Cirurgia plástica nasce na Primeira Guerra Mundial

willie vicarage antes e depois da cirurgia
O marinheiro britânico Willie Vicarage teve seu rosto desfigurado por um tiro durante a terrível Batalha de Jutlândia (1916), na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Willie foi submetido às intervenções cirúrgicas de Gillies.
Créditos: acervo Sir Harold Delf Gillies.

Comovido com a triste realidade social dos ex-combatentes que retornavam da Grande Guerra, o médico neozelandês Harold Gillies buscou amenizar o sofrimento e acabou por revolucionar a medicina. Costumeiramente, as feridas abertas eram simplesmente costuradas e acabavam por originar cicatrizes horríveis, porém, a partir das intervenções de Gillies, aqueles que sangraram durante o conflito armado encontraram um pouco mais de dignidade para viver o pós-guerra.

Para reconstruir o rosto de Willie (fotografia acima), em 1916, Gillies utilizou um grande retalho de pele proveniente do peito do paciente confeccionando-o como um tubo (“pedículo com câmara de ar”), o que assegurou o fornecimento natural de sangue, reduziu as chances de infecção e rejeição e consagrou o médico militar como o pai da cirurgia plástica moderna. Tal procedimento é considerado a primeira cirurgia plástica de plena reconstrução facial.

A cirurgia plástica, atualmente tão associada à busca por um ideal estético de beleza, foi desenvolvida para fins humanitários. Ela visava à reintegração social daqueles que tiveram suas faces  — e identidades — completamente destruídas pela nova guerra tecnológica. A mesma ciência que destruía também ajudava a curar.” (MAGNOLI; BARBOSA, 2011, p. 30)

William M. Spreckley e a melhora após cirurgia de Gillies
O Tenente britânico William M. Spreckley e a significativa reconstrução facial após as intervenções do médico. O tenente Spreckley teve seu nariz destruído por um tiro na Terceira Batalha de Ypres (1917). Créditos: acervo Sir Harold Delf Gillies.

O médico Sir Harold Delf Gillies, nascido na Nova Zelândia, estudou e trabalhou na Inglaterra e parecia possuir uma personalidade obcecada, persistente, que lhe fez inovar e renovar. Sensibilizado com o sofrimento daqueles que tiveram a infelicidade de sofrer os infortúnios da guerra, buscou criar métodos para reconstituir a dor que abalava milhões de jovens que retornavam aos seus países com graves deformações.

Com material do corpo do próprio paciente, Gillies e sua equipe multidisciplinar conseguiram bons resultados ao trabalhar com retalhos e enxertos de pele e ossos das costelas transplantados. A equipe de Gillies também possuía artistas que auxiliavam os pacientes na superação dos traumas e atuou principalmente em Londres, na Inglaterra.

Após a Primeira Guerra Mundial, as intervenções cirúrgicas foram amplamente utilizadas com o objetivo de restaurar ou minimizar os corpos desgraçados. Outrossim, “a presença dos mutilados na vida cotidiana se tornaria a lembrança mais assustadora do poder de destruição da guerra industrial. Em certos casos, as deformidades eram tão terríveis que, em nome do bem-estar dos demais, determinou-se o isolamento dos mutilados.” (MAGNOLI; BARBOSA, 2011, p. 30)

REFERÊNCIAS:
BRIGSS, Helen. Plastic pioneers: How war has driven surgery. Acesso em: 30 jul. 2013.
CONDLIFFE, Jamie. Cirurgia plástica na Primeira Guerra Mundial estava muito à frente de seu tempo. Acesso em: 30 jul. 2013.
MAGNOLI, Demétrio; BARBOSA, Elaine Senise. Liberdade versus igualdade: O mundo em desordem (1914-1945). Rio de Janeiro: Record, 2011.
SARTORI, Marina. Breve história da cirurgia plástica. Acesso em: 30 jul. 2013.
Súbito Sentido. Soldados da Primeira Guerra Mundial. Acesso em: 29 jul. 2013.
VALENÇA, Davi. Avanço da cirurgia plástica. Acesso em: 29 jul. 2013.
Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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