Jesuítas e o início da História da Educação no Brasil

jesuítas catequizando indígenas
Os jesuítas se notabilizaram pela criação do ensino no Brasil, sendo também os responsáveis pela catequização dos indígenas. Créditos: “Na Cabana de Pindobuçu”, de Benedito Calixto de Jesus / Montagem: Eudes Bezerra.

 Os jesuítas se notabilizaram pela criação do ensino no Brasil, sendo também os responsáveis pela catequização dos indígenas. Pertencentes à Companhia de Jesus, foram de grande importância para a Igreja Católica.

Quando o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, chegou ao Brasil em 1549, veio acompanhado por diversos jesuítas encabeçados por Manuel de Nóbrega.

Apenas quinze dias depois, os missionários já faziam funcionar, na recém-fundada cidade de Salvador, uma escola de “ler e escrever”.

Era o início do processo de criação de escolas elementares, secundárias, seminários e missões, espalhados pelo Brasil até o ano de 1759, ocasião em que os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal. (ARANHA, 2006, p. 226)

Boa leitura!

TÓPICOS DOS JESUÍTAS NO BRASIL

1. Quem são os Jesuítas?
2. Chegada dos Jesuítas ao Brasil (1549)
3. Catequese dos jesuítas
4. Disputas entre jesuítas e colonos
5. Escolas jesuítas
6. Expulsão dos jesuítas do Brasil
Referências

1. QUEM SÃO OS JESUÍTAS?

Criada pelo padre Inácio de Loyola no ano de 1534, a Companhia de Jesus

recebeu um caráter especial do papado em virtude da Contrarreforma que visava difundir o Catolicismo frente aos avanços da Reforma Protestante.

A Reforma Protestante – assim como o Renascimento Cultural – geraram grandes questionamentos à Igreja Católica que incumbiu aos Jesuítas da tarefa de angariar novos seguidores nas colônias, sobretudo portuguesas e espanholas (países fervorosamente católicos).

Assim, através da catequese, os padres jesuítas buscaram difundir o Catolicismo contra as religiões protestantes que foram surgindo, como a Luterana, Anglicana e Calvinista.

jesuítas e indígenas
Os jesuítas focaram nas crianças ameríndias visto que os adultos eram muito mais resistentes à catequese. Créditos: “Na Cabana de Pindobuçu”, de Benedito Calixto de Jesus.

2. CHEGADA DOS JESUÍTAS AO BRASIL (1549)

A história da educação no Brasil tem seu início realizado pelos jesuítas a partir do ano de 1549, durante o Governo-Geral sob o comando do governador Tomé de Souza.

Os objetivos da Companhia de Jesus, mais conhecida pelo nome de seus membros, os jesuítas, estavam incumbidos da catequização e aculturação dos indígenas nas colônias europeias.

A Igreja Católica havia sofrido uma grande perda de seguidores após a Reforma Protestante, gerando a Contrarreforma que entre os seus objetivos estavam a propagação dos dogmas católicos mundo afora.

No Brasil, os jesuítas tiveram grandes dificuldades de adaptação por causa do clima totalmente diferente do europeu e por conta da resistência dos nativos, que quanto mais velhos eram mais difíceis de serem convertidos.

A língua também era um entrave que inicialmente foi resolvido através de uma mistura para facilitar a comunicação e o ensino entre europeus e ameríndios.

3. CATEQUESE DOS JESUÍTAS

A catequese era o modo pelo qual os jesuítas buscavam “reeducar” os indígenas, apagando sua cultura milenar por acreditar no atraso dessas sociedades, livrando seus pecados e salvando sua alma.

As crianças se tornaram os principais objetivos devido a sua pouca experiência de vida e os jesuítas se estreitavam seus laços com os caciques para cativar e conseguir mais curumins (crianças indígenas).

Aprendiam a ler e escrever, de modo que peças teatros, danças e cânticos eram ensinados, como amplamente realizado pelo Padre Anchieta.

o jesuíta padre anchieta
O padre Anchieta se destacou na educação jesuítica no Brasil, utilizando  a dramaturgia para envolver as crianças indígenas. Créditos: Oscar Pereira da Silva.

Buscava-se também desmitificar a ideia do pajé (líder espiritual indígena) em prol da imagem dos jesuítas, visto que era um processo de colonização.

Dessa forma, os nativos deveriam cada vez mais incorporar os valores europeus, principalmente os portugueses que não permitiam valores de outras coroas dentro de seus domínios.

