Winston Churchill e a Tommy Gun

Churchill verifica submetralhadora Tommy Gun
Churchill verifica submetralhadora Thompson de soldado britânico em inspeção às defesas costeiras próximas à cidade Hartlepool, no nordeste da Inglaterra. Registro de 31 de julho de 1940. Créditos: Museu Imperial da Guerra, IWM H2646A.

Amplamente explorada como munição pelas propagandas de guerra da Inglaterra e Alemanha, a simbólica fotografia do Primeiro-Ministro Britânico, Winston Churchill, com uma tommy gun fez parte do jogo de interesses antagônicos da Segunda Guerra Mundial.

Enquanto os britânicos mostravam-no como o homem capaz de resistir e atravessar a tormenta nazista, os alemães o compararam a criminosos e bombardearam a Grã-Bretanha com folhetos de propaganda de desencorajamento à resistência diante de seu avanço.

1940: o drama britânico

A situação dos britânicos em meados de 1940 era no mínimo crítica: entre os meses de maio e junho de 1940, a máquina de guerra alemã havia derrotado a gigantesca armada franco-britânica, imposto a vergonhosa Evacuação de Dunquerque e derrotado a França, deixando a Grã-Bretanha como única nação beligerante com capacidade significativa de opor resistência à Alemanha a esta altura do conflito.

Ainda que diante deste dramático quadro, Churchill se manteve inabalável e jurou resistência, lamentando-se por apenas poder oferecer “trabalho, sangue, suor e lágrimas” ao povo britânico.

A propaganda inglesa

Para reforçar a imagem do homem que prometia lutar até o fim, a propaganda britânica visou enaltecer Churchill. Idealista apaixonado pelo Império Britânico, o velho político e militar inglês passou então a proferir míticos e inflamados discursos de encorajamento às mais variadas ações de resistência para as Forças Armadas e para a população britânica.

Em um de seus famosos discursos, Churchill teria dito:

Hitler sabe que ou nos dobra nesta ilha ou perde a guerra. Se pudermos resistir, a Europa poderá ser livre e o destino do mundo voltar-se para um futuro mais promissor iluminado ao sol. Mas, se falharmos, o mundo inteiro, inclusive os Estados Unidos, inclusive tudo que conhecemos e apreciamos, mergulhará no abismo de uma nova Idade das Trevas (…). Portanto, preparemo-nos para nosso dever e vamos nos conduzir de tal forma que, se o Império Britânico e a Commomwealth durarem mil anos, ainda dirão que estafoi sua hora mais bela’”. (BALL, 2006, p. 164-165)

A propaganda alemã

Do lado alemão, a fotografia foi utilizada para fins de descrédito. Tratava-se da necessidade de arrefecer o ânimo de luta dos defensores da Grã-Bretanha. Comparações com criminosos norte-americanos foram feitas com ênfase no suposto aspecto mafioso — associações à Al Capone e Charles “Lucky” Luciano.

Posteriormente, além das bombas incendiárias que eram despejadas sobre cidades britânicas, folhetos fizeram parte do bombardeamento aéreo alemão sobre o território do Reino Unido.

Churchill verifica submetralhadora Tommy Gun
Fotografia de original nazista retratando Churchill como assassino.
REFERÊNCIAS:
ALMEIDA, Leandro Antônio de. Churchill, o militar e o mito.
BALL, Stuart. Winston Churchill: Vidas históricas. trad. Gleuber Vieira. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2006.
BBC (org.). Churchill decides to fight.
CARDONA, Gabriel. O mundo durante a guerra: A Batalha da Inglaterra. Coleção 70º Aniversário da 2ª Guerra Mundial (1939-1945): Sangue, Suor e lágrimas: A Inglaterra resiste. São Paulo: Abril Coleções, n. 9, 2009.HOLMES, Alex Selwyn. Churchill and Tommy Gun.
Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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