A Primeira Guerra Mundial, 1914-1918

mapa mostrando as potências na primeira guerra mundial
“Ouça! Ouça! Os cães latem!”, de 1914. Créditos: Johnson, Riddle & Co. LTD., London, S.E.. ID: D (33 C 3566) 75/1984.

Em 28 de junho de 1914, Francisco Ferdinando, o sucessor do trono do Império Austro-Húngaro, acabou assassinado pelo nacionalista sérvio Gravilo Princip em Sarajevo, na Sérvia. O assassinato consubstanciou o estopim para a execução de planos de guerra há décadas engavetados e, em 28 de julho, o mundo mergulhou em um dos seus períodos mais sombrios, quando as “nações civilizadas”, com armas, buscaram resolver as suas diferenças. Começava, assim, a Primeira Guerra Mundial.

Desde a queda de Napoleão Bonaparte, na Batalha de Waterloo (1815), a Europa vivia significativa paz dentro de suas fronteiras. As nações europeias disputaram guerras, mas nenhuma foi generalizada ou arrasadora como as do passado. Apesar disso, a animosidade era grande e a paz bem armada.

Com razões que remontavam o disputado século XIX, a Primeira Guerra Mundial foi o evento mais significativo do século XX. Ao abrir as fervorosas portas da Era dos Extremos, a Grande Guerra forneceu generosos subsídios para remodelação do século que se iniciava — o “Século da Violência”.

Antes das bombas explodirem no campo de batalha e destruírem razão, existia a romântica visão dos combatentes que se atiravam heroicamente na defesa de seus lares e pátrias, entretanto, depois dos primeiros embates, essa visão se esfacelou e tudo que restou foi destruição, dor e saudade de casa.

Ao longo do período, duas alianças foram forjadas: de um lado a Alemanha, Áustria-Hungria e Turquia; e de outro a Rússia, Inglaterra, França, Itália (sorrateiramente) e posteriormente os EUA; ao lado das duas coligações, dezenas de outros países pegaram em armas ou forneceram meios para tal.

A guerra perdurou até o fim de 1918, quando oficialmente encerrada em 11 de novembro. No seu rastro, a Europa arrasada. A guerra teria deixado um saldo amargo de 10 milhões de pessoas mortas e 30 milhões de feridos.

As agressões entre os anos de 1914 e 1918 também foram responsáveis por grandes avanços tecnológicos, médico-cirúrgicos e, essencialmente, bélicos. A mesma ciência que destruía e matava também ajudou a curar e os engenhos criados, como o tanque Mark I, adquiririam maturidade na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A Primeira Guerra forneceu definitiva propulsão à Revolução Russa (1917), findou impérios, acabou com a hegemonia europeia e lançou as bases do que seria realizado na Palestina, como a criação de Israel. Incidiu diretamente sobre a Grande Depressão (1929), criou distração para o Genocídio Armênio (1915) e fez a Gripe Espanhola (1918-1919) se alastrar pelo planeta. Estimulou a ascensão Hitler, Mussolini e Franco, entre outros déspotas.

Ao seu fim, com os duros termos da paz ratificados no Tratado de Versalhes (1919), seria iniciada a contagem regressiva para a Segunda Guerra Mundial, onde mais uma vez, com armas, as “nações civilizadas” tentariam resolver as suas diferenças.

REFERÊNCIAS:
ARARIPE, Luiz de Alencar. Primeira Guerra Mundial. In. MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, 2011.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: O Breve Século XX: 1914-1991. trad. Marcos Santarrita. 2 ed. 46 imp. São Paulo: Companhia de Letas, 2012.
MAGNOLI, Demétrio; BARBOSA, Elaine Senise. Liberdade versus igualdade: O mundo em desordem (1914-1945). Rio de Janeiro: Record, 2011.
Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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