Quem foi João Calvino? Reforma Protestante

João Calvino e o Calvinismo na Reforma Protestante
João Calvino foi um dos mais importantes reformadores do Cristianismo ao fundar o Calvinismo, expandido o efeito da Reforma Protestante. Créditos: autoria desconhecida; João Calvino, respectivamente.

João Calvino foi um dos mais importantes reformadores do Cristianismo ao fundar o Calvinismo, o que expandiu ainda mais os efeitos da Reforma Protestante desde Martinho Lutero e as influências de John WyCliff e Jan Hus.

João Calvino era um padre francês que rompeu com a Igreja Católica. Em 1541, ele formou um grupo de protestantes em Genebra, na Suíça. Como Lutero, Calvino enfatizava a importância da Bíblia no mundo cristão.

Também afirmava que alguns escolhidos seriam salvos e iriam para o céu, enquanto outros iriam para o inferno.

Calvino escreveu vários livros sobre a Bíblia, muito lidos na Europa. (HAWKINS, 2018, p. 68)

Boa leitura!

TÓPICOS SOBRE JOÃO CALVINO

1. Quem foi João Calvino?
2. Quem foi João Calvino antes do Calvinismo?
3. O que leva ao Calvinismo?
4. O que foi o Calvinismo?
5. A severidade de João Calvino
6. A morte de João Calvino
Referências

1. QUEM FOI JOÃO CALVINO?

João Calvino foi um dos principais propagadores da Reforma Protestante desencadeada por Martinho Lutero no início do século XVI.

Reforma esta que abalou duramente o poder da Igreja Católica que dominava praticamente todos os cenários da vida europeia, incluindo as relações privadas e íntimas — por exemplo, o comércio (relação privada) e as matrimoniais e familiares (relações íntimas).

João Calvino também se transformou em um alto falante das ideias propagadas por expoentes como John WyCliffe e Jan Hus.

Ainda, Calvino pode ser entendido como a continuação dos autores mencionados acima e principalmente do embalo propagado por figuras como Martinho Lutero e Henrique VIII.

Martinho Lutero (Igreja Luterana), Henrique VIII (Igreja Anglicana) e João Calvino (Igreja Calvinista). Embora todas essas igrejas, entre outras, tenham participado da Reforma Protestante, cada uma possuía suas particularidades.

João Calvino e John WyCliffe e Jan Hus
John WyCliffe (1328–1384). Entre as ideias do teólogo inglês, encontram-se a salvação pela fé (nunca pelas mãos da igreja) e a condenação da compra de indulgências (perdões). Suas ideias influenciaram profundamente Jan Hus, Martinho Lutero, João Calvino e tantos outros em uma longa e intensa construção histórica. Créditos: autorias desconhecidas / Montagem: Eudes Bezerra.

2. QUEM FOI JOÃO CALVINO ANTES DO CALVINISMO?

João Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509 na comuna francesa de Noyon, na região da Picardia.

O jovem Calvino teria sido criado em um ambiente de austeridade religiosa. Isso porque, além da França ser um país predominantemente católico à época, o pai de Calvino, Gérard Calvino, era assistente do bispado de sua comuna (“cidade”).

João Calvino perdeu a sua mãe — Jeanne Le Franc — ainda na infância, aos 6 anos de idade, época em que ficou aos cuidados de um amigo abastado da família, um aristocrata.

Sob a tutela da aristocracia de sua região, João Calvino teve acesso ao estudo erudito e progressivamente intensificou os estudos, chegando a ter tutores e a cursar a Universidade de Paris a partir dos 14 anos.

Entre os seus estudos, destacam-se os de Direito e latim. Também teve a oportunidade de ler literatura e aprender outros conhecimentos mais específicos.

Contudo, o contato com as ideias de Lutero fizeram se aprofundar nas “questões protestantes”.

Calvino era um católico devoto e estava tendo contato aprofundado com a Teologia, como as ideias de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho.

Acredita-se que João Calvino tenha se convertido ao protestantismo entre 1532 e 1533, aos 23-24 anos, e passado a desenvolver suas próprias ideias com base nas estudadas acima.

João Calvino e o Massacre da São Bartolomeu
A perseguição religiosa na França foi brutal e secular. Em um país absolutamente católico, por diversas vezes os protestantes foram vítimas de grandes massacres, como o Massacre de São Bartolomeu (1572) no qual até 30 mil protestantes foram mortos em menos de 48 horas. Créditos: François Dubois / Museu Cantonal de Belas Artes, Suíça.

3. O QUE LEVA AO CALVINISMO?

No mesmo ano de sua conversão, João Calvino foi rapidamente acusado de ser coautor de um discurso a favor do protestantismo (e consequentemente contra a instituição católica).

João Calvino, temendo o julgamento na fogueira (como o ocorrido com Jan Hus e tantos outros), acabou fugindo para diferentes locais enquanto escrevia a sua principal obra, a Instituição da Religião Cristã.

O livro Instituição da Religião Cristã, concluído no ano de 1536 na cidade de Basileia (ou Basel), na Suíça, expôs claramente os seus pensamentos que acabaram por provocar outro tsunami contra a Igreja Católica.

João Calvino, agora uma figura pública, possuía seguidores e proteção, o que o ajudava na propagação de suas ideias, o Calvinismo, que agora contava com a adesão cada vez maior de classes importantes, como a da monarquia e a da burguesia.

Calvino havia criado um conjunto de regras religiosas que favorecia certos setores da sociedade e afastava a dominação católica, mas que em alguns pontos possuía notável grau rigor e disciplina.

A severidade de suas ideias, por vezes era considerada inadmissível, como ocorreu em Genebra, na Suíça, com o Código Litúrgico e Cível, quando foi expulso por algumas de suas práticas se assemelharem aos ritos católicos.

Em 1538, Calvino supervisionou uma igreja de refugiados em Estrasburgo na França. Nessa mesma época se casou com Idelette de Burge e produziu novos documentos, como a Institutas em 1539.

Nessa época, João Calvino também conheceu o alemão Martinho Lutero, onde participou de diversas reuniões entre protestantes e católicos.

Em 1547, Calvino regressou a Genebra a pedido para ajudar a barrar a tentativa de restauração do catolicismo na Suíça. Calvino retornou com o seu grupo de protestantes formado alguns anos antes (1541).

O poder de Calvino se tornou amplo ao literalmente reformular a cidade Genebra como uma espécie de Cidade-Igreja, na qual já havia eliminados opositores e instituído as Ordenações Eclesiásticas.

Genebra se tornou uma espécie de forte militar e religioso no qual João Calvino era o seu comandante supremo, dominando todas as esferas sócio-políticas.

Calvinismo e o Mercantilismo da burguesia
A burguesia enxergava o protestantismo, principalmente o Calvinismo, como algo extremamente benéfico às suas atividades, visto que o lucro do comércio era energicamente condenado pela Igreja Católica. Créditos: autoria desconhecida.

4. O QUE FOI O CALVINISMO?

O Calvinismo, instituído em Genebra, na atual Suíça, despontou como uma das novas vertentes do protestantismo, sendo profundamente alicerçada na literatura bíblica.

Princípios do Calvinismo:

  • Justificação do homem pela fé;
  • Sacerdócio geral dos crentes; e o
  • Princípio da soberania de Deus.

Porém, a vertente começa a se destacar em sua Teologia da Aliança. Segundo a teologia da aliança, Deus vai realizando pactos pela história e renovando as alianças com aqueles que aceitaram Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Outra diferença marcante é a doutrina da predestinação. Na doutrina da predestinação, só os “eleitos” são salvos, sendo eles aqueles que Deus, por ser onisciente, escolheu de antemão para a salvação.

Por fim, o Calvinismo entende o trabalho como uma benção, abrindo espaço para a possibilidade do acúmulo de capital. Dessa forma, diferente da Igreja Católica, o Calvinismo acabou por se encaixar perfeitamente com as ideias burguesas que à época se encontravam no plano do Mercantilismo.

João Calvino e Martinho Lutero
João Calvino e Martinho Lutero discordavam acerca de suas propostas religiosas: enquanto Calvino pregava a ideia de uma igreja totalmente nova, Lutero desejava a restruturação da Igreja Católica. Créditos: Lucas Cranach, o Velho.

5. A SEVERIDADE DE JOÃO CALVINO

O Calvinismo chamava a atenção pela severidade de suas regras.

Algumas que merecem ser citadas são:

  • Proibição do trabalho, teatro, danças e jogos aos domingos;
  • Execução ou pena severa para infratores da lei;
  • Eliminação do ritual e da música instrumental na missa;
  • Retirada dos vitrais, quadros e imagens da igreja;
  • Abolição da celebração da Páscoa e do Natal; e a
  • Substituição do sistema episcopal pelo sistema representativo, onde todos os membros participam indiretamente através de representantes eleitos por eles.

6. A MORTE DE JOÃO CALVINO

João Calvino e Idelette permaneceram casados por 10 anos, quando ela faleceu. Tiveram um filho que veio a falecer ainda em tenra idade.

Calvino não mais contraiu casamento, permanecendo viúvo até a sua morte.

João Calvino morreu em 27 de maio de 1564, em Genebra. Tinha 54 anos.

REFERÊNCIAS

BEZERRA, Eudes. Reforma Protestante. Acesso em: 06 jan. 2022.

BLOCH, Marc. A sociedade medieval. trad. Laurent de Saes. São Paulo: EDIPRO, 2016.

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.

GOFF, Jacques Le; SCHIMIT, Jean-Claude. Dicionário analítico do Ocidente medieval. vol. 1, trad. Hilário Franco Júnior. São Paulo: Editora Unesp, 2017.

HAWKINS, John. A História das Religiões. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2018.

VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.

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PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: reforma protestante, calvinismo, igreja católica, João Calvino, protestantismo, Martinho Lutero, doutrina da predestinação, teologia da aliança, Cristianismo.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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