Período Homérico, Grécia Antiga

período homérico
O período Homérico é o segundo momento de formação da Grécia Antiga e o seu nome decorre do poeta Homero, criador da Ilíada (Guerra de Troia) e Odisseia (Retorno de Odisseu após a Guerra de Troia). Créditos: Giovanni Domenico Tiepolo / Galeria Nacional, Inglaterra.

O período Homérico corresponde ao segundo momento de formação da Grécia Antiga e tem o seu nome diretamente associado ao poeta grego Homero, criador de dois clássicos ocidentais: a Ilíada e a Odisseia.

 Boa leitura!

TÓPICOS DO PERÍODO HOMÉRICO

1. O que é o período Homérico?
2. Como funcionavam os genos na Grécia Antiga?
3. Como ocorreu a decadência dos genos?
4. Como acontece a reestruturação social no Período Homérico?
5. Por que período Homérico?
6. O que marca a transição do período Homérico para o Arcaico?
Referências

1. O QUE É O PERÍODO HOMÉRICO?

O Período Homérico representa a segunda fase da formação da Grécia Antiga e tem a sua cronologia imprecisa por conta da ausência de registros, principalmente os escritos. No entanto, há de se situar habitualmente entre 1100–800 a.C.

O nome do período, como se imagina, recai sobre o poeta grego Homero, autor dos maiores poemas sobre a época e clássicos da literatura mundial (a Ilíada e a Odisseia).

O período é precedido pela invasão dos povos dórios e a consequente Primeira Diáspora Grega, do Período Pré-Homérico.

Após os eventos acima, os gregos se reestruturaram e formaram os genos, o sistema gentílico, no qual a propriedade rural era cultivada por todos os membros.

Os genos representaram uma sociedade marcada pelo isolamento e autossuficiência de recursos, na qual era formada basicamente como uma grande família tendo por isso a gestão familiar no seu centro.

O pater era a autoridade máxima e a ele se concentravam os poderes políticos, militares e religiosos.

Assim, os genos compunham uma sociedade patriarcal, onde os membros compartilham laços consanguíneos.

2. COMO FUNCIONAVAM OS GENOS NA GRÉCIA ANTIGA?

Em essência, a economia dos genos era agropastoril, dependendo basicamente da disponibilidade e qualidade das terras que se encontravam sob a posse de uma família.

Não havia exatamente um proprietário, então a riqueza da terra era dividida entre os membros.

Da mesma forma, as tarefas diárias eram divididas entre todos não havendo ninguém de maior ou menor importância nessa questão — mas se lembre do campo político que era ocupado pelo pater.

Conforme os genos produziam excedentes, essa riqueza era utilizada na compra de escravos e na contratação de artesãos. Porém, com o tempo, os genos começaram a não mais sustentar toda a população, gerando a escassez de gêneros alimentícios.

As técnicas agrícolas empregadas eram pouco desenvolvidas, o solo por si só era pouco fértil e tudo isso não permitia acompanhar a velocidade com que as comunidades gregas cresciam.

O uso de terras menos férteis, o aumento da mão de obra e a especialização do trabalho foram usados para reduzir o ritmo do problema que surgia, mas sem conseguir frear de vez a decadência do sistema gentílico.

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Se por um lado, o relevo montanhoso da Grécia oferecia barreiras naturais contra invasores, por outro não favorecia a produção agrícola, o que agravou o sistema gentílico no período homérico. Créditos: Chris Burkard.

3. COMO OCORREU A DECADÊNCIA DOS GENOS?

Com graves problemas de produtividade, ocorreu uma diminuição dos recursos das comunidades e os parentes mais distantes do pater, que se encontravam em desvantagem aos mais próximos, reivindicaram melhores condições.

Os líderes continuaram a distribuir os bens — fruto do trabalho de todos — progressivamente, mas ainda de forma desequilibrada, sendo os membros mais próximos do pater privilegiados com as melhores terras, por exemplo.

Assim como a maresia que corrói a estrutura de ferro ao longo do tempo, o prejuízo dos familiares mais distantes corrompeu toda a estrutura, o que consequente desintegrou as comunidades gentílicas.

Da decadência dos genos, decorreu a Segunda Diáspora Grega, quando os desfavorecidos migraram para outras áreas, como a península Balcânica e a Ásia Menor.

Paralelamente a isso, o favorecimento também foi gerando instituições políticas oligárquicas controladas pela aristocracia rural, que definiria o rumo da Grécia Antiga nos próximos séculos.

período homérico e oligarquias
Enquanto as comunidades gentílicas ruíam e causavam êxodos, uma pequena parte beneficiada acabaria se tornando os “bem-nascidos” — os grandes proprietários de terras férteis que absorviam os menores, gerando a propriedade privada. Créditos: autoria desconhecida.

