Rosa Parks: vida pessoal e política (resumo)

Rosa Parks sentada em ônibus na frente de um homem branco
De costureira a ativista, conheça mais sobre a história da mulher que ficou conhecida como “Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais”. Créditos da fotografia original: Underwood Archives / UIG / REX.

Rosa Louise McCauley, ou apenas Rosa Parks, nasceu em quatro de fevereiro de 1913 no estado de Alabama, EUA. Neste mesmo ano, Mona lisa, obra de Leonardo da Vinci, voltou para o Louvre depois de ser roubada.

Charlie Chaplin entrou para a indústria cinematográfica e mulheres saíram às ruas de Washington para reivindicar o direito ao voto, também em 1913. Anos depois, Parks igualmente ficaria marcada na história.

Isso porque, decidira contrariar a ordem de ceder o assento do ônibus a um branco. Rosa foi presa e, desde então, o movimento pelos direitos civis dos negros ganhou força e um símbolo de resistência.

De costureira à ativista, conheça mais sobre a história da mulher que ficou conhecida como “Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais”.

Boa leitura!

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SUMÁRIO

1 Quem foi Rosa Parks antes do boicote ao ônibus de Montgomery
2 O memorável 1° de dezembro de 1955
3 O abalo na segregação racial nos EUA
4 O peso do assento de ônibus
5 Rosa Parks depois do boicote ao ônibus de Montgomery
6 A história de Rosa Parks
7 Os símbolos da revolução
Referências

1 QUEM FOI ROSA PARKS ANTES DO BOICOTE AO ÔNIBUS DE MONTGOMERY

Foi em 4 de fevereiro de 1913 que nasceu a filha dos fazendeiros Leona McCauley e James McCauley, Rosa Louise McCauley, na cidade de Tuskegee, Alabama, EUA.

Rosa cresceu estudando em escolas rurais com o intuito de seguir a carreira dos pais, mas, devido a problemas de saúde em sua família, logo teve que iniciar os trabalhos como costureira, para ajudar com as despesas em casa.

Aos 19 anos de vida, Rosa se casou com o barbeiro e, também, integrante da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Raymond Parks. Ele que a incentivou a atuar como ativista por direitos iguais.

Após dois anos de casamento, Rosa Parks concluiu o ensino médio e foi uma das poucas mulheres a fazer parte da NAACP, as mulheres ainda eram vistas como incapazes de discutir política, 21 anos depois do protesto em prol ao voto.

Rosa Parks sentada em ônibus
Rosa Parks sentada na frente de um ônibus em Montgomery, Alabama, 1956. Créditos: Underwood Archives / UIG / REX.

2 O MEMORÁVEL 1° DE DEZEMBRO DE 1955

Era noite quando Parks voltava do trabalho, no dia 1° de dezembro de 1955, data considerada divisor de águas na luta pelos direitos dos negros dos Estados Unidos.

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Com 42 anos e tida como esposa estimável, porém, sem voz e vez nas reuniões do grupo, que frequentava contra a discriminação de cor, Rosa tomou uma iniciativa arriscada e que mudaria não só a sua vida, como a de milhares.

Ela não levantou para dar lugar a uma pessoa branca, no ônibus que circulava a cidade de Montgomery. A capital do Alabama registrava o maior número de conflitos raciais do país, ainda por cima, contava com uma lei que contribuía para isso.

A segregação racial nos Estados Unidos determinava, desde 1900, separação de raças em locais públicos e privados, privilegiando pessoas brancas e privando os negros de serviços e oportunidades.

3 O ABALO NA SEGREGAÇÃO RACIAL NOS EUA

A segregação racial consistia na resistência dos sulistas em acatar o fim da discriminação racial, imposta pela Constituição dos Estados Unidos, entre os anos de 1867 e 1868.

Enquanto a Constituição queira proteger a igualdade de todos os cidadãos estadunidenses, os estados do sul do país defendiam a separação de brancos e negros, com isso, criaram suas próprias leis.

Com a disseminação das leis estaduais, intituladas de “leis de Jim Crow”, escolas e transportes, como, trens e ônibus, por exemplo, tanto privados quanto públicos, deveriam ter espaços separados por cor de pele.

Contudo, quando Rosa Parks decidiu não obedecer à mudança da indicação da placa do ônibus, de “pessoa de cor” para pessoa branca, e continuou sentada, ela foi presa. Isso causou comoção por parte do público negro.