Desse modo, os missionários acreditavam estar prestando um serviço civilizatório, ao retirar os nativos da “ociosidade”, da “preguiça”, da “indisciplina e da “desorganização”.

Introduziram regras de higiene, maneiras de comer, condenaram a antropofagia, a embriaguez, o adultério.

Lutaram também contra a nudez, suprimindo aos poucos os adornos considerados “deformadores” e definindo uma “geografia do corpo”, segundo a qual partes que poderiam ser mostradas e outras a serem cobertas” (ARANHA, 2006, p 229)

Com isso, ao longo de pouco mais de dois séculos, os jesuítas conseguiram desbaratar a tradição indígena, substituindo desde os pequenos hábitos.

Na educação jesuíta, castigos severos também eram aplicados e em praça pública para que se tornassem exemplo para todos.

4. DISPUTAS ENTRE JESUÍTAS E COLONOS

Os jesuítas e os colonos frequentemente entravam em disputas devido à proteção que os membros da Igreja Católica forneciam aos indígenas, mesmo com a implementação do tráfico negreiro.

A escravização do indígena acabou por ser proibida pela Coroa portuguesa devido a sua resistência e falta de manejo com a terra, o que acabou gerando os termos pejorativos de “preguiçosos” e “ociosos”.

Os indígenas eram nômades ou seminômades, diferentemente dos africanos escravizados que estavam bem familiarizados como a agricultura e o pastoreio.

Em dado momento, durante o início do Governo-Geral, a escravização de indígenas foi proibida, exceto pelas chamadas “guerras justas” – um termo eufemista para se continuar a escravizar indígenas que se encontravam livres e longe dos núcleos dos jesuítas.

5. ESCOLAS JESUÍTAS

Os jesuítas fundaram diversas instituições de ensino no Brasil Colônia, que também estavam montadas para sustento próprio e comércio a partir da agricultura e pastoreio.

Ao todo, os jesuítas, antes de sua expulsão, teriam deixado:

  • 25 colégios;
  • 36 missões; e
  • 17 faculdade e seminários.

Essas faculdades não eram o que pensamos hoje, sendo a primeira faculdade no ano de 1808 – mesmo ano da chegada da família real portuguesa e grande parte de sua corte ao Brasil).

6. EXPULSÃO DOS JESUÍTAS DO BRASIL

Os jesuítas foram expulsos do Brasil em 28 de junho de 1759 por ocasião das Reformas Pombalinas realizadas pelo Marquês de Pombal.

O Marquês de Pombal, embora anteriormente próximo aos jesuítas, começou a enxergá-los como gargalos no processo a ser implementado tanto na própria metrópole (Portugal) quando em suas colônias.

Ocorria que os Jesuítas não se reportavam à Coroa lusitana, mas ao papado. Desse modo, parecia existir um Estado paralelo dentro do próprio Estado português, estando a Coroa não disposta mais a tolerar a interferência dos Jesuítas.

A educação jesuítica também era tida como uma forma de ensino já considerada ultrapassada na Europa, devido aos ventos do Iluminismo.

As Reformas Pombalinas consubstanciaram a segunda medida na história da educação brasileira, tendo como traços distintivos:

  • A gratuidade do ensino;
  • A instituição do subsídio literários para custear o sistema de ensino; e a
  • A licença-docente na qual se preparava professores para a atividade pedagógica (ainda que esse termo ainda não existisse com o atual significado).

Também é importante ressaltar que, devido à expulsão da Companhia de Jesus do Brasil, a colônia ficou praticamente sem professores para a educação, a qual só mudaria com a chegada da família real em 1808.

expulsão dos jesuítas e as reformas pombalinas
O Marquês de Pombal, com as chamadas Reformas Pombalinas, notabilizou-se pelas grandes mudanças realizadas a mando do rei de Portugal, D. José I, nas quais entre as principais estava a expulsão dos Jesuítas e a implementação de um novo sistema de ensino. Créditos: Louis-Michel van Loo e Claude Joseph Vernet / Museu de Lisboa, Portugal.

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REFERÊNCIA(S):

BOTO, Carlota. Reforma Pombalina – 28 de junho de 1759. In.: BITTENCOURT, Circe (org.). Dicionário de datas da História do Brasil. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2012.
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
FAUSTO, Boris; FAUSTO, Sérgio (colab). História do Brasil. 14ª ed. atual. e ampl., 2º reimpr. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2015.
MICELI, Paulo. História Moderna. 4ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 3. ed., 9ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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