Alexandre, o Grande, e a conquista do mundo

Alexandre o Grande com seu exército
Alexandre, o Grande, a frente de suas famosas falanges macedônicas. Créditos: autoria desconhecida.

O maior conquistador da Idade Antiga e influenciador de nomes como Júlio César, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, Alexandre, o Grande, guarda para si a reputação de imbatível em campo de batalha e criador do primeiro grande intercâmbio mundial, o Período Helenístico.

General aos 16 anos, rei aos 20, conquistador do império mais poderoso do mundo aos 26, morto aos 33 — Alexandre da Macedônia (conhecido como Iskander nas terras muçulmanas) se tornou um ícone de liderança nas lendas tanto do Oriente como do Ocidente” — William Weir (2009, p. 36)

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SUMÁRIO

1 Origem, infância e primeiros anos
2 Educação de Alexandre, o Grande
⠀⠀2.1 Filipe II ensina guerra e política a Alexandre
⠀⠀2.2 Aristóteles ensina filosofia e retórica a Alexandre
3 Exílio de Alexandre
4 Ascensão do Império da Macedônia
⠀⠀4.1 Decadência grega
⠀⠀4.2 Filipe II desejava (e precisava) do apoio grego
⠀⠀4.3 Batalha de Queroneia (338 a.C.)
5 Filipe II assassinado e Alexandre III rei da Macedônia
⠀⠀5.1 Andropodismo de Tebas
6 Exército de Alexandre, o Grande
7 Período Helenístico
8 Alexandre conquista a Pérsia
8.1 Batalha de Grânico
8.2 Fechando portos e libertando cidades no mar Egeu
8.3 Batalha de Isso
8.4 Cerco de Tiro
8.5 Alexandre faraó do Egito
8.6 Alexandre e Alexandria no Egito
8.7 Batalha de Gaugamela
9 Revoltas no exército
10 Campanha na Índia de Alexandre
10.1 Batalha de Hidaspes
10.2 Cultura, cobras, doenças e clima
11 Últimos anos de Alexandre, o Grande
12 Morte de Alexandre, o Grande
13 Pós-morte de Alexandre
Referências

1 ORIGEM, INFÂNCIA E PRIMEIROS ANOS

Nascido como Alexandre III na cidade de Pela em 356 a.C., era filho do astuto rei da Macedônia, Filipe II, e de Olímpia, uma princesa grega de Epiro. Sua data de nascimento exata não é sabida, mas se acredita que seja dia 20 de julho.

Umas das lendas a respeito do nascimento de Alexandre diz que Olímpia teria sido atingida por um raio na noite da consumação do casamento com Filipe, o que faria Alexandre ter origem divina por ser filho do deus do trovão, Zeus.

Outra curiosidade diz respeito a Filipe que, durante um sonho, teria se visto segurando o útero de Olímpia no qual o rei da Macedônia encontrou um leão gravado. Este fato é o gerador da suposta má-fama de Olímpia que estaria grávida antes do casamento. Contudo, também é mito (ao menos a parte de Filipe segurando o útero de Olímpia).

Importante dizer desde agora que o maior conquistador do mundo antigo nasceu como Alexandre III, mas se eternizou por méritos próprios como Alexandre Magno ou Alexandre, o Grande. Todos são termos “sinônimos” para a mesma pessoa.

2 EDUCAÇÃO DE ALEXANDRE, O GRANDE

Alexandre teve o privilégio de ser aluno de dois grandes nomes de sua época, um era o seu próprio pai, Filipe, e o outro era ninguém menos que um dos nomes mais influentes da história, o filósofo Aristóteles.

Filipe sabia do grande valor da educação e que se quisesse construir algo realmente grandioso (leia-se algo como um império duradouro), deveria zelar pela educação dos seus herdeiros, o que tinha justamente Alexandre no centro.

2.1 FILIPE II ENSINA GUERRA E POLÍTICA A ALEXANDRE

O rei Filipe era um visionário e exímio observador. Observou bem o movimento do mundo ao seu redor para compor um poderoso e versátil exército que Alexandre comandaria brilhantemente.

