Plano Schlieffen, Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

O Plano Schlieffen da primeira guerra mundial
O Plano Schlieffen objetivava uma rápida vitória da Alemanha, mesmo lutando em duas frentes durante a Primeira Guerra Mundial. Créditos: / Fotomontagem: Eudes Bezerra.

O Plano Schlieffen, que surgiu de um memorando, serviu de base para a construção de um grande plano de guerra para que a Alemanha conseguisse lutar em duas frentes: contra a França na ocidental e contra a Rússia na oriental.

TÓPICOS SOBRE O PLANO SCHLIEFFEN

1. O que foi o Plano Schlieffen
2. Objetivo do Plano Schlieffen
3. Plano Schlieffen original e o modificado por Moltke
⠀⠀3.1 A ideia de Schlieffen
⠀⠀3.2 O Plano Moltke (ou Plano Schlieffen-Moltke)
4. Ajustes recorrentes no plano alemão
5. Plano Schlieffen-Moltke falha: o início a Guerra de Trincheiras
Referências

1. O QUE FOI O PLANO SCHLIEFFEN

O Plano Schlieffen foi o plano-base de ataque do Império da Alemanha, para a guerra que hoje é conhecida como a Primeira Guerra Mundial (1914–1918).

A sua ideia remonta o século XIX, quando era previsto que em algum momento uma nova guerra aconteceria contra a França e seus aliados.

O plano em si só começou a ser profundamente elaborado a partir de um memorando de 1905 do Marechal de Campo Alfred von Schlieffen (por isso o nome do plano).

O aprofundamento do plano foi realizado pelo general Helmuth von Moltke, que inverteu grande parte das ideias do Plano Schlieffen original, embora tenha usado o memorando como base.

Não se sabe muito acerca do memorando de Schlieffen, visto que se trata de apenas um memorando quando Schlieffen deixou o cargo. Cargo este que acabou ocupado por Moltke.

Schlieffen e Moltke acreditavam profundamente na possibilidade de que a Alemanha lutaria em duas frentes de combate, por isso a continuação do plano, ainda que com modificações significativas de estratégia.

A ideia do Plano Schlieffen original
A ideia do Plano (memorando) Schlieffen original, mostrando a intensidade de ataques pela ala norte em uma manobra de flanqueamento contra o flanco direito e a retaguarda do exército francês. Créditos: autoria desconhecida.

2. OBJETIVO DO PLANO SCHLIEFFEN

O principal objetivo era arrebatar uma rápida vitória sobre os franceses, de modo que a guerra na Frente Ocidental fosse curta.

Uma vez finalizada, os exércitos alemães poderiam ser remanejados para outras posições.

Seriam remanejados da Frente Ocidental para Frente Oriental para lutar contra os russos (aliados dos franceses e posteriormente ingleses).

A Alemanha também poderia auxiliar com facilidade seus aliados austro-húngaros em eventuais disputas contra os sérvios e outros nos Balcãs, o chamado “barril de pólvora da Europa”.

Marechal de Campo Alfred Graf von Schlieffen
O Marechal de Campo Alfred Graf von Schlieffen, autor da iniciativa do plano de guerra alemã. Créditos: autoria desconhecida.

3. PLANO SCHLIEFFEN ORIGINAL E O MODIFICADO POR MOLTKE

3.1 A ideia de Schlieffen

A ideia original previa a rápida concentração da maior parte do eficiente exército alemão na Frente Ocidental e se caracterizava por uma ação de flanco e eventual cerco de alvos importantes.

Desejava-se flanquear a França pela direita (ala norte) e conquistar ou imobilizar alvos importantes, como fortificações, linhas férreas, cidades estratégicas e centros logísticos franceses.

Schlieffen parecia compreender bem que a futura guerra — que alguma hora estouraria — iria impor à Alemanha a luta em duas frentes de batalha.

Por isso, a necessidade de uma guerra rápida na Frente Ocidental, onde se encontravam seus adversários mais fortes, a França e a Inglaterra.

Posteriormente, uma guerra contra o Império da Rússia e eventuais conflitos mais localizados.

Ou seja, Schilieffen pretendia vencer rapidamente os franceses (mais preparados) para posteriormente derrotar os russos (menos preparados).

soldados germânicos a caminho da primeira guerra mundial
Soldados germânicos confiantes em vagões de trens partindo para frente de batalha. A Maioria não retornaria viva (ou inteira) para casa. Créditos: autoria desconhecida.

3.2 O Plano Moltke (ou Plano Schlieffen-Moltke)

Diferentemente de Schlieffen, Moltke reduziu a quantidade de tropas na Frente Ocidental significativamente e também fragmentou o ataque nas porções centro-sul da França.

O Plano Schlieffen–Moltke visava a conquista de Paris ou algo muito perto disso para abrir as eventuais negociações diplomáticas de paz.

A base do memorando deixado por Schlieffen permaneceu. No entanto, não se sabe até onde influenciou Moltke em suas decisões estratégicas, uma vez que os planos sempre precisavam de ajustes.

