Viriato e a guerra lusitana contra a República Roma

estátua de Viriato da Lusitânia
Viriato, a história de um homem simples que se tornou símbolo de resistência, vencendo exércitos romanos e só a mais baixa traição foi capaz de vencê-lo. Créditos: autoria desconhecida.

Viriato, líder guerrilheiro da Guerra Lusitana contra a república romana, que só acabou vencido mediante a mais ardil traição. Embora pouco conhecido, Viriato foi um dos mais formidáveis adversários enfrentados por Roma e repousará eternamente como um grande estrategista, guerreiro e defensor do seu povo, os lusitanos.

Antes do final da Terceira Guerra Púnica, um conflito grave ocorreu na Hispânia Ulterior. Um dos poucos sobreviventes do Massacre de Galba era um certo Viriato. Ele reuniu um bando de guerreiros e, por volta de 147 a.C. estava forte o bastante para emboscar o exército do preto Caio Vetílio.

Os romanos sofreram várias perdas – quatro mil homens, de acordo com Alpiano –, e o próprio Vetílio foi capturado e imediatamente morto por um guerreiro que não o reconheceu, duvidando de que um prisioneiro idoso e gordo como ele pudesse valer alguma coisa.

O poder de Viriato cresceu rapidamente depois dessa vitória, pois mais e mais comunidades resolveram que era melhor pagar tributos a ele do que serem atacadas por seus guerreiros.” (GOLDSWHORTHY, 2016, p. 139, grifo nosso)

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Boa leitura!

SUMÁRIO

1. Contexto: Expansão Romana, Guerras Púnicas e Lusitanos
2. Estopim: Sérvio Sulpício Galba e o Massacre dos Lusitanos
3. Um pastor ou rei chamado Viriato
4. Viriato inicia a Guerra de Guerrilha contra Roma
5. Por que tantos comandantes diferentes em tão pouco tempo? Cônsules e pretores
6. Viriato vence o Propretor Vetílio
7. Viriato vence o soberbo C. Pláucio
8. Viriato vence Cláudio Unimano e empata com Quinto Fábio Emiliano
9. Viriato vence Q. Pompeu
10. Viriato e mais uma reviravolta, agora contra Fábio Serviliano
11. Paz selada entre lusitanos e romanos
12. Reinício da Guerra
13. Traição e assassinato de Viriato
14. Pax Romana
Referências

1. CONTEXTO: EXPANSÃO ROMANA, GUERRAS PÚNICAS E LUSITANOS

No fim do século III a.C. os romanos estavam em franca expansão e conquistando boa parte dos territórios ao seu redor, incluindo o que hoje conhecemos por Península Ibérica, onde estão localizados os modernos países de Portugal e Espanha.

Naquela época, Roma havia derrotado a cidade de Cartago, na Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.), e a chamada Hispânia havia sido uma peça importante durante o conflito, pois era a partir de lá que funcionaria a principal linha de suprimento a abastecer o exército de Aníbal Barca, que antes atacava a república romana implacavelmente.

busto de aníbal barca
Aníbal, o grande pesadelo da República Romana. Créditos: autoria desconhecida.

Com o fim da Segunda Guerra Romano-Cartaginesa, após a decisiva Batalha de Zama, os romanos se mantiveram na região. Contudo, tinham interesses apenas nas terras mais férteis e de fácil acesso da península, deixando as colinas que, embora fossem ricas em minérios, tinha o solo pobre e eram habitadas por guerreiros ferozes.

Entre esses guerreiros, destacar-se-iam os lusitanos que, invariavelmente, desciam dos Montes Hermínios (atual Serra da Estrela) para fazer ações de saques e garantir seu modo de vida.

Pelo solo pobre e montanhoso da Lusitânia, a agricultura era precária e a caça e os saques representavam a principal fonte de sustento das tribos.

Dessa forma, os romanos acabaram sendo saqueados diversas vezes até decidirem conquistar a península inteira, o que demoraria cerca de 200 anos.