Duas grandes inspirações para a criação do moderno exército de Filipe II teriam sido as falanges gregas (vistas por muitos como o melhor exemplo de infantaria da época) e um grupo de mercenários que anos antes havia feito o maior estrago no império persa.

As falanges gregas eram notoriamente populares, principalmente depois das Guerras Médicas, quando os gregos expulsaram os persas após batalhas lendárias, como as de Maratona (490 a.C.) e Termópilas (480 a.C.).

Os mercenários, eternizados no livro Anábase de Xenofonte, ficaram conhecidos em A Retirada dos 10 Mil, que conta a extraordinária história do retorno de 10 mil mercenários gregos que acabaram presos dentro do maior império da época, o da Pérsia, após o seu contratante ser morto.

2.2 ARISTÓTELES ENSINA FILOSOFIA E RETÓRICA A ALEXANDRE

Filipe II convidou o já renomado filósofo grego Aristóteles para educar Alexandre aos 13 anos de idade. Aristóteles, entretanto, recebeu com reservas o pedido do rei que anos antes havia destruído a sua cidade natal, Estagira.

Aristóteles teria exigido a reconstrução da sua cidade natal e que todos os seus antigos cidadãos, que viraram escravos ou foram banidos, retornassem em liberdade. Felipe II prontamente aceitou a exigência e reconstruiu a cidade de Estagira. Aristóteles ficou satisfeito e prometeu dar a melhor educação a Alexandre.

Durante esses ensinamentos Alexandre aprendeu filosofia, retórica, medicina, geografia, artes e teria tido um profundo contato com a Ilíada, principalmente com as histórias do grande herói grego da Guerra de Troia, Aquiles. Olímpia, mãe de Alexandre, inclusive, também era uma grande e poderosa influenciadora nessa questão.

Essas influências teriam sido tão poderosas que Alexandre passou a dizer que era descendente do próprio semideus Aquiles.

Aristóteles ensinando Alexandre, o Grande
Créditos: Aristóteles ensinando Alexandre, de Jean Leon Gerome Ferris, 1895.

3 EXÍLIO DE ALEXANDRE

Alexandre e Filipe tiveram graves desentendimentos ao longo dos tempos, sem, entretanto, algo indicar que o rei algum dia quis deserdar o jovem príncipe da Macedônia que tanto se empenhava pra educar.

Em um dos maiores desentendimentos, talvez o maior, Alexandre fugiu da Macedônia com a sua mãe por recear represálias por parte dos generais do seu pai. Filipe II possuía várias esposas e havia se casado novamente com Cleópatra Eurídice, a jovem sobrinha de um importante nobre e general chamado Átalo.

Durante a bebedeira do casamento, Átalo, embriagado, teria exaltado que Filipe tivesse um herdeiro puramente macedônico, já que Olímpia era grega (havia nascido na cidade de Epiro). Esse fato teria revoltado Alexandre que por vezes era ridicularizado devido à origem grega de sua mãe.

Alexandre teria arremessado sua caneca de bebida na cabeça de Átalo, sendo repreendido por Filipe II, que também se encontrava embriagado (embriaguez, briga e às vezes morte na corte da Macedônia pareciam ser bem comuns).

De acordo com Plutarco, Filipe, para repreender Alexandre, teria tentado ir até perto do jovem, mas tropeçou e caiu bêbado no chão, no que prontamente Alexandre teria proferido uma de suas ofensas mais famosas:

Vejam! Este é o homem que se prepara para sair da Europa e invadir a Ásia, mas que não consegue passar de um assento para o outro” — Plutarco.

Filipe teria ficado furioso e ambos passaram meses afastados até Alexandre voltar para casa depois intermediação de Demarato de Coríntio, um importante convidado da corte de Filipe.

4 ASCENSÃO DO IMPÉRIO DA MACEDÔNIA

À época em que a Macedônia se preparava para lançar sua campanha de conquistas e Alexandre ainda nem existia, a Grécia já vivia um período de profunda decadência e isso contrariava os planos de Filipe II.

