Arábia pré-islâmica – Politeísmo, Meca e a Hégira

Arábia pré-islâmica e o Islamismo
Antes do Islã, a Arábia pré-islâmica era composta por tribos politeístas que controlavam todos os aspectos da região, incluindo Meca. Créditos: autoria desconhecida / Montagem: Eudes Bezerra.

A Arábia pré-islâmica, isto é, a península Arábica antes de Maomé e do Islamismo, era uma região com inúmeras religiões politeístas professadas por centenas de tribos semitas que controlavam todos os aspectos da região, incluindo Meca — que se tornaria sagrada para os muçulmanos.

Com o surgimento do Islamismo, não apenas a península Arábica passaria por grandes modificações estruturais.
O norte da África, partes da Europa e a Ásia Central também passariam diretamente pelo cristal da religião que ainda hoje é a que mais cresce no planeta: o Islamismo — Eudes Bezerra.

Boa leitura!

TÓPICOS DA ARÁBIA PRÉ-ISLÂMICA

1. Interior da Arábia pré-islâmica
2. Litoral da Arábia pré-islâmica
3. Politeísmo da Arábia pré-islâmica
4. Meca e os Coraixitas
5. A Hégira e o início do calendário muçulmano
Referências

1. INTERIOR DA ARÁBIA PRÉ-ISLÂMICA

Os habitantes do interior da península Árabe — os beduínos — eram nômades ou seminômades que viviam do comércio e possuíam uma estrutura social patriarcal. Ou seja, havia relação de sangue (familiar) entre seus membros.

A tradição era costumeiramente repassada de forma oral (não escrita) e a economia circulava em torno do comércio e da criação de carneiros e camelos.

Os oásis eram disputados militarmente por representar uma constante fonte de descanso e renda em virtude do tráfego de caravanas.

Beduínos na Arábia pré-islâmica
Os beduínos formavam (ainda formam) um povo forte e endurecido pelas difíceis condições das regiões desérticas. Créditos: autoria desconhecida.

2. LITORAL DA ARÁBIA PRÉ-ISLÂMICA

O litoral da Arábia pré-islâmica possuía inúmeros centros urbanos e o comércio se destacava com um alcance bem mais amplo que o interiorano, atingindo regiões longínquas entre o Ocidente e o Oriente.

Por sua localização privilegiada, não apenas o comércio, mas também ideias e influências fluíam em convivência relativamente pacífica, incluindo membros de religiões monoteístas, como o Judaísmo e o Cristianismo.

O possivelmente mais importante e cultuado centro religioso da região se encontrava na cidade de Meca, a qual já abrigava a Pedra Negra (provavelmente um meteorito).

Península Arábica pré-islâmica
Litorais com portos sempre representaram a oportunidade de negócios e o fluxo de ideias que chegavam e partiam em barcos. Maomé, inclusive, teria sido influenciado pelos chamados “povos do livro” (cristãos e principalmente judeus). Créditos: autoria desconhecida.

3. POLITEÍSMO DA ARÁBIA PRÉ-ISLÂMICA

A península Arábica pré-islâmica era marcada pelo amplo politeísmo de diversas culturas similares que veneravam vários ídolos (idolatria), sendo muitas com origem ou grandes semelhanças com as religiões das antigas sociedades mesopotâmicas.

O mais importante centro religioso já recaia sobre a cidade de Meca, que abrigava a grande Pedra Negra, que ainda receberia a estrutura (Caaba) com Maomé, e possuía o maior fluxo de peregrinação.

Apesar das inúmeras diferenças religiosas, incluindo as de influência mesopotâmica, havia tranquilidade e na própria Meca todos se encontravam em convívio pacífico.

Caaba Arábia pré-islâmica
A Caaba, em Meca, é o lugar mais sagrado do Islamismo e reúne multidões no nono mês do calendário muçulmano, período do Ramadã. Créditos: Prof. Mortel / Arábia Saudita.

4. MECA E OS CORAIXITAS

Já à época Meca era uma rica cidade e se encontrava sob o domínio da tribo dos coraixitas, que lucrava bastante com um pequeno pedágio cobrado dos milhares de peregrinos que visitavam a Pedra Negra.

Igualmente como no pedágio, os coraixitas também geravam grande fortuna com o comércio dos mais variados itens dentro da cidade.

Ocorre que, à época, havia inúmeras representações de deuses e deusas (idolatria) na Caaba pelo fato da Arábia pré-islâmica ser marcada especialmente por religiões politeístas (sempre se lembre disso).

Os súditos dessas inúmeras religiões geravam um grande fluxo de lucro aos coraixitas que passaram a se ver ameaçados pela religião defendida por Maomé: o Islamismo.

Maomé possuía a proteção do seu tio, Abu Talib, um rico comerciante, mas com a morte deste no ano de 619, os coraixitas empreenderam perseguição a Maomé e seus seguidores que fugiram para a cidade de Iatreb (posteriormente conhecida como Medina).

Coraixitas da Arábia pré-islâmica
Curiosidade: Maomé era um membro da tribo dos coraixitas, mas de um escalão baixo e humilde (clã Hashim). Créditos: Max Rabes / Alemanha.

5. A HÉGIRA E O INÍCIO DO CALENDÁRIO MUÇULMANO

Em 622, os coraixitas perseguiram Maomé e os seus seguidores até Medina, ocasião conhecida como Hégira e que marca o início do calendário muçulmano, sendo este o ano 1.

Maomé, já ciente de que sua fé poderia vir a ser perseguida, tratou de cuidar para que seus parentes e seguidores formassem uma base de segurança em Medina para o caso de possível perseguição dos coraixitas.

Alguns anos após a Hégira, ocorreu uma reviravolta incrível na qual tudo ao redor seria impactado pela nova fé que havia nascido ali, a muçulmana.

Era o início do império árabe…

Maomé ascende aos Céus quando chamado pelo anjo da anunciação Gabriel
Maomé ascende aos Céus quando chamado pelo anjo da anunciação, Gabriel. Créditos: autoria desconhecida.

REFERÊNCIA(S):

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.

CLINE, Eric H.; GRAHAM, Mark W.. Impérios antigos: da Mesopotâmia à Origem do Islã. trad. Getulio Schanoski Jr.. São Paulo: Madras, 2012.

GIORDANI, Mário Curtis. História do Mundo árabe Medieval. Petrópolis: Vozes, 1976.

HAWKINS, John. A História das Religiões. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2018.

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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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