Diferentemente do marechal Schlieffen que pretendia uma derrota total da França, Moltke defendia a ideia de criar uma linha fortificada de defesa nos países ocupados e negociações de paz.

Seu objetivo era estabelecer posições firmes na Frente Ocidental para se voltar e rapidamente vencer os russos.

Nesse meio tempo, esperava-se que a França ou aceitaria um cessar-fogo ou se mantivesse sem ter como transpor as fortificações alemãs.

Depois de vencida a Rússia, as tropas germânicas seriam remanejadas para Frente Ocidental, caso a França continuasse a insistir na guerra contra a Alemanha.

General Helmuth Johannes Ludwig von Moltke
O General Helmuth Johannes Ludwig von Moltke. Créditos: autoria desconhecida.

4. AJUSTES RECORRENTES NO PLANO ALEMÃO

Ajustes eram feitos de acordo com a evolução tecnológica de cada adversário, igualmente como o próprio avanço tecnológico.

Exemplo: da mesma forma que os alemães construíram inúmeras ferrovias para o uso civil e visando o transporte de tropas e suprimentos, os russos e franceses acabaram por fazer coisa parecida nas proximidades com a Alemanha.

Assim, reduzia-se o tempo de deslocamento de tropas e suprimentos dos adversários e por isso o plano alemão foi modificado diversas vezes somente nesse exemplo.

O exército alemão do kaiser Guilherme II, embora fosse o mais bem preparado da Europa, assim como industrialmente falando, eventualmente participaria de duas frentes de guerra e isso complicava as coisas.

Duas frentes de combate contra outras potências europeias.

Não, definitivamente, era uma tarefa fácil — para ninguém — traçar e atualizar um plano de combate tão complexo em uma Europa tão fragmentada.

5. PLANO SCHLIEFFEN-MOLTKE FALHA: O INÍCIO A GUERRA DE TRINCHEIRAS

Iniciada a guerra nos Balcãs com o império austro-húngaro invadindo a Sérvia e os russos declarando guerra aos austros-húngaros (a Sérvia era aliada e protegida dos russos).

Várias declarações se seguiram e a Alemanha declarou guerra à França, pondo o Plano Schlieffen–Moltke literalmente em marcha.

Contudo, o avanço alemão encontrou uma resistência inesperada na Bélgica, um país até então neutro e que após ser invadido foi apoiado pelos franceses.

Consequentemente, os britânicos que declararam guerra contra a Alemanha, visto que a Bélgica possuía certos vínculos com os ingleses.

Os germânicos, no entanto, conseguiram avançar bastante e se entrincheirar em solo estrangeiro, mas sem ter alcançado as proximidades de Paris, ainda que tenha chegado em determinado momento a cerca de 50km da capital francesa.

Nesse cenário, ambos os lados haviam perdido a iniciativa na guerra e a temida guerra de trincheiras começava a se formar.

Moltke analisando mapa da Batalha do Marne
Moltke analisando a Batalha do Marne, quando o avanço inicial alemão foi barrado no chamado Milagre do Marne. Créditos: Hippolyte Mailly.

No Frente Oriental, os austro-húngaros se mostravam ineficientes contra a Rússia, que inclusive invadiu a Prússia Oriental (Alemanha), o que levou os alemães ao seu encontro.

Após conter o avanço russo, os alemães revidaram massacrando as tropas do primo do imperador alemão, o czar Nicolau II, com direito a Lênin infiltrado na Rússia (vídeo nosso no Youtube de apenas 2 minutinhos).

A Rússia acabou por capitular em 1917, quando teve início a Revolução Russa.

A saída da Rússia da guerra comprovou os planos de Schlieffen e Moltke sobre a capacidade de luta limitada e defasada do Império da Rússia, que ainda se encontrava imersa em inúmeros levantes e revoltas internas.

No entanto, na Frente Ocidental, a guerra seria extremamente custosa para ambos os lados.

Com a entrada dos Estados Unidos no final da guerra, os planos alemães simplesmente não fariam mais efeito, visto que os seus aliados já estavam desgastados ou fora do jogo.

Naquele momento, era impossível a Alemanha vencer a guerra contra tantas potências, principalmente a mais industrializada do planeta: os Estados Unidos da América.


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REFERÊNCIAS SOBRE O PLANO SCHLIEFFEN

CUMMINS, Joseph. As Maiores Guerras da História. trad. Vania Cury. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.

LIDDELL HART, Basil Henry. As Grandes Guerras da História. 3.ed. trad. Aydano Arruda. rev. e anot. tec. Gen. Reynaldo Mello de Almeida. São Paulo: IBRASA, 1982.

WILLMOTT, H. P.. Primeira Guerra Mundial. trad. Cecília Bartalotti, Myriam Campello, Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

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PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: guerras, primeira guerra mundial, grande guerra, planos de guerra, plano schlieffen-moltke, guerra de trincheiras.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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