Formação dos Estados nacionais: Inglaterra, França, Espanha e Portugal

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A formação dos Estados Nacionais da Inglaterra, da França, da Espanha e de Portugal influenciaram profundamente a Europa e o mundo. Créditos: autoria desconhecida / Montagem: Eudes Bezerra.

A centralização e unificação na formação dos Estados Nacionais da Inglaterra, da França, da Espanha e de Portugal influenciaram profundamente a Europa. Consequentemente, o mundo. Tudo sob o florescimento do Renascimento, do financiamento da emergente burguesia e dos inúmeros conflitos à época.

Os séculos XIV e XV foram marcados pela emergência do Estado moderno através do fortalecimento das monarquias, sobretudo na Franca, na Inglaterra e na península ibérica. (SILVA, 2020, p. 127)

Boa leitura!

SUMÁRIO DA FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS DA INGLATERRA, FRANÇA, ESPANHA E DE PORTUGAL

1. Introdução aos estados nacionais da Inglaterra, da França, da Espanha e de Portugal
2.
Formação dos Estados nacionais #1: Inglaterra
3.
Formação dos Estados nacionais #2: França
4.
Formação dos Estados nacionais #3: Espanha
5.
Formação dos Estados nacionais #4: Portugal
Referências

1. INTRODUÇÃO AOS ESTADOS NACIONAIS DA INGLATERRA, DA FRANÇA, DA ESPANHA E DE PORTUGAL

Cada Estado nacional (nação) recém-criado durante o período abordado nesta matéria passou por circunstâncias e momentos distintos, mas repare bem nas semelhanças e diferenças que compartilham.

Aqui abordaremos de modo bem resumido e direto as particularidades do contexto histórico da criação dos estados nacionais da Inglaterra, da França, da Espanha e de Portugal.

Também cabe ressaltar desde já o papel fundamental da burguesia e do Renascimento, que tomaram diversas formas a depender da localidade, para a formação dos estados nacionais acima mencionados.

burguesia na formação dos estados nacionais
O ressurgimento do comércio catapultou comerciantes (burgueses) de modo a poder financiar reis em troca de benefícios ao “livre” comércio, inaugurando o Mercantilismo. Créditos: autoria desconhecida.

Basicamente, a burguesia, em troca de benefícios, como a desburocratização e unidade das instituições políticas, financiou o fortalecimento dos monarcas que, para que estes conseguissem restabelecer seu poder, necessitavam de poderio bélico ― leia-se exércitos profissionais.

Assim, com exércitos regulares, garantiu-se a integridade dos estados nacionais para manutenção da ordem interna e da segurança externa.

Isso porque o antigo sistema, o Feudalismo, mostrava-se decadente e havia sido gravemente abalado na Crise do Século XIV, sendo incapaz de contornar as mudanças da nova era que se vislumbrava.

Ao final, nas referências, diversos links de matérias selecionadas especialmente para te ajudar ao máximo!

Aqui, para auxiliar você, antecipamos nossa matéria sobre a formação dos estados modernos. Trata-se de conteúdo geral que provavelmente sanará sua dúvida!

2. FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS #1: INGLATERRA

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Atual bandeira da Inglaterra.

O embrião da unificação inglesa ocorreu com a última invasão bem-sucedida da Grã-Bretanha ainda na segunda metade do século XI.

Realizada pelo descendente viking, o normando Guilherme, o Conquistador, em 1066, tentou-se unificar a região de modo a conseguir estabilidade.

Entretanto, séculos de guerras, como disputas internas e as Cruzadas, fragilizaram os senhores feudais, visto que estes (e o povo) eram constantemente cobrados por impostos cada vez mais proibitivos.

Somente no ano de 1215, com a assinatura da Magna Carta, o rei João Sem Terra assinou (forçadamente) o tratado a dividir o poder com o que viria a se tornar o parlamento britânico séculos depois.

Com esse controle, os impostos deveriam ser aprovados pela nobreza e pelo clero, nascendo, assim, um controle de poder no que viria a se tornar a Inglaterra (e que tantos vemos na tevê: o parlamento).

Posteriormente, já no século XIV, com a Guerra dos Cem Anos (contra a França) e principalmente a Guerra das Rosas (guerra “civil” inglesa), além da Peste Negra, fome e revoltas camponesas, contribuíram para o declínio da nobreza.

A Guerra das Rosas (1455–1487) acabou com a vitória da Casa dos Lancaster sobre a de York.

Contudo, uma união firmada entre as casas (de Lancaster e York) gerou a Casa de Tudor, onde Henrique VII se tornou o primeiro monarca inglês plenamente investido sob o estado nacional da Inglaterra.

Henrique VII conseguiu o trono apoiado pela burguesia, que vinha cada vez mais aumentando seu poder financeiro, em detrimento da Casa de York que se arruinara em dívidas devido ao modo feudal que insistia em perpetuar.

Um fato interessante sobre a unificação inglesa decorre de que o rei inglês tinha agora seu poder equilibrado, ou mesmo pressionado pela nobreza, pelo clero e a burguesia.

Por fim, interessante se atentar para o modelo de estado nacional “primitivo” inglês que, para grande parte dos historiadores, não se encaixa nos moldes Absolutismo francês, como veremos em seguida.

símbolos da guerra das duas rosas lancaster york e tudor
A Guerra das Rosas tem esse nome porque ambas as Casas na disputa possuíam uma rosa como elemento principal, diferenciando-se pelas cores. Créditos: autoria desconhecida.

3. FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS #2: FRANÇA

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Atual bandeira da França.