Os lusitanos faziam acordos de paz com os romanos (e outros povos), mas não demorava muito a quebrá-los pelos motivos expostos acima. Parecia ser algo bem comum na região à época, inclusive.

Montes Hermínios Serra da Estrela
Montes Hermínios (atual Serra da Estrela) de onde Viriato teria sua origem, também sendo a partir de onde iniciaria sua bem sucedida guerra de guerrilha contra os romanos. Créditos: autoria desconhecida.

2. ESTOPIM: SÉRVIO SULPÍCIO GALBA E O MASSACRE DOS LUSITANOS

Em 151 a.C., Roma, cansada da situação que não encontra fim, decidiu dar um basta e enviou uma grande força expedicionária sob o comando de Sérvio Sulpício Galba para resolver de uma vez por todas.

Galba era conhecido por sua astúcia e sede de conquista. Também era habilidoso na guerra e teria forçado os lusitanos a mais um acordo de paz, onde distribuiria terras férteis em troca da paz, o que muitos lusitanos aceitaram.

Na data combinada, em 150 a.C., os lusitanos se reuniram em três grupos separados para aguardar a realocação. Galba insistiu em desarmá-los, pois as armas eram supérfluas para um modo de vida agrário.

Então, com a nação em três grupos separados e desarmados, Galba ordenou que o exército romano cercasse um grupo por vez e massacrasse todos – homens, mulheres e crianças.

Foi uma atrocidade que revoltou até o mais brutal dos romanos”. (MATYSZAK, 2013, p. 50-51)

Cerca de 10 mil lusitanos foram mortos e outros 20 mil escravizados e vendidos no lucrativo comércio de escravos do mar Mediterrâneo.

Ao que parece, Galba desejava encerrar a resistência lusitana e mandar uma clara mensagem aos demais povos, como celtiberos, que não pactuassem com os interesses da república romana.

Contudo, o que Sérvio Sulpício Galba conseguiu na prática foi unir os lusitanos contra os romanos e um processo romano por sua conduta tida como bárbara e em prol de interesses pessoais (processo que não deu em nada, claro).

crucificação romana
Massacre dos lusitanos causou o efeito contrário nos lusitanos, que se uniram e criaram uma formidável guerrilha sob a liderança de Viriato. Créditos: Crucificação romana, umas das formas mais brutais e habituais de Roma exibir sua mensagem de domínio / ilustração: autoria desconhecida.

3. UM PASTOR OU REI CHAMADO VIRIATO

Entre os tantos que não acreditaram nas palavras romanas e outros que não depuseram suas armas, encontrava-se Viriato que havia fugido dos soldados latinos.

Quase nada se saber acerca da origem deste líder, exceto a partir do momento em que se juntou à resistência à Roma. Ora Viriato é descrito como um simples pastor e caçador ora como uma espécie de duque ou mesmo rei do seu povo. Até sobre o seu nome não se tem certeza, mas é como ficou conhecido.

O que é certo, de acordo com as fontes romanas, como o historiador Cassio Dio, é que Viriato viria a se transformar em um incrível obstáculo aos desejos romanos, tanto que o seu assassinato seria mais uma das tantas traições que englobaram a Guerra Lusitana e mostrariam o declínio moral da própria Roma.

Cassio Dio (MATYSZAK, 2013, p. 57) nos fornece um relato no mínimo curioso sobre o grande adversário da sua cidade:

Viriato era de origem muito obscura, mas obteve grande fama por suas ações. Ele passou de pastor a ladrão e daí a general. Começando com uma aptidão natural e desenvolvendo-a pelo treinamento, ele era rápido na perseguição e na fuga, e tinha muita energia nos combates corpo a corpo.

Ele ficava feliz com qualquer alimento em que pudesse pôr as mãos e se satisfazia em dormir ao relento. Consequentemente, estavam acima do sofrimento com frio ou calor e não se perturbava com a fome nem com qualquer outra dificuldade; contentava-se da mesma maneira com o que estivesse à mão e com o de melhor qualidade.

