Etnocentrismo: conceito e exemplos (resumo)

etnocentrismo conceito e exemplos
O que é Etnocentrismo: conceitos, relativismo cultural, eurocentrismo, genocídio, etnocídio e exemplos de ação etnocentrista. Créditos: / Montagem: Eudes Bezerra.

Fruto do estranhamento e do medo, o etnocentrismo significa julgar determinada cultura a partir de um ponto de vista externo. 

Isto é, o etnocentrismo é avaliar uma determinada sociedade com parâmetros de outra sociedade, o que sempre acaba gerando preconceitos, xenofobia e em casos mais extremos o genocídio.

O etnocentrismo pode ser definido como a visão de mundo fundamentada rigidamente nos valores e modelos de uma dada cultura; por ele, o indivíduo julga e atribui valor à cultura do outro a partir de sua própria cultura.

Tal situação dá margem a vários equívocos, preconceitos e hierarquias, que levam o indivíduo a considerar sua cultura melhor ou superior.

Nesse sentido, a diferença cultural percebida rapidamente se transforma em hierarquia.

O outro, só compreendido de maneira superficial, é tão usualmente designado como “selvagem”, “bárbaro” ou não humano. (SILVA; SILVA, 2020, p. 127-128, grifo nosso)

Boa leitura!

TÓPICOS DO ETNOCENTRISMO

1. O que é etnocentrismo? Resumo
⠀⠀1.1 Exemplo hipotético de ação etnocêntrica
2. Etnocentrismo e relativismo cultural
3. Exemplos de etnocentrismo
⠀⠀3.1 Atitudes etnocêntricas no espaço e no tempo
4. Eurocentrismo
⠀⠀4.1 Eurocentrismo na América: Colonialismo
⠀⠀4.2 Eurocentrismo na África e Ásia: Neocolonialismo
5. Etnocentrismo: Genocídio e Etnocídio
Referências

1. O QUE É ETNOCENTRISMO? RESUMO

Etnocentrismo nada mais é do que a atribuição de valor (sempre inferior ou nesse sentido) à cultura alheia partindo do ponto de vista de que outra cultura é de alguma forma superior, mais desenvolvida ou afim.

Isto é, determinada sociedade, ou mesmo pessoa, julgando-se civilizada, avançada, superior, atribui a outra pessoa ou sociedade um status de inferioridade em algum sentido.

Isso decorre basicamente do modo de se enxergar as diferenças, pensando única e exclusivamente a partir dos seus próprios valores (não se enxergando que o mundo é plural).

a partilha da China com ações etnocentristas
Os pilares do imperialismo estavam diretamente alicerçados sob o etnocentrismo. Créditos: Charge: “A Torta Chinesa”, de Henri Meyer.

1.1 Exemplo hipotético de ação etnocêntrica

Se a sociedade 1 julgasse negativamente, de acordo com os seus próprios costumes, determinados aspectos das sociedades 2, 3 e 4 que são inexistentes ou bem diferentes dos contidos na cultura 1.

As sociedades 2, 3 e 4 têm as suas peculiaridades, o seu modo de viver próprio, sendo cada uma também diferente da outra.

No entanto, para a sociedade 1, há uma atitude etnocêntrica ao não enxergar isso e muitas vezes isso decorre do mero estranhamento social, o que pode conter e esconder medo, ou mesmo soberba.

Ainda, ações etnocêntricas por diversas vezes na história esconderam e ainda escondem a exploração econômica e escravidão.

Acontecia na Grécia e na Roma antigas, aconteceu no Colonialismo e no Neocolonialismo, acontece hoje em dia.

2. ETNOCENTRISMO E RELATIVISMO CULTURAL

Quando se busca observar uma cultura diferente da sua de modo “imparcial”, procurando enxergar as mais diversas distinções e compreendendo que o mundo vai além de nossas fronteiras, isso é relativismo cultura e não etnocentrismo.

O relativismo cultural é o ato de observar culturas diferentes sem os critérios rígidos de uma cultura específica, de modo a não marginalizar e separar o que existe de diferente em cultura alheia.

Retornando ao exemplo do tópico anterior, se a sociedade 1 observasse as sociedades 2, 3 e 4 sem buscar a imposição de determinados parâmetros próprios, mas sim de diferenças culturais, isso seria uma visão não etnocêntrica, mas relativa.

Dessa forma, o relativismo cultural é a observação e a compreensão de outros povos sem a ideia de julgamento a partir de uma cultura específica como se esta fosse o “centro do universo”.

3. EXEMPLOS DE ETNOCENTRISMO

O que não falta na história são exemplos de etnocentrismo.

Existem casos emblemáticos que ofuscam, ou mesmo cegam, a nossa visão sobre os tantos casos do passado e os ocorridos atualmente.

Casos de etnocentrismos que podem chegar ao extremo, como o etnocídio e mesmo o genocídio.

etnocentrismo e o genocídio armênio
Ossadas de vítimas do Genocídio Armênio ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial: os turcos otomanos executaram cerca de 1,5 milhões de pessoas de uma população que teria apenas 2 milhões de habitantes. Créditos: autoria desconhecida.

3.1 Atitudes etnocêntricas no espaço e no tempo

Gregos, romanos, japoneses, portugueses, ingleses, chineses, russos e uma infinidade de povos e nações vêm realizando atos etnocêntricos ao longo da história, ainda que o conceito de etnocentrismo atual ainda não existisse.

Gregos e romanos ao chamar os povos vizinhos de bárbaros (no pior dos sentidos pejorativos), colocavam-se automaticamente em um patamar mais elevado de sociedade.

Atualmente, vemos manifestações etnocêntricas até em partidas de futebol, como as que ocorrem frequentemente nas nações do leste europeu e vemos jogados negros, incluindo brasileiros, sendo humilhados em pleno campo de futebol.

De igual modo, a marginalização, ou mesmo o menosprezo, das culturas indígena e africana no Brasil reflete ações de cunho etnocêntrico, ainda que alguma parte da população brasileira não compactue com essa visão etnocêntrica.

4. EUROCENTRISMO

Provavelmente o mais conhecido exemplo de etnocentrismo é o Eurocentrismo no qual as nações europeias, após as Grandes Navegações, deram início a um longo processo dominação além das fronteiras da Europa.

Dominação esta que se estendeu do século XVI até o século XIX categoricamente, marcando profundamente os continentes da América, África, Ásia e Oceania.

Ingleses, holandeses, belgas, franceses, portugueses, espanhóis e tantos outros povos se revezaram como maiores ou menores potências, explorando diversos continentes em busca de riquezas com justificativas etnocêntricas.

Em todos os casos, havia a questão da falsa superioridade cultural (etnocentrismo) como justificativa para explorar financeira e brutalmente, sendo os motivos de ordem econômica o real interesse das nações europeias.

O papel da religião foi igualmente preponderante no processo, causando uma grande distinção entre um lado (potências) e o outro (colonizados).

etnocentrismo como justificativa para exploração e riqueza
A busca por riqueza era um componente explosivo quando unido a ações etnocêntricas. Créditos: autoria desconhecida.

4.1 Eurocentrismo na América: Colonialismo

Na América, como exemplo, temos as dominações espanhola e portuguesa sobre as culturas nativas retratadas como povos selvagens sem alma, sem civilidade, sem cultura, atrasadas, preguiçosas e mesmo destinadas à escravidão (e ao inferno por serem “pagãs”).

Às potências ibéricas, cabia o papel civilizador para com os indígenas que eram explorados em troca de uma suposta civilização e catequização por meio da religião e costumes europeus.

Esse papel civilizador também era uma espécie de busca a legitimidade para explorar economicamente, na qual milhões de indígenas pereceram trabalhando compulsoriamente em meio a epidemias de doenças consecutivas e maus-tratos.

etnocentrismo e a catequização de indígenas
Em troca de trabalhos forçados, os indígenas costumavam receber a catequização como “pagamento”. Créditos: Benedito Calixto.

4.2 Eurocentrismo na África, Ásia e Oceania: Neocolonialismo

No século XIX, uma nova forma de colonialismo — imperialismo do século XIX — se aplacou sobre povos já explorados, mas com novas estruturas de dominação e uma justificativa já conhecida, mas modernizada.

As potências europeias, com a necessidade de escoar produtos fabricados em massa das forjas da Revolução Industrial, buscaram novos mercados consumidores uma vez que os seus mercados já se encontravam saturados.

Ao mesmo passo, necessitavam de matérias-primas baratas para continuar alimentando as indústrias e manter a produção em ritmo crescente.

Com isso, uma nova onda de exploração sobrevoou e aplacou diversos povos que já eram vistos como “inferiores” e que “necessitavam” de civilidade, o que só o europeu possuiria, de acordo com o eurocentrismo.

Esta época ficou particularmente marcada por conta de falsas ideias de eugenia e superioridade, como as do italiano Cesare Lombroso e a sua teoria do Criminoso Nato, que auxiliou as potências a estigmatizar povos fisicamente diferentes do europeu branco.

etnocentrismo e a eugenia
[1] “A escola de Lombroso aplicava técnicas de antropometria aplicada para combater a insegurança”; [2] “O objetivo era identificar os criminosos de acordo com as suas características físicas”. Fotomontagem: autor desconhecido.

5. ETNOCENTRISMO: GENOCÍDIO E ETNOCÍDIO

Genocídio e etnocídio caminham em uma parte especial e brutal do etnocentrismo, sendo as maneiras mais drásticas de abordar e tratar o que é diferente.

Genocídio é o extermínio de grande parte de uma mesma população e o etnocídio a destruição cultural de um mesmo povo.

Por isso, a xenofobia e o nacionalismo costumam marcar presença em um ou outro caso, tendo alguns uma maior ou menor inclinação para ações de perseguição.

Como exemplos de genocídios, que representam a forma mais brutal de etnocentrismo, temos o Genocídio Armênio, o Holodomor (A Grande Fome da Ucrânia) e o Holocausto, sendo o Holocausto o caso mais conhecido — algo bem diferente dos dois primeiros genocídios.

O Holocausto, amplamente conhecido, tratou-se de uma perseguição implacável e que alcançou níveis de brutalidade extraordinários, uma vez que se planejou, estruturou e levou a cabo uma verdadeira indústria da morte.

vítima do Holodomor - a grande fome da ucrânia
O Holodomor ficou conhecido por sua incrível mortalidade por fome na qual, de acordo com os próprios arquivos soviéticos, muitas pessoas recorriam ao canibalismo. Créditos: Gareth Richard Vaughan Jones.

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Espero ter ajudado e obrigado!


REFERÊNCIA SOBRE O ETNOCENTRISMO

BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. São Paulo, SP: Fundamento, 2008.

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.

FAUSTO, Boris; FAUSTO, Sérgio (colab). História do Brasil. 14ª ed. atual. e ampl., 2º reimpr. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2015.

PRADO, Maria Ligia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. 1. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2016.

SÉMELIN, Jacques. Purificar e Destruir: Usos políticos dos massacres e genocídios. trad. Jorge Bastos. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 3. ed., 9ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.

SNYDER, Timothy. Terras de Sangue – A Europa entre Hitler e Stalin. trad. Mauro de Abreu Pinheiro. Rio de Janeiro: Record, 2012.

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PALAVRAS-CHAVES SECUNDÁRIAS: eurocentrismo, ações etnocêntricas, genocídio, etnocídio, colonialismo, neocolonialismo, eugenia, xenofobia, nacionalismo.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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