Apesar dos gregos considerarem os macedônicos quase bárbaros e existir uma alguma rivalidade, Filipe desejava reunir ambos os lados sob a mesma bandeira (a sua).

4.1 Decadência grega

Após a expulsão dos persas no século anterior, os gregos começaram a brigar entre si pela liderança das pólis, o que tempos depois favoreceria a conquista da Grécia pela Macedônia.

Após as Guerras Greco-Pérsicas (de aproximadamente 500 a.C. a 449 a.C.), as pólis gregas entraram “guerra civil” onde Atenas e Esparta, cada uma com um aglomerado de cidades-estados aliadas, enfrentaram-se por quase 30 anos e após isso o poderio grego nunca mais seria o mesmo.

4.2 Filipe II desejava (e precisava) do apoio grego

Filipe II, da Macedônia, tinha excelentes técnicas militares e objetivava submeter os persas ao seu domínio, mas necessitava de muitos soldados, marinha, suprimentos e estabilidade na sua terra natal para invadir o maior império da época.

O apoio dos gregos à Macedônia era importante, mesmo com as pólis se encontrando em decadência e marasmo, quando não em guerra entre si. A pacificação da Grécia era fundamental para a invasão da Pérsia.

Uma Grécia unida representava união de interesses e até vingança contra os persas que em uma de suas invasões chegaram a atear fogo na cidade de Atenas. Porém, se desunida, a Grécia seria presa fácil para novas invasões do império inimigo.

4.3 Batalha de Queroneia (338 a.C.)

Como de costume, os gregos ficaram divididos entre apoiar e não apoiar Filipe II em meio a um mar de intrigas, conspirações e reviravoltas. Os que não apoiaram foram submetidos pela força do moderno exército macedônico.

Um dos mais importantes e decisivos combates aconteceu na vitória da Macedônia sobre atenienses e tebanos na Batalha de Queroneia, onde Alexandre, com apenas 16 anos de idade, comandou com bravura o flanco esquerdo do exército do pai.

Alexandre, comandando a Cavalaria, brilhou ao destruir completamente a elite de hoplitas de Tebas, a Banda Sagrada Tebana.

Com a vitória em Queroneia, além de mostrar a clara superioridade do exército macedônico, estava selado o apoio da maioria das cidades gregas a Filipe (só Esparta não compôs a aliança).

5 FILIPE II ASSASSINADO E ALEXANDRE III REI DA MACEDÔNIA

Em 336 a.C. o rei Felipe II foi assassinado por um dos seus guarda-costas. Não se sabe quem teria sido o mandante ou mesmo se o assassino tinha seus próprios motivos, visto que o traidor foi rapidamente perseguido e morto (talvez como queima de arquivo).

O assassinato do pai despertou uma grande revolta em Alexandre que ordenou uma devassa e a execução de possíveis traidores, incluindo muitos familiares. Opositores ao seu reinado, como o general Átalo, foram os primeiros a serem executados.

Alexandre, agora com apenas 20 anos de idade, era rei do emergente Império da Macedônia.

5.1 Andropodismo de Tebas

Após a morte de Filipe, muito se duvidou da capacidade de Alexandre em liderar, ainda que fosse carismático e já tenha se mostrado em diversas batalhas um grande comandante.

A pólis de Tebas, que já se opunha ao domínio da Macedônia, rebelou-se e foi severamente punida. Alexandre, após vencer mais uma vez os tebanos, puniu de modo brutal a cidade que deixou de existir:

Decretou-se uma variedade grega de represália, conhecida como antropodismos, pela qual os edifícios deviam ser trazidos abaixo, os habitantes escravizados e o território dividido entre os vitoriosos. As demais cidades-Estados ficaram estarrecidas com a severidade da sentença” (GILBERT, 2005, p.21

território macedônico na morte de Filipe II
Mapa da emergente Macedônia à época do assassinato do rei Filipe II. Créditos: Marsyas / Wiki Commons.

PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO DESTA MATÉRIA: 30/MARÇO.

Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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