Por meio natural e de treinamento, ele tinha uma forma física magnífica, mas sua inteligência e astúcia eram ainda melhores. Ele podia planejar e executar rapidamente o que fosse preciso fazer e sempre tinha uma ideia clara a esse respeito.

Além disso, sabia exatamente quando agir. Podia fingir ignorar os fatos mais óbvios e, com igual esperteza, esconder seu conhecimento dos segredos mais ocultos.

Em tudo o que fazia, era não só o general, mas também seu próprio braço direito. Suas origens obscuras e sua reputação de força eram tão equilibradas que ele não parecia nem inferior nem superior aos demais, e não era nem humilde nem arrogante.

Resumindo, ele travava a guerra não por ganho, poder ou vingança pessoal, mas pela própria ação de lutar; considerava-se que ele gostava muito de lutar e que era um mestre nessa arte.

Cássio Dio viveu entre 155 e 229, não sendo contemporâneo de Viriato.

Com isso, deve-se tomar cuidado para não tomar seus escritos na mais perfeita literalidade, embora, ainda de acordo com registros romanos, Viriato tenha conseguido façanhas incríveis, como veremos adiante.

Viriato contra Roma
Estátua de Viriato em um memorial ao mesmo. Créditos: autoria desconhecida / Cidade de Viseu, Portugal.

4. VIRIATO INICIA A GUERRA DE GUERRILHA CONTRA ROMA

Um forte de sentimento de união e vingança tomou conta dos lusitanos após a traição e o infame massacre traiçoeiramente planejado por Galba, que já não mais estava na Hispânia para enfrentar o que criou: a guerrilha lusitana.

Diversos grupos de lusitanos começaram a fustigar as tropas romanas em ataques relâmpagos a partir de suas zonas de segurança (as montanhas) para onde retrocediam após os ataques.

O exército romano é provavelmente o melhor exército da Antiguidade, contudo, como diversos exércitos regulares da atualidade, não era feito para a guerra de guerrilha, o que custou a vida dezenas de milhares de soldados romanos e suas tropas auxiliares.

5. POR QUE TANTOS COMANDANTES DIFERENTES EM TÃO POUCO TEMPO? CÔNSULES E PRETORES

Veremos adiante uma sequência de comandantes no combate a Viriato e que logo nos refletir a respeito do porquê de tantas mudanças.

Acontece o seguinte: os romanos, anualmente, elegiam 2 cônsules para governar e comandar o exército. Cada cônsul executava uma tarefa, mas se revezando nas atribuições.

Esse sistema foi criado para não favorecer a ascensão e o fortalecimento de déspotas pela amarga experiência já sofrida durante a Monarquia Romana.

Também existiam os pretores que, dentre as funções de aplicar a lei, também poderiam comandar tropas e fazer o direito romano ser cumprido, mesmo que no fio da espada.

6. VIRIATO VENCE O PROPRETOR VETÍLIO

Após vários sucessos e o aprimoramento das táticas militares, em 147 a.C. a guerrilha dos lusitanos se dirigiu à cidade de Turdetânia, combatendo de frente os romanos sob o comando propretor Vétio (ou Vetílio).

No embate que se seguiu as tropas romanas se saíram muito melhores (combate em campo aberto era especialidade romana), encurralando os lusitanos em uma cidade fortificada ou algo parecido.

Presos e sem provisões onde nem água tinha, Vetílio ofereceu um tratado de paz que soou como o de Galba alguns anos antes (o do massacre). Nesse momento Viriato teria se destacado no grupo que se dividia entre se render, lutar até a morte ou “salve-se quem puder”.

Viriato gerou um plano que convenceu a maioria e acabou se tornando o comandante do mesmo plano (de fuga) no dia seguinte, tornando-se definitivamente o líder ao virar o jogo contra os romanos de modo magistral.

Viriato teria provocado uma batalha campal nos moldes que os romanos adoravam e eram especialistas, entretanto, tudo era encenação para ganhar tempo e fazer com que os lusitanos fugissem em todas as direções possíveis, deixando o exército romano, que se preparava para uma lutar decisiva ali mesmo, confuso.

