Período Pré-Homérico ou Creto-Micênica, Grécia Antiga

período pré-homerico máscara de agamenon
O Período Pré-Homérico, ou Creto-Micênico, representa a formação da Grécia Antiga com destaque para as sociedades cretense e micênica. Créditos: autoria desconhecida / Máscara de Agamenon, Museu Arqueológico Nacional de Atenas, Grécia / Montagem: Eudes Bezerra.

O Período Pré-Homérico se trata da formação da Grécia Antiga e abrange cerca de 800 anos. O Período também é conhecido como Creto-Micênico e se destaca pela existência das sociedades cretense e micênica.

“[…] Entre 3000 e 1100 a.C., três culturas prosperaram: a cicládica nas Cícladas, arquipélago no sul do mar Egeu; a cultura minoica, centrada na ilha de Creta; e a micênica, na Grécia continental.

Depois de descobrir como fazer bronze, os povos egeus se tornaram habilíssimos na arquitetura, pintura, escultura, cerâmica e em outros ofícios.

Construíram palácios magníficos, desenvolveram sistemas de escrita e lançaram as bases da civilização posterior da Grécia clássica. (WOOLF, 2014, p. 50)

Boa leitura!

TÓPICOS DO PERÍODO PRÉ-HOMÉRICO

1. O que é o período Pré-Homérico?
2. Como é formada a civilização dos cretenses?
3. Como ocorre a decadência da sociedade cretense?
4. Como é formada a civilização dos micênicos?
5. Como ocorre a decadência da sociedade micênica?
6. Como termina o período Pré-Homérico?
Referências

Para efeitos didáticos, abaixo se encontram os 5 períodos da Grécia Antiga em ordem de sucessão:

  1. Período Pré-Homérico;
  2. Período Homérico;
  3. Período Arcaico;
  4. Período Clássico; e
  5. Período Helenístico.

1. O QUE É O PERÍODO PRÉ-HOMÉRICO?

O período Pré-Homérico se trata do estágio mais primitivo da formação da Grécia Antiga e se encontra estabelecida cronologicamente entre 2000-1200 a.C..

Esse período corresponde à formação do povo grego a partir de duas grandes civilizações na região com a adição de outros importantes povos.

As duas grandes civilizações supramencionadas são a sociedade cretense, um povo também conhecido como minoico, e os micênicos, também conhecidos como aqueus.

Posteriormente, outros povos migraram de outras regiões chegando à Grécia, eram os jônios, eólios e dórios.

Dessa forma, esse período se trata da fase de povoamento do território grego (que viria a ser conhecido como Grécia).

Os aqueus foram os primeiros a chegar e dominar parte dos povos que habitavam esse território (Hélade), destacando-se grandemente a cidade de Micenas.

Já o fim desse período da Grécia Antiga é marcado por desastres naturais e pela chegada dos dórios, um povo indo-europeu de capacidade militar muito superior.

A invasão dos dórios marca a diminuição populacional sofrida na região, quando ocorreu grande fuga populacional, o que ainda caracteriza parte do Período Homérico, o segundo estágio de formação da Grécia Antiga.

Devido às fugas, houve isolamentos, o que acabou gerando a ruralização dos territórios gregos, surgindo a genos (unidade social e agrícola).

A genos, ou sistema gentílico, acabaria por desencadear uma sociedade mais complexa — levando ao surgimento da pólis durante o Período Arcaico, o terceiro estágio de formação da Grécia Antiga.

período pré-homérico chegada dos dórios espartanos
A chegada dos dórios — antepassados dos espartanos! — representou um furacão de mudanças na Grécia, ocasionando a Primeira Diáspora Grega. Créditos: autoria desconhecida.

2. COMO É FORMADA A CIVILIZAÇÃO DOS CRETENSES?

Acredita-se que os cretenses formaram a sua civilização na Ilha de Creta, no Mar Egeu, a partir do ano 2000 a.C..

Essa ilha já apresentava agrupamentos humanos há 9000 anos, mas os povos com as características dos minoicos só se estabeleceram por volta de 2.000 a.C.

Os minoicos, que se acredita que tenham migrado originalmente da Anatólia (atual Turquia), têm esse nome em referência ao lendário rei de Creta, Minos, o “pai” do mitológico minotauro.

Os cretenses (minoicos) eram hábeis construtores e ergueram palácios deslumbrantes nas regiões litorâneas, sendo o maior deles o Palácio de Cnossos.

Nessa região, a sociedade cretense concentrou a sua vida administrativa, econômica e religiosa. Retiravam o seu sustento do comércio marítimo, o que tornou os cretenses ótimos navegantes e comerciantes.

Vivendo com o mar, acabaram formando um sistema político conhecido como talassocracia, onde o poder dos governantes ocorre no contexto do poderio marítimo (como acontecia com os fenícios).

período pré-homérico Palácio de Cnossos
O Palácio de Cnossos, com sua imensidão e complexidade, teria servido de inspiração para a criação de um dos mais famosos mitos gregos: o Labirinto do Minotauro.  Créditos: autoria desconhecida.

3. COMO OCORRE A DECADÊNCIA DA SOCIEDADE CRETENSE?

É entendido que o enfraquecimento dessa civilização ocorreu a partir de 1600-1500 a.C, aproximadamente.

Os fatores não são bem definidos, podendo ser os desastres naturais (terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas) e o fortalecimento dos micênicos.

Assim, são por vezes apontados os desastres naturais com a posterior invasão dos micênicos. Porém, nada se tem de conclusivo a respeito.

Nesse ponto é imprescindível o trabalho da Arqueologia. O resgate dessa parte da história da Grécia tem ocorrido a partir da restauração de afrescos (pinturas em paredes, piso, tetos…).

Os afrescos, inclusive, formam a principal fonte de informação sobre os cretenses, já que sua escrita, a Linear A, ainda não teria sido decifrada.

Além disso, outros objetos encontrados sob as ruínas ajudam no entendimento desse povo Pré-Homérico.

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Ruínas do Palácio de Cnossos (ou Knossos), Creta, Grécia. Créditos: Bernard Gagnon, 2011.

4. COMO É FORMADA A CIVILIZAÇÃO DOS MICÊNICOS?

Os micênicos se tratam de um povo indo-europeu — provavelmente originários da região do Cáucaso — que se estabeleceram na Grécia continental próximo do ano 2000 a.C.

A partir de 1600 a.C., iniciaram um período de grande dominação na história da Grécia.

Diferente dos cretenses, os micênicos desenvolveram cidades bastante fortificadas e uma cultura militarista.

Suas principais cidades eram Tirinto, Argos e Micenas, onde se concentrava a cúpula de poder, sendo o centro político e o comercial.

Os micênicos, também conhecidos como aqueus, mantinham laços comerciais com regiões distantes, como o Egito e a Mesopotâmia.

A sua principal figura política de poder era o rei, que era auxiliado por uma elite guerreira e os sacerdotes.

Como civilização belicosa, os micênicos foram conquistando diversos locais aos poucos acabando por invadir a cidade de Cnossos, conquistando toda a ilha de Creta.

Também teriam derrotado a quase mítica cidade de Troia — há inúmeras informações e especulações que se embaraçam quanto à Guerra de Troia, sendo este um assunto para outro momento em virtude das tantas discórdias.

O evento — a conquista de Creta — marca o início da civilização creto-micênica, que já começaria a se misturar e a lançar as bases da futura Grécia como a conhecemos atualmente.

Depois, os aqueus foram se mesclando com outros povos, como os jônios e eólios, com os quais mantiveram relações pacíficas e duradouras.

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A Máscara de Agamenon, possivelmente o rei micênico mais conhecido da atualidade devido aos cinemas, como no filme Troia (EUA, UK, MT; Petersen; 2004). Créditos: autoria desconhecida / Museu Arqueológico Nacional de Atenas, Grécia.

5. COMO OCORRE A DECADÊNCIA DA SOCIEDADE MICÊNICA?

Por volta de 1200 a 1100 a.C., surgiram os dórios, que eram um povo também de tradição belicosa e militar, mas com poderio superior — os mesmos que originaram os espartanos, daí já se tira o nível de guerra dos dórios.

Os dórios possuíam melhores estratégias militares e o domínio sobre os metais, como o ferro, ao passo em que os aqueus ainda se encontravam sob o frágil domínio do bronze e do cobre.

Invadindo e destruindo furiosamente inúmeras cidades da região da Hélade na Grécia Continental, os dórios impuseram grande temor, o que fez com que muitos abandonassem a região ocasionando a chamada Primeira Diáspora Grega.

Outro motivo para a decadência dos micênicos foram também os desastres naturais, que acabaram levando ao enfraquecimento e empobrecimento da região. Com isso, ocorreu uma diminuição populacional na região da Grécia Antiga.

A história dos micênicos é bastante revelada através da sua forma de escrita, a Linear B, que foi parcialmente decifrada. Foi através de sua escrita, inclusive, que se descobriu que os micênicos também se referenciavam como aqueus.

6. COMO TERMINA O PERÍODO PRÉ-HOMÉRICO?

Dentro da formação da Grécia Antiga, o desaparecimento dos micênicos e a chegada dos dórios se relacionam diretamente com a diminuição populacional. Isso também acaba caracterizando parte de outro período, o Período Homérico.

Já a forte ruralização dos territórios gregos, que levaram à formação da genos, que posteriormente levaria ao surgimento da pólis (cidades-Estados), caracteriza o período Arcaico.

Porém, o que se pode definir como a virada do período Pré-Homérico para o Homérico é a Primeira Diáspora Grega, como já bem detalhado acima.

Por outro lado, essa migração acabou por favorecer a formação de várias colônias gregas que se tornariam efervescentes cidades-Estados, como Mileto, Éfeso e Halicarnasso.

Ainda, outras localidades se tornaram colônias: apoika (lar distante) ou empórion (ponto comercial).

REFERÊNCIA(S):

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6 ed., 4ª reim. São Paulo: Contexto, 2021.

GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica I: História da Grécia. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1972.

VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.

WOOLF, Alex. Uma nova história do mundo. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2014.

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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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