de Chicago, 1893. Tal tipo de embarcação é considerada uma verdadeira maravilha tecnológica.
Créditos: autoria desconhecida.

Segundo as Sagas Islandesas, no ano de 900, Gunnbjörn Ulfsson, ao se desviar do seu percurso habitual, deparou-se com imensos rochedos desconhecidos. Ulfsson não teria se animado e retornou para casa apenas relatando o ocorrido — ele, na verdade, avistara o que hoje conhecemos como Groenlândia e mais tarde foi homenageado ao ter seu nome emprestado a mais alta montanha da ilha.

2. O “descobrimento” da América

Desbravando o violento Atlântico Norte além do dito por Ulfsson, Erik, o Vermelho, teria pisado na Groenlândia em 984 (ou 985). Como havia sido banido da Noruega e da Islândia, objetivou iniciar uma colonização — a descoberta parece não ter sido capaz de livrá-lo das mortes que cometera. Em 986, Erik trouxe da Islândia 16 drakkar’s (eram 25 inicialmente, mas 9 naufragaram) com os primeiros colonos para a ilha que batizou de Greenland (“Terra Verde”; Groenlândia).

O descobrimento da América teria ocorrido entre os anos de 986 e 1000, sob a liderança de Leif Eriksson, o segundo filho de Erik, que já teria falecido. Leif, seguindo passos semelhantes ao do pai, encontrava-se intrigado com o relato de suposta nova terra a oeste ou sudoeste e lançou-se ao mar — como o pai fizera — acabando por realmente encontrá-la. A terra descoberta por Eriksson foi o continente que mais tarde seria chamado de América em homenagem ao navegador Américo Vespúcio.

À medida que Leif seguia a costa do recém-descoberto continente americano, promoveu batismos — Helluland (“Terra Pedregosa”), Markland (“Terra da Floresta”) e Vinland (“Terra da Vinha”), que hoje correspondem, respectivamente, ao sul da Ilha de Baffin, Costa do Labrador e Ilha de Newfoundland, no Canadá. Retornando à Groenlândia, Leif teria confirmado a veracidade do dito por Bjarni.

Para alguns, Leif Ericsson teria percorrido o caminho descrito pelo também nórdico Bjarni Herjolfsson que, por volta de 986, teria partido da Islândia e atravessado o Atlântico para fazer uma visita ao seu pai que acompanhara Erik, o Vermelho.

Bjarni, sem mapa e ao que parece sem qualquer instrumento de orientação marítima, teria partido em direção a Groenlândia, mas teve seu drakkar arrastado por fortes correntezas durante tempestades. Com a mudança de curso, teria avistado terras que acreditou ser a própria Groenlândia. Alguns afirmam que Bjarni teria avistado o Canadá ou mesmo os EUA.

3. O reconhecimento oficial da presença Viking na América

Ruínas Vikings de assentamentos encontradas na década de 1960 forneceram provas incontestáveis da presença escandinava na Groenlândia e América.

Em 2 de setembro de 1964, o Presidente norte-americano, Lyndon B. Johnson, autorizado por unanimidade pelo Congresso Nacional, ratificou o documento em que registrou o dia 9 de outubro como dia Leif Eriksson. Os governos canadense e groenlandês executaram atos similares.

4. Comprovando a presença Viking na América

Comprovando o relatado nas narrativas Vikings, em meados do século XX foram descobertos resquícios de assentamentos nórdicos na América. “Em L’Anse aux Meadows [Canadá], encontraram na década de 60 vestígios arqueológicos de uma vila viking, comprovando a ocupação do local por esse povo e a veracidade de suas histórias sobre Vinland. Hoje a vila consiste em Patrimônio Mundial da Humanidade, pela UNESCO. Os vestígios encontrados datam de cerca do ano 1000, período que os vikings haviam se estabelecido em Vinland”. (VILAR, 2014, s/p, grifo nosso)

Pouco se comenta é que os vikings o hábito de escravizar, quando julgavam necessário. Nisso, outro fato alegado se refere à presença de DNA ameríndio entre os islandeses. Segundo “estudo publicado, em 2010, no American Journal of Physical Anthropology, por investigadores espanhóis e islandeses e da empresa Code Genetics, a análise do ADN [DNA] mitocondrial de quatro famílias islandesas e respectivos antepassados (até 1700) revela que eles partilhavam a linhagem C1e, exclusiva dos ameríndios. (…) O mais provável é que os vikings que chegaram à América por volta do ano 1000 tivessem sequestrado uma jovem índia e decidido levá-la no regresso à Islândia”. (HO; MENZIES, 2014, s/p, acréscimo nosso).

Nos EUA, há museus de História Natural — como o Smithsonian, em Washington, e o Museu Americano de História Natural, em Nova York — em que há exposições, como a Vikings, a Saga do Atlântico Norte, descrevendo a milenar façanha dos escandinavos.

Pesquisadores têm se debruçado para saber o real motivo do encobrimento das fantásticas descobertas. Acredita-se que, por serem tidos como bárbaros e principalmente odiados por diversos povos, a suposta divulgação teria sido taxada como lenda. Há também posição no sentido de que simplesmente teriam ignorado o ato de divulgação.

Aproximadamente 500 anos após o desembarque Viking, em 12 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo aportou na América (provavelmente na Ilha de San Salvador, nas Bahamas) e a ele foi creditado o título de “descobridor da América” — mas, na verdade, encontrava-se 500 anos atrasado.


Agradecimento especial ao Hednir Clan pelo valioso auxílio e disposição prestados. Para conhecer mais sobre o universo Viking e vivenciar um pouco da sua cultura, acesse no Facebook: Hednir Clan.


REFERÊNCIAS:
FERRONI, Marcelo. Os Vikings e a chegada ao Novo Mundo. Acesso em: 4 jun. 2013.
HO, Cheng; MENZIES, Gavin. América: Quem chegou primeiro?. Acesso em: 4 jun. 2013.
JOHNSON, Lyndon Baines. Proclamation 3610 – Leif Erikson Day de 1964. Acesso em: 6 jun. 2013.
SOMMA, Isabelle. A Fúria Viking. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, n. 47, p. 38-43, jul. 2007.
VILAR, Leandro. A Saga Viking. Acesso em: 11 maio 2013.
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Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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