A cavalaria de Viriato, cerca de mil cavaleiros armados levemente e com maior velocidade do que as cavalarias de Roma e dos seus auxiliares, assegurou a retaguarda das tropas a pé.

Viriato chamou a atenção dos romanos, levando-os à emboscada fatal em um precipício. Neste local, as tropas de Viriato já se reuniam ordenadamente e os romanos agora eram as vítimas: a frente os lusitanos e atrás um despenhadeiro. Massacre.

Cerca de 4 mil romanos foram mortos, incluindo o soberbo Vétio.

Outros 5 mil celtiberos mercenários a serviço de Roma também pereceram em uma batalha campal por ali mesmo.

Campanhas de Viriato
Campanhas de Viriato. Créditos: autoria desconhecida.

7. VIRIATO VENCE O SOBERBO C. PLÁUCIO

Em 146 a.C., Viriato viria a enfrentar o cônsul Pláucio, que se instalou de modo orgulhoso e desafiadoramente próximo ao território onde a guerrilha de Viriato buscava refúgio (e iniciava suas incursões).

Os romanos ainda estavam montando seu acampamento, quando os lusitanos atacaram e os derrotaram, de modo tão avassalador que Pláucio se recolheu para uma fortificação romana mais afastada e de lá não mais saiu.

Com Pláucio sem saber como enfrentar Viriato, os lusitanos tomaram a iniciativa e ampliaram o raio de ação, como no devastador ataque ao importante centro celtibero de Segóbria.

As ações de Viriato contra os aliados de Roma, que não os defendia, geraram profundas crises diplomáticas e viria a esfacelar o domínio romano em toda a Hispânia a cada nova vitória lusitana.

8. VIRIATO VENCE CLÁUDIO UNIMANO E EMPATA COM QUINTO FÁBIO EMILIANO

Em 145 a.C. era a ver Quinto Fábio Emiliano dar combate às forças lusitanas de Viriato com 15 mil soldados de infantaria e 2 mil de cavalaria.

Paralelamente à chegada de Emiliano, os lusitanos já haviam arrasaram outro exército romano que era liderado por Cláudio Unimano.

Emiliano desejava o combate, mas suas tropas eram inexperientes e precisava de tempo para treiná-las melhor.

Em 144 a.C. finalmente as forças de Emiliano e Viriato se enfrentaram com as tropas latinas levando a melhor ao empurrar de volta as tropas lusitanas. Contudo, mais uma vez, nada havia sido resolvido entre romanos e lusitanos.

9. VIRIATO VENCE Q. POMPEU

Em 143 a.C., na vez do cônsul Pompeu (não confundir com Pompeu, o Grande), o mesmo cometeu exatamente o mesmo erro de Pláucio e Viriato atacou a partir do mesmo local, o Monte Hermínio, causando ao menos mil baixas nos romanos e o recuo das legiões romanas para um local mais propício à defesa.

10. VIRIATO E MAIS UMA REVIRAVOLTA, AGORA CONTRA FÁBIO SERVILIANO

Em 142 a.C. era a vez do cônsul Fábio Serviliano (meio irmão de Emiliano) tentar acabar com as forças lusitanas.

Roma, que cada vez mais se incomodava com a situação sem-fim na península ibera, desejava encerrar a resistência, enviando dessa 16 mil soldados, 1,6 mil de cavalaria e um elefante de guerra.

Serviliano obteve vários êxitos durante as lutas e chegou a derrotar alguns grupos de guerrilha usando estratégias mais refinadas que a dos seus antecessores.

Também conseguiu reconquistar cidades perdidas e fazer cada vez mais Viriato perder espaço.

Contudo, em mais uma grande reviravolta de poder, Viriato mostraria sua ousadia e senso estratégico.

Em 141 a.C., Serviliano teria realizado um frágil cerco à cidade de Erisone, onde, durante à noite, tropas lusitanas e o próprio Viriato teriam penetrado secretamente para fazer um ataque surpresa na manhã seguinte.

O ataque surpresa foi um sucesso e as legiões romanas foram obrigadas a retroceder para uma passagem sem saída, pois as tropas lusