A Falange Macedônia de Alexandre, o Grande

falange macedônia em ação
A unidade básica (speira) da falange macedônia retratada de forma simplificada, mas suficiente ao exame. Créditos: autoria desconhecida.

Na ponta da lança do maior conquistador da Antiguidade, Alexandre, o Grande, encontravam-se as avassaladoras falanges macedônias. Vigorosamente agressivas, representaram o que de melhor existia à época e nem as poderosas cargas de elefantes de guerra frearam seu avanço. Guiadas pelas sábias mãos do discípulo de Aristóteles, as falanges venceram o mundo conhecido e tomaram a eternidade para si.

Quando em combate, a falange se assemelhava a um gigantesco porco-espinho. As longas lanças eram abaixadas e avançavam sobre o inimigo. Na medida em que avançava, imobilizava, desorganizava e destruía a frente adversária, permitindo à cavalaria – e demais unidades auxiliares – atacar o inimigo pelos flancos (lados) ou retaguarda.

Fruto do genial trabalho de Felipe II (382-336 a.C.), rei da Macedônia e pai de Alexandre, a falange, com base na análise de diversos exércitos, foi criada para somar vitória. A Macedônia, considerada quase bárbara pelos gregos do sul, tornou-se a maior potência de sua época e subjugou os povos que encontrou em seu caminho.

falange macedônia em formação
Semiperfil da falange macedônia. Créditos: autoria desconhecida.

Alexandre, o Grande, é inegavelmente considerado o maior comandante da Antiguidade e se encontra na disputa entre os maiores da História. Apesar de se mostrar violento em certas ocasiões, Alexandre era culto e parecia enxergar além. Foi educado pelo filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) e possuía um espírito indomável, ambicioso. Teria dito: “Nada é impossível para aquele que persiste” e partiu em busca do que almejava – o mundo.

Na vanguarda das tropas do homem que assumiu o poder aos 20 anos incompletos e conquistou o mundo conhecido antes dos 33 anos, lutou a revolucionária unidade militar. O maior desafio de Alexandre parece ter ocorrido na Índia, em 325 a.C., quando enfrentou – e derrotou – o exército do rei Poro que tanto se orgulhava dos seus 200 elefantes de guerra.

“O impacto das lanças da falange podia ser devastador, em especial contra uma infantaria armada de espadas, que não podia avançar pela floresta de pontas. A cavalaria não atacava uma unidade assim, pois os cavalos se desviavam da formação em ouriço.” (NEWARK, 2011, p. 39)

falange macedônia avançando
Frontal da falange. Créditos: Andrei Karatchouk.

ANATOMIA DA FALANGE MACEDÔNIA:

1 – Unidade básica: a speira (250 homens), que lutava em ordem cerrada (“um ao lado do outro”), com 16 fileiras (“filas indianas”) de profundidade. Na medida em que a falange avançava, as cinco primeiras unidades de cada fileira abaixavam suas lanças, que passavam cuidadosamente entre os homens, para atingir o inimigo. As demais lanças se mantinham erguidas e prontas para entrar no lugar das que caíssem (quando os soldados eram feridos ou mortos). As lanças erguidas também ajudavam a “amortecer” e desviar flechas inimigas.

2 – Principal arma: a sarissa (lança), que possuía aproximadamente 5,5 metros de comprimento. Para facilitar o manejo de tão longa arma, sua extremidade traseira era chumbada para facilitar o equilíbrio entre seus extremos. A sarissa foi a percursora do pique medieval anticavalaria.

3 – Equipamento: o phalangite possuía uma espada (kopis) de corte único e lâmina curva; protegia-se com um pequeno escudo (aspis) redondo feito de bronze/ferro e vestia uma couraça (“armadura”) feita de placas de metal sobrepostas, que protegia seu tronco e coxas. Em geral, usava um elmo com crista feito de bronze/metal.

4 – Principal formação: a falange costumava ser disposta na “diagonal” com blocos de lanceiros cobrindo uns aos outros em um ângulo relacionado ao do inimigo. A formação protegia do ataque pelos flancos e as “speiras dianteiras” serviam como uma âncora para o exército girar em torno.

REFERÊNCIAS:
CAWTHORNE, Nigel. Os 100 Maiores Líderes Militares da História. trad. Pedro Libânio. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
NEWARK, Tim. História Ilustrada da Guerra: Um estudo da evolução das armas e das táticas adotadas em conflitos, da Antiguidade à Guerra de Secessão dos Estados Unidos, no século XIX. trad. Carlos Matos. São Paulo: Publifolha, 2011.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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