Quem foi Martinho Lutero? Reforma Protestante

Martinho Lutero
Martinho Lutero é o personagem central da Reforma Protestante, evento este que fragmentou profundamente o poder da Igreja Católica. Créditos: Ferdinand Pauwels / Montagem: Eudes Bezerra.

Martinho Lutero é o personagem central da Reforma Protestante, evento este que fragmentou profundamente o poder da Igreja Católica. Lutero buscou combater uma série de questões que ainda hoje se repetem.

Lutero tinha a intenção de reformar por dentro a Igreja Católica, mas na década de 1520 ficou claro que isso seria impossível.

(…) Na década de 1550, o luteranismo chegou a Dinamarca, Noruega e Suécia.

Outras igrejas protestantes seguiram o exemplo dos luteranos e passaram a celebrar cultos simples, com hinos e leituras da Bíblia. (HAWKINS, 2018, p. 68)

Boa leitura!

TÓPICOS SOBRE MARTINHO LUTERO

1. Quem foi Martinho Lutero?
2. Quem foi Martinho Lutero antes da Reforma Protestante?
3. Qual foi o contexto para a revolução religiosa de Martinho Lutero?
4. O que levou à Reforma Protestante?
5. O que foi a Reforma Protestante?
6. O que dizia Martinho Lutero?
7. Quais foram as consequências da revolução religiosa?
Referências

1. QUEM FOI MARTINHO LUTERO?

Para alguns, a pessoa que promoveu uma reforma importante na Igreja Católica e o surgimento da Igreja Luterana — assim como diversas outras igrejas.

Para outros, principalmente pessoas mais tradicionais advindas do catolicismo, um herege, um traidor da Igreja Apostólica Romana. 

De qualquer forma, Martinho Lutero foi o sacerdote católico alemão que contestou os abusos de poder e o luxo da Igreja, tornando-se a principal figura da Reforma Protestante. 

2. QUEM FOI MARTINHO LUTERO ANTES DA REFORMA PROTESTANTE?

Filho de Hans Lutero e Margarethe Lindemann, Martinho LuteroMartinus Luter ou Martin Luther — nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, na Saxônia-Turíngia, Alemanha.

Em 1501, Lutero se matriculou na Universidade de Erfurt, onde obteve graduação em Filosofia. Na mesma universidade cursou Direito a pedidos da mãe, onde se destacou como exemplar aluno de advocacia.

Contudo, em 1505, enquanto caminhava por uma estrada para a casa dos pais, uma grande tempestade surgiu e uma descarga elétrica caiu próximo dele.

Lutero, extremante assustado, teria prometido a Sant’Ana que se tornaria um monge, caso a tempestade terminasse.

Em 17 de julho do mesmo ano, Lutero ingressou na Ordem Agostiniana em Frankfurt, onde se dedicou a uma vida de orações, meditações e autoflagelação.

Em 1507, Lutero foi ordenado padre e começou a lecionar na Universidade de Wittemberg em 1508. Durante esse tempo, aprofundou os estudos em  grego e hebraico para compreender melhor o estudo da Bíblia.

Martinho Lutero e a Reforma Protestante
O monge agostiniano Martinho Lutero desejava uma reforma interna da Igreja Católica, mas acabou por desencadear uma verdadeira revolução religiosa a partir do século XVI. Créditos: Lucas Cranach, o Velho.

3. QUAL FOI O CONTEXTO PARA A REVOLUÇÃO RELIGIOSA DE MARTINHO LUTERO?

A vida de Lutero fazia parte de um contexto histórico muito maior. No começo do século XVI, não havia um Estado-nação alemão, visto que a região era dividida em inúmeros principados menores governados por príncipes.

Os príncipes prestavam subordinação ao imperador do Sacro Império Romano Germânico, que se encontrava ligado e subordinado ao Papado, mas era uma subordinação apenas nominal. Os assuntos gerais eram decididos pela Dieta Imperial, um conselho formado pelos príncipes germânicos.

Como eles não podiam dispensar a Igreja de seu território, tornava-se mais complicado viver sob o seu regime. As taxas arrecadadas fluíam para Roma e vários soberanos espalhados pelo território alemão não toleravam mais essa interferência externa.

Essa mesma situação encontrada no Sacro Império era vivenciada em diversas outras regiões da Europa.

Regiões que seriam profundamente marcadas pela Reforma Protestante, como a Inglaterra que confiscou terras e posses da Igreja Católica e fundou a Igreja Anglicana durante o reinado de Henrique VIII.

Martinho Lutero e a burguesia
Havia diversos outros interesses na Reforma Protestante, como os da burguesia que buscava uma doutrina mais tolerante com os lucros do comércio e das atividades bancárias, que eram condenadas pelo Catolicismo, mas não pelas novas religiões: as protestantes, como a Calvinista. Créditos: autoria desconhecida.