Rosa Parks tendo as digitais recolhidas
Rosa Parks sendo tendo as suas digitais recolhidas para o banco de identificação criminal da polícia. Créditos: Universal History Archive / REX.

4 O PESO DO ASSENTO DE ÔNIBUS

Rosa Parks achou que não deveria ter de se levantar do assento de ônibus, tendo em vista merecer está sentada igualmente a qualquer outra pessoa, não seria a cor de pele a determinar isso.

Ela sabia dos riscos, foi presa, e isso acendeu a chama da revolução, não somente por parte dos ativistas que defendiam os direitos dos negros, mas sim dos próprios negros em geral.

Milhares de trabalhadores se engajaram em boicotar o transporte público e passaram a ir ao trabalho caminhando, gerando consequências negativas às empresas.

O movimento durou mais de um ano, teve como aliados diversos líderes religiosos, entre eles, Martin Luther King, e resultou na revogação da segregação racial nos transportes públicos.

Rosa Parks fotografada pela polícia
Rosa Parks fotografada no departamento de polícia após se recusar a ceder seu assento a uma pessoa branca. Créditos: Universal History Archive / REX.

5 ROSA PARKS DEPOIS DO BOICOTE AO ÔNIBUS DE MONTGOMERY

Parks ficou presa por um dia, mas tão significante foi o seu ato, além de permitir que outras pessoas tomassem ciência dos seus direitos, conseguiu atrair a atenção de autoridades e transformou uma realidade antes ilógica.

No entanto, as consequências não foram completamente positivas, especialmente para Rosa. Como ativista, foi perseguida e ameaçada de morte por pessoas que ainda defendiam a segregação.

Também foi dispensada do trabalho, teve dificuldades de se recolocar no mercado, precisou viver em constante mudança de habitação. Ficou viúva e as contas só aumentaram.

Porém, o sentimento de lutar pelo que é certo não a desmotivou. Ela continuou a frente de movimentos ativistas tendo o apoio de grandes lideranças, assim como participou de programas a favor da integração racial.

Violência no boicote aos ônibus
Violência provocada por segregacionistas durante os boicotes aos ônibus. Créditos: Underwood Archives / UIG / REX.

6 A HISTÓRIA DE ROSA PARKS

Em 1992, Rosa Parks lançou sua autobiografia, intitulada de: “Rosa Parks: My Story”, e narrou as dificuldades que enfrentou durante a sua vida enquanto filha, mulher e ativista negra.

Para alguém que não tinha o direito de expressar a sua opinião, escreveu com os próprios punhos alguns trechos da história da humanidade. E, mesmo em seus momentos finais, não se esqueceu dos seus feitos, e nem foi esquecida.

Recebeu as devidas homenagens, teve dívidas perdoadas, e pode descansar em seu próprio lar, em 24 de outubro de 2005, aos 92 anos de idade.

O ônibus de Montgomery, o mesmo em que Rosa não cedeu o lugar, e que antes carregava os limites da segregação racial, agora faz parte do acervo do The Henry Ford Museum.

Ônibus em que Rosa Parks sentou
O ônibus no qual a desobediência de Rosa Parks se fez. O veículo atualmente se encontra em exibição no Museu Henry Ford. Créditos: Autoria desconhecida / Wikimedia Commons.

7 OS SÍMBOLOS DA REVOLUÇÃO

Sem dúvidas, a história de Rosa Parks serve de inspiração para qualquer pessoa, principalmente aquelas que desejam se livrar de amarras que as impedem de ser livres.

A imagem jovial de Rosa Parks juntamente com o ônibus são símbolos que remetem a revolta e a transformação, mesmo diante do que parece uma simples ação.

Dessa forma, não é de se espantar observar tal imagem estampada como manifestação artística, seja em grafites de paredes, arte gráfica ou estampas de camisas.


Com isso, vestir a história de Rosa Parks, por exemplo, é também um ato político. E, se você gostou de saber mais sobre a ativista e quer propagar o seu retrato, clique aqui para conferir algumas camisetas históricas.


REFERÊNCIA(S):

BIOGRAPHY. Rosa Parks Biography. Acesso em: 2 out. 2019.
ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Rosa Parks. Acesso em: 2 out. 2019.
ROSA AND RAYMOND PARKS INSTITUTE. Rosa Louise Parks Biography. Acesso em: 2 out. 2019.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
IMAGEM(NS):
Buscou-se informações para creditar a(s) imagem(ns), contudo, nada foi encontrado. Caso saiba, por gentileza, entrar em contato: [email protected]

 

Autor: Eudes Bezerra

32 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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