4. COMO ACONTECEU A REESTRUTURAÇÃO SOCIAL NO PERÍODO HOMÉRICO?

Como já vimos, as famílias acabaram por restringir o número de parentes próximos, tendo os descendentes diretos do pater recebido as melhores terras da comunidade.

Assim, formou-se naturalmente uma aristocracia rural montada em cima do controle das terras mais valiosas (em detrimentos das menos ou nada férteis e seus infelizes “proprietários”).

Tudo isso levou ao emblemático surgimento da propriedade privada e de uma estrutura social muito mais complexa, gerando os status dos “membros” da sociedade:

  • Eupátridas (“bem-nascidos”);
  • Georgóis (“agricultores”); e
  • Thetas (“marginais”).

Obviamente, os eupátridas possuíam o maior poder político de todos e o utilizavam para controlar de forma geral todas as instituições (políticas e religiosas), o comércio, o exército etc.

Os eupátridas se uniram a outros eupátridas alinhados com o mesmo pensamento (ideias e poder) para aumentar e assegurar o controle sobre amplas áreas, fortalecendo essa classe política ainda mais.

Isso levou ao surgimento das fratrias gregas que nada mais eram que a união de várias famílias poderosas (famílias antigas e beneficiadas lá atrás).

Por sua vez, as fratrias gregas se somaram com outras fratrias e originaram as tribos, que, quando também unidas a outras tribos, davam origem aos demos.

Assim, com toda essa organização/complexidade, as comunidades gentílicas finalmente desaparecem por completo, dando lugar à formação inicial das pólis gregas (cidades-Estado da Grécia Antiga), o que marca o início do Período Arcaico (e fim do Homérico).

5. POR QUE PERÍODO HOMÉRICO?

Tradicionalmente, este período da Grécia Antiga é chamado de Período Homérico por conta do poeta Homero e os seus poemas a Ilíada e a Odisseia.

Ocorre que Homero é comumente associado aos primeiros registros escritos com datação histórica da Grécia Antiga. Antes, a tradição oral era ampla e por isso a imprecisão em conhecer os primeiros períodos da história grega.

Enquanto que a ilíada aborda a Guerra de Troia (Troia também era chamada Ílion, por isso o nome Ilíada), a Odisseia corresponde às aventuras e aos infortúnios do herói grego Odisseu (Ulisses) em seu longo retorno a Ítaca e a Penélope, sua amada esposa.

No entanto, há uma grande consideração a ser feita: o poeta Homero viveu séculos após os eventos por ele narrados (e atribuídos), de modo que existem diversas variações de interpretação entre os especialistas do tema.

período homérico e a arqueologia máscaras de agamenon
Em virtude da busca por fatos comprováveis, a arqueologia tem desempenhado papel fundamental para a reconstrução e o consequente encaixe de peças da história da Grécia Antiga. Créditos: Máscara do rei Agamenon, autoria desconhecida / Museu Arqueológico Nacional de Atenas, Grécia.

6. O QUE MARCA A TRANSIÇÃO DO PERÍODO HOMÉRICO PARA O ARCAICO?

Acima de tudo, a transição do Período Homérico para o Arcaico é o início da formação das pólis gregas em decorrência da decadência do sistema gentílico.

Após as comunidades gentílicas, surgiram as poleis ou pólis, no singular, e que teriam o seu apogeu no Período Clássico.

Acerca das pólis, cada uma representava um Estado independente, tendo os seus próprios códigos de leis e governos, ainda que fossem bem parecidas em diversos aspectos.

Todos os cidadãos tinham o direito de intervir nos assuntos públicos. Porém, antes da democracia ateniense, só eram considerados cidadãos os aristocratas da época (mulheres e estrangeiros abastados, por exemplo, nunca alcançaram a cidadania).

Com a organização da pólis independente e uma melhor estruturação da sociedade como um todo, ocorreu um crescimento populacional em toda a região grega, sendo ocupadas várias terras ao longo do Mar Mediterrâneo.

Assim como a metalurgia e o uso de moedas, o comércio marítimo voltou a desempenhar papel importante, como na compra de produtos agrícolas.

Dessa forma, encerrou-se o Período Homérico, surgindo o Arcaico (o período pré-clássico).

REFERÊNCIA(S):

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6 ed., 4ª reim. São Paulo: Contexto, 2021.
GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica I: História da Grécia. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1972.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
WOOLF, Alex. Uma nova história do mundo. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2014.

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PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: período homérico, período arcaico, sistema gentílico, genos, tribos, fratias, demos, Grécia antiga, Homero, Ilíada, Odisseia.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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