4. O QUE LEVOU À REFORMA PROTESTANTE?

Lutero visitou Roma em 1511 e notou a frivolidade (futilidade) que existia em parte do clero da Igreja Católica. Havia até prostíbulos exclusivos para monges e a venda de artigos e imagens religiosas, que usavam para prometer a salvação.

No começo do século XVI, a Igreja Católica se encontrava empenhada na arrecadação de fundos para erguer a Basílica de São Pedro no Vaticano. Para arcar com os custos financeiros, muitos bispos iniciaram a cobrança por serviços da Igreja.

Entre um desses serviços, havia as indulgências, que possibilitavam a remissão dos pecados em troca de pagamentos em dinheiro.

Martinho Lutero, diante de tamanho distanciamento entre a bíblia e as ações do clero, envergonhou-se e se pôs a trabalhar para apresentar uma reforma interna distante da vida de luxo e bonança (principalmente do alto clero).

Em 31 de outubro de 1517, Lutero teria fixado na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg 2 grandes folhas de papel: as “95 teses contra a venda de indulgências”, onde Lutero questionava as práticas do clero católico.

Martinho Lutero e a venda de indulgências
A venda de perdão e das mentirosas relíquias sagradas eram uma das maneiras mais claras de se enxergar o absurdo no seio de sua própria Igreja. Por isso, Martinho Lutero elaborou as suas 95 teses que visavam a reformulação da instituição. Créditos: Augsburg.

5. O QUE FOI A REFORMA PROTESTANTE?

Conforme as ideias de Lutero ficaram conhecidas, o Papa Leão X designou o professor Silvestro Mazzolini para respondê-las academicamente. A discussão sobre a autoridade papal virou uma controvérsia sem-fim e ele ordenou uma retratação.

Martinho Lutero estava sob a proteção do príncipe Frederico da Saxônia e recusou o pedido de retratação, dando início a uma campanha dentro da Igreja. Nesse ano, 1521, Martinho Lutero foi excomungado por ela.

Em 1529, Carlos V e príncipes católicos aumentaram a pressão sobre Lutero. Surgiu daí a denominação protestante.

6. O QUE DIZIA MARTINHO LUTERO?

Em 1520, Lutero escreveu três tratados que se tornaram a base do Luteranismo e o começo da Reforma.

Na doutrina, Lutero afirma que a salvação do homem ocorre apenas pela justificação da fé. Na Igreja Luterana, conservou certos elementos da Igreja Católica, mas mudou tantos outros, como a troca do latim pelo alemão nos serviços e rejeitando as hierarquias eclesiásticas.

Além disso, permitiu que cada indivíduo interpretasse livremente a Bíblia, rejeitando a mediação da igreja na relação dele com Deus, o que desagradou profundamente o clero.

Dos ritos tradicionais, preservaram-se o batismo, o matrimônio e a eucaristia.

Martinho Lutero e as 95 teses
Possivelmente, Martinho Lutero não pregou as teses na porta da igreja, mas distribuiu panfletos que rapidamente circularam por toda a Europa. Créditos: Ferdinand Pauwels / Coleção: Eisenach, Wartburg-Stiftung, Alemanha.

7. QUAIS FORAM AS CONSEQUÊNCIAS DA REVOLUÇÃO RELIGIOSA?

Lutero foi considerado fugitivo e herege em 1521, de acordo com o Édito de Worms, e suas obras foram banidas do Sacro Império Germânico. Em 1530, escreveu a Confissão de Augsburgo, que foi aceito como o credo luterano.

As respostas a isso foram a expansão do Luteranismo, como o Calvinismo na Suíça, e a Contrarreforma da Igreja Católica.

Martinho Lutero, em 1525, casou-se com a ex-freira Katherina von Bora, rejeitando o celibato dos clérigos em sua igreja luterana.

Faleceu em 18 de fevereiro de 1546, aos 63 anos de idade, em Eisleben, no castelo de Frederico.

REFERÊNCIAS

BEZERRA, Eudes. Reforma Protestante. Acesso em: 06 jan. 2022.
BLOCH, Marc. A sociedade medieval. trad. Laurent de Saes. São Paulo: EDIPRO, 2016.
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
GOFF, Jacques Le; SCHIMIT, Jean-Claude. Dicionário analítico do Ocidente medieval. vol. 1, trad. Hilário Franco Júnior. São Paulo: Editora Unesp, 2017.
HAWKINS, John. A História das Religiões. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2018.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.

IMAGEM(NS):
Buscou-se informações para creditar a(s) imagem(ns), contudo, nada foi encontrado. Caso saiba, por gentileza, entrar em contato: [email protected]

PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: luteranismo, martinho lutero, igreja luterana, reforma protestante, igreja católica, revolução religiosa.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

Publicações de Eudes Bezerra