Zelotes e Sicários, o fanatismo religioso contra Roma!

zelotes e sicários contra Roma
Os zelotes e sicários (ambos judeus) ficaram conhecidos pelo fanatismo religioso como modo de resistência à dominação do Império Romano. Créditos: O Cerco e a Destruição de Jerusalém pelos Romanos Sob o Comando de Tito, 70 DC, de David Roberts.

Os zelotes (ou zelotas) eram fanáticos religiosos que lutaram contra a dominação romana. Eram conhecidos pelo zelo por sua religião (Cristianismo) e alguns, ainda mais radicais, ficaram conhecidos como sicários.

Em Cesareia, a principal cidade da Palestina romana, os gregos e judeus estavam sempre trocando insultos, mas às vezes a discussão se transformava em distúrbios em larga escala.

Depois de uma série de distúrbios, o governador romano exigiu que a comunidade judaica pagasse por todos os danos feitos.

Os judeus, entretanto, alegaram que, em primeiro lugar, os culpados os eram os gregos, por sacrificarem algumas aves nos degraus da sinagoga, de modo que se recusaram a pagar.

Não havia problema: o governador romano simplesmente sequestrou o dinheiro do tesouro do Templo de Jerusalém. (WHITE, 2013, p. 75, grifo nosso)

Acima, em destaque, um trecho de parte do que acabou por desencadear a Primeira Guerra Romano-Judaica, que há tempos se encontrava prestes a eclodir.

Contudo, o saque ao Grande Templo dos Judeus foi o estopim para o período sangrento que veremos a seguir, apesar da ação dos zelotas já existir há décadas.

Boa leitura!

TÓPICOS DOS ZELOTES OU ZELOTAS

1. Quem eram os zelotes?
2. Origem dos zelotes
3. Quem eram os sicários?
4. Diferenças entre zelotes e sicários
5. Guerras Judaico-Romanas
6. Fortaleza de Massada: a última resistência dos zelotes
⠀⠀6.1 O cerco romano a Massada
⠀⠀6.2 Suicídio de Massada?
7. Sicários atualmente: de Pablo Escobar aos Cartéis de drogas
Referências

1. QUEM ERAM OS ZELOTES?

Os zelotes, ou zelotas, foram judeus fanáticos que se dedicaram ao enfrentamento da dominação do Império Romano, que à época se encontrava em uma de suas melhores fases de poderio.

O significado de zelote vem de “zelo”, zelo pelas escrituras sagradas. Isto é, basicamente alguém que tem zelo e fervor em nome de Deus (dos judeus).

Com isso, os judeus faziam uma ampla frente de resistência contra os romanos que eram tidos como pagãos politeístas (por terem vários deuses) e adorarem seu imperador (como divindade) ainda em vida.

Os zelotes organizaram diversas resistências aos romanos nas quais ora saíram vitoriosos ora derrotados, sendo muitos dos conflitos extremamente sangrentos para ambos os lados.

2. ORIGEM DOS ZELOTES

Não se sabe ao certo quando se iniciou o movimento zelote, que também era identificado como uma seita (seita dos zelotas).

Muitos apontam para a fundação dos zelotes no ano 6 após a Judeia e outros territórios serem dominados pelos romanos, tornando-se no máximo em Estados-Clientes de Roma.

O grande nome do fundador seria Judas de Gamala, também conhecido como Judas, o Galileu, que, assim como outros tantos judeus descontentes, enxergava como insulto o pagamento de tributos aos invasores pagãos.

zelotes apóstolo simão o zelota
Ao menos um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré teria sido um zelote: Simão, o Zelote. Créditos: Caravaggio.

3. QUEM ERAM OS SICÁRIOS?

Os zelotes eram conhecidos pela sua fúria e organização contra a ocupação romana, os sicários eram ainda mais radicais, chegando ao ponto de ataques praticamente suicidas.

O termo sicário viria de sica ou sicae, uma pequena adaga larga e curva, que era bem comum e fácil de se esconder com a qual os sicários atacavam seus alvos.

Ficaram conhecidos por seu caráter sanguinário por causar o mesmo efeito do terrorismo, quando atacavam em público soldados e autoridades romanas.

Além de romanos, também atacavam outros judeus que de alguma forma contribuíam para o domínio romano na região.

4. DIFERENÇAS ENTRE ZELOTES E SICÁRIOS

Os zelotes costumavam atacar como um exército improvisado, sendo bem eficientes em ataques de guerrilha. Foram os primeiros e os últimos a resistir aos romanos.

Os sicários, por sua vez, tiveram o traço clássico de agir em meio à multidão e visavam o assassinato. Seus ataques costumavam ser rápidos e implacáveis, assim como a sua fuga em meio à multidão aterrorizada.

Assim, os sicários se destacaram por ações mais radicais, talvez desesperadas, que os zelotes.

Contudo, em ambos os casos, a repressão romana costumava ser igualmente implacável, fazendo da questão judaico-romana um capítulo particularmente sangrento na história.

5. GUERRAS JUDAICO-ROMANAS

As ações dos zelotes, assim como os altos impostos e a imposição de culto ao imperador romano, acabaram levando a diversos conflitos, sendo alguns de larga escala.

A principal guerra entre judeus e romanos é a Primeira Guerra Judaico-Romano, iniciada no ano de 66, interrompida em 68 e concluída em 70 d.C., com alguns focos de resistência persistindo até 73.

Nessa guerra os romanos foram comandados por dois líderes habilidosos, sendo o primeiro o experiente general Vespasiano e posteriormente Tito, filho de Vespasiano que havia se tornado o imperador romano após a morte de Nero (suicídio em 9 de junho de 68).

No contexto geral, apesar da brava resistência dos judeus, os romanos foram cada vez mais conquistando as cidades e fortalezas até dominar completamente a região e suprimir os focos de resistência.

Apesar do êxito romano, a região ainda se mostrava instável e a proximidade fronteiriça com outro grande império, o Parta, havia feito da província romana do tipo militar (e não administrativa).

No mais, algumas centenas de milhares de judeus, romanos e outros morreram nos conflitos e nas perseguições, ainda não se sabendo ao certo os números, visto que as fontes divergem absurdamente.

Zelotes e cerco e destruição de Jerusalém pelos romanos
Os romanos destruíram Jerusalém com tremenda violência como resposta aos inúmeros romanos massacrados pelos zelotes e sicários. Créditos: O Cerco e a Destruição de Jerusalém pelos Romanos Sob o Comando de Tito, 70 DC, de David Roberts.

6. FORTALEZA DE MASSADA: A ÚLTIMA RESISTÊNCIA DOS ZELOTES

A fortaleza de Massada, uma espécie de palácio-fortaleza, construída durante o reinado de Herodes, o Grande (rei-cliente de Roma), era uma formidável estrutura no alto de uma colina.

A defesa era fácil e sem dúvida uma vitória romana seria extremamente custosa nessa ocasião, visto o difícil acesso e a facilidade de se defender.

ruínas de massada onde os últimos zelotes resistiram
Ruínas de Massada, a fortaleza-palácio criada por Herodes, o Grande, cujo principal objetivo era a sua segurança. Massada ainda hoje se mostra incrível e é possível visitá-la subindo de teleférico ou pela rampa construída pelos romanos. Créditos: autoria desconhecida / Parque Nacional de Massada, Israel.

6.1 O cerco romano a Massada

Os romanos liderados por Tito, sabendo da dificuldade que seria a tomada da grande fortaleza de Herodes, optaram por construir uma gigantesca rampa com areia e pedras.

Durante a sua construção, pouca ou nenhuma resistência aparente parecia ocorrer dos zelotes da fortaleza que se encontravam em posição privilegiada para atingir os legionários romanos mais próximos.

Com a rampa pronta e a consequente destruição de uma parte da muralha de Massada, os romanos iniciaram o assalto e, para o seu espanto, estavam todos mortos.

Os zelotes haviam se matado, talvez deixando uma mensagem de que nunca, absolutamente nunca, seriam dominados por Roma ou qualquer outro povo.

Diversas fontes divergem sobre a existência de uma sobrevivente ou mesmo algumas pessoas. Entretanto, nada parece conclusivo.

cerco romano a massada
Após o custoso cerco e emprego de diversas armas de assédio, os romanos teriam encontrado grande quantidade de comida e água em Massada, como prova de que a resistência dos judeus teria tido condições de suportar o cerco por bastante tempo. Créditos: autoria desconhecida.

6.2 Suicídio de Massada?

Até onde se sabe (e se acredita), não houve suicídio na fortaleza de Massada.

Os 960 zelotes que se encontravam em Massada teriam pactuado uma espécie de suicídio coletivo indireto.

Como o suicídio já era um pecado terrível para os judeus, os zelotes teriam tirado na sorte ― como algum jogo de “dados” ― quem mataria quem, de modo que nenhum dos 960 membros da resistência tivesse que se suicidar.

diversas teorias sobre como os zelotes teriam se matado, sendo outra das hipóteses a de que os zelotes teriam feitos círculos e cada membro cortava o pescoço do membro do seu lado.

zelotas e o arco do triunfo de tito no fórum romano
Detalhe do Arco de Tito no Fórum Romano, no qual se destaca a sagrada Menorá de Jerusalém, uma espécie de candelabro sagrado para o Judaísmo. Tito, com o domínio da região havia angariado grande prestígio em Roma. Créditos: Dnalor-01 / Wikimedia Commons.

7. SICÁRIOS ATUALMENTE: DE PABLO ESCOBAR AOS CARTÉIS DE DROGAS

Atualmente ainda escutamos o termo sicário em manchetes de jornais ou mesmo em filmes e séries.

Em boa parte, isso se deve ao resgate realizado do termo histórico pelo narcotraficante Pablo Escobar, que criou uma força paramilitar de elite com soldados fiéis aos seus interesses.

Esses verdadeiros soldados de elite do Cartel de Medellín possibilitaram os mais variados atos ofensivos e defensivos do Patrão do Mal (Pablo Escobar), como a invasão do Palácio da Justiça da Colômbia e a explosão de um avião em pleno voo.

Vários cartéis em diversos países ainda utilizam sicários em suas ações, principalmente quando para executar testemunhas e autoridades, como promotores e juízes.

Pela devoção aos chefões do crime organizado, os sicários eram (são) bem remunerados e suas famílias são acolhidas quando morrem, apesar de muitos permanecerem “lobos solitários” pela dedicação ao cartel.

zelotes e os sicários de pablo escobar
Pablo Escobar, o narcotraficante que criou uma unidade paramilitar inspirada nos zelotes e sicários para seus mais perversos fins. Créditos: Registro Criminal de Pablo Escobar, 1976 / Polícia Nacional da Colômbia.

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REFERÊNCIA(S):

GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 1969.

GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.

GOLDSWORTHY, Adrian. Em nome de Roma: conquistadores que formaram o Império Romano. trad. Claudio Blanc. São Paulo: Planeta do Brasil, 2016.

WILLIAMS, Anne; HEAD, Vivian. Ataques terroristas – A face oculta da vulnerabilidade. trad. Débora da Silva Guimarães Isidoro. São Paulo: Larousse, 2010.

WHITE, Matthew. O grande livro das coisas horríveis: a crônica definitiva das cem piores atrocidades da história. trad. Sergio Moraes Rego. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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