O Barão Vermelho: o Ás dos Ases

Manfred Von Richthofen, o Barão Vermelho
Manfred Von Richthofen, o Barão Vermelho – o Ás dos Ases. Créditos: C. J. von Dühren

Como uma águia sobrevoando de forma absoluta sua presa, o Barão Vermelho alimentou seu instinto de predador abatendo ingleses, franceses e canadenses, durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar de sua ferocidade nos primeiros dogfighters da História, obteve o respeito e a admiração dos seus adversários — pelos quais, inclusive, foi enterrado com as honrarias do verdadeiro herói.

Nascido na cidade de Breslau, na Alemanha, o pequeno Manfred Von Richthofen abriu seus olhos ao mundo no dia 2 de Maio de 1892. Manfred era, de fato, um barão. O título nobiliárquico hereditário de Freiherr (costumeiramente traduzido como “Barão”) foi concedido à família Richthofen pelo histórico Imperador da Prússia, Frederico, o Grande, em 1741.

Considerado o Ás dos Ases, possuía uma incrível destreza de caça que o fez neutralizar 80 aviões inimigos nos primeiros embates aéreos da história. Construiu sua reputação destruindo inimigos entre 1916 e 1918, contudo, obedecia ao antigo código de honra da cavalaria — da qual fez parte entre 1914 e 1915.

Nos combates, depois de abater aviões adversários, não admitia a perseguição destes já neutralizados — e normalmente em chamas — apenas para matar o piloto. Jamais atirava no piloto em queda ou que tentasse escapar em terra. Apesar dos horrores da guerra em terra, Manfred acreditava que, ao menos no ar, as românticas regras da cavalaria medieval deveriam ser praticadas à risca.

No início de 1917, já dispondo de grande fama dentro e fora da Alemanha, Manfred decidiu pintar seu avião de vermelho (o biplano Albatroz D. III; posteriormente, o triplano Fokker Dr. I). Teria pintado inteiramente seu avião de vermelho por dois motivos: o primeiro como uma referência ao seu antigo regimento de Cavalaria dos Ulanos (cavalaria leal à monarquia do Kaiser Guilherme II); o segundo, entretanto, para ser extremamente desafiador: para que todos soubessem de quem se tratava.

Após isso, Richthofen ganhou diversos apelidos Alemanha a fora: Le Diable Rouge (Diabo Vermelho) e Petit Rouge (Pequeno Vermelho) por parte dos franceses e Red Knight (Cavaleiro Vermelho) e Red Baron (Barão Vermelho) dos ingleses.

Réplica do triplano Fokker Dr. I Barão Vermelho.
Réplica do triplano Fokker Dr. I utilizado pelo Barão Vermelho. Iguais a esta réplica existem muitas outras, sendo item obrigatório em todo museu de aviação que se preze. Créditos: autoria desconhecida.

No fatídico dia 21 de Abril de 1918, ainda ferido e debilitado por causa de um combate anterior, o Barão Vermelho ergueu seu triplano vermelho-sangue aos ares pela última vez. No norte da França, Manfred quebrou uma regra própria, deixando a formação para entrar em disputa com Camel’s (biplanos ingleses).

Manfred caçou sua última presa atrás das linhas inimigas, mesmo com diversos caças adversários no seu encalço. Atacado por céu e terra, foi atingindo por um tiro que lhe perfurou o coração e o pulmão. O gigante dos ares, que ainda contava apenas 25 anos de idade, foi abatido pouco antes do término da guerra. Ironicamente, pouco tempo antes o próprio Manfred teria dito: “Se eu sair vivo desta guerra é porque eu tive mais sorte do que cérebro”.

O Barão Vermelho caiu em território inimigo, mas seu corpo foi velado com todas as honrarias militares, por sua grande atuação em combate e exemplo a ser seguido. Manfred Von Richthofen se tornou a maior lenda da aviação mundial — o Ás dos Ases —, tendo centenas, se não milhares, de ruas, praças, quarteis e campos de aviação batizados com seu nome.

Pela grandeza do Ás dos Ases, até hoje existe uma insistente discussão sobre quem teria dado o tiro certeiro, visto a grande quantidade de atiradores contra o solitário aviador alemão em seu crepúsculo. A força aérea britânica reconhece o inglês Roy Brown como autor do tiro fatal; o artilheiro australiano Robert Buie, entre tantos outros, reivindicou ter feito o disparo.

Após uma reconstituição feita em 1998, revelou-se que o tiro certeiro fora disparado das trincheiras. O tiro teria saído da metralhadora antiaérea do australiano Cedric Popkin, que morreu sem saber da sua suposta proeza. Contudo, parece ser impossível saber quem, de fato, deu o tiro certeiro.

Curiosidade: Muitos acreditam que o Barão Vermelho tenha algum parentesco com o pai de Suzane Von Richthofen — a que assassinou os pais com a ajuda dos irmãos Cravinhos. Esse suposto parentesco foi bem noticiado na imprensa nacional, mas negado pelos descendentes do piloto. O pai de Suzane seria sobrinho-neto do poderoso Barão Vermelho, mas não há confirmação conclusiva.

Manfred e o seu Fokker Dr. I vermelho
Manfred e o seu Fokker Dr. I vermelho. Créditos: autoria desconhecida.
REFERÊNCIAS:
BRIGGS, J.W.. The Red Baron: Rittmeister Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen. Acesso em: 15 abr. 2015.
Luftwaffe 39-45. Manfred Von Richthofen: “O Barão Vermelho” (1892-1918). Acesso em: 15 abr. 2015.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
SCHILLING, Voltaire. Richthofen, o Barão Vermelho. Acesso em: 15 abr. 2015.
SCHWIPPS, Werner. 1918: Abatido o Barão Vermelho. Acesso em: 15 abr. 2015.
WILLMOTT, H. P.. Primeira Guerra Mundial. trad. Cecília Bartalotti, Myriam Campello, Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
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Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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