De modo similar à unificação inglesa, a francesa também decorreu da guerra, sendo a famosa e destrutiva Guerra dos Cem Anos (1337–1453), na qual, a muito custo, a França conseguiu repelir as pretensões dos ingleses.

Também apoiado pela emergente burguesia, o rei Carlos VII, saiu fortalecido do conflito e com um exército bem-preparado, o que comprovou que um exército nacional bem equipado e profissional se firmaria para pôr ordem na França, como ocorreria em diversas regiões.

Contudo, diferentemente da Inglaterra, a França não conseguiu implementar um sistema de freios e contrapesos minimamente adequados e durável para evitar eventuais abusos de poder por parte do monarca reinante.

O rei francês, qualquer que fosse, havia se tornado o poder máximo e indiscutível devido ao poder especialmente centralizado e que ficaria caracterizado como o Antigo Regime ― o Absolutismo.

Ainda na França, em 1643, ascendeu ao poder o rei Luís XIV, o famoso rei-Sol que personificou o Absolutismo global em sua figura ao cultivar elementos que buscavam desenhá-lo à imagem de Deus.

Contudo, nem mesmo o rei-Sol se atrevia a rivalizar com a burguesia, visto que esta havia se tornado amplamente poderosa e lhe trazia grandes fortunas.

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O rei Eduardo III, da Inglaterra, cruzando o rio Somme em pleno território da França durante a Guerra dos Cem Anos. Esta guerra acabaria por unir de vez a França e consolidar o Estado nacional francês. Créditos: Benjamin West / Castelo de Windsor, Inglaterra.

4. FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS #3: A ESPANHA

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Atual bandeira da Espanha.

A unificação da coroa espanhola se encontra intimamente ligada à Guerra de Reconquista e à Igreja Católica.

A Península Ibérica foi palco de uma bem-sucedida invasão berbere contra os visigodos no ano de 711, quando sob a liderança do habilidoso Tariq ibn Ziade, do Califado Islâmico Omíada.

Tariq e os seus sucessores conseguiram conquistar quase toda a península, tornando-a praticamente muçulmana, embora com liberdade religiosa e criando magníficos centros urbanos, como o de Córdoba.

A presença dos mouros (muçulmanos da Península Ibérica), disparou o gatilho da centralização e unificação nacional através da guerra, unindo cidades cristãs em uma longa e custosa cruzada, a intitulada Guerra da Reconquista (cerca de 700 anos de “guerra”).

A tomada da cidade de Granada, em 1491, marcou o fim da presença muçulmana na península, que se encontrava em grande parte governada pelos chamados Reis Católicos, Fernando II e Isabel.

Ambos os reis se casaram e conquistaram grande extensões da península para criar o que chamamos de Espanha atualmente.

Os Reis Católicos e o Papado criaram laços profundos e a Santa Inquisição passou a atuar na península com grande força, principalmente contra judeus e muçulmanos.

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A tomada de Granada, em 1491, selou o destino dos mouros na Península Ibérica, criando as possibilidades para a criação da Espanha como a conhecemos atualmente. Créditos: Francisco Pradilla.

5. FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS #4: A PORTUGAL

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Atual Bandeira de Portugal.

Entre as primeiras potências da época, encontrava-se o pequeno Condado Portucalense, que se tornaria o Reino de Portugal, o pioneiro nas Grandes Navegações e mais resplandecente triunfo sobre o Feudalismo.

Os portugueses também tomaram partido contra os mouros na Guerra da Reconquista, sendo inclusive atacados por seus supostos aliados que ambicionavam seu território para anexá-lo ao que viria a ser chamado de Espanha.

Portugal, inclusive, é reputado como a primeira nação unificada da Europa, o que a catapultou na chamada Era dos Descobrimentos (um termo cada vez mais debatido e em desuso na historiografia).

Em 1383, o trono de Portugal se encontrava vago e o Reino de Castela (parte da futura Espanha) reclamou o trono.

Contudo, Dom João, Mestre de Avis, apoiando e apoiado pela burguesia, conseguiu conter o ímpeto de Castela.

Com uma série de vitórias na que ficou conhecida como Revolução de Avis, Dom João se tornou rei de Portugal e logo não somente favoreceu a burguesia, como incentivou a navegação, o comércio e a organização dos impostos.

Portugal à época, embora minúscula, era a única nação plenamente unificada e com barcos navegando em busca de novos horizontes e riquezas para formar o primeiro império global do planeta.

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O Renascimento Cultural Português encontra em seu ponto mais forte as Grandes Navegações. Antes, monstros marinhos e a terra plana limitavam o ser humanos, mas após o Renascimento Português nada mais seria como antes. Créditos: Teatro do globo terrestre, de Abraham Ortelius, uma verdadeira obra-prima da cartografia.

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REFERÊNCIA(S):

BEZERRA, Eudes. Guerra dos Cem Anos, a mais longa guerra da história. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Burguesia: Origem e características (resumo). Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Formação dos Estados Modernos (resumo). Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Grandes Navegações, a Era dos Descobrimentos. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. O que é Feudalismo? Características do sistema feudal. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. O Concílio de Clermont e a Primeira Cruzada. Acesso em: 13 fev. 2020.
SILVA, Marcelo Cândido da. História Medieval. 1. ed., 2ª reimpressão. Coleção História na universidade. São Paulo: Contexto, 2010.
MACELI, Paulo. História Moderna. 1. ed. 4º reimpressão. Coleção História na universidade. São Paulo: Contexto, 2020.
WOOLF, Alex. Uma nova história do mundo. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2014.
IMAGEM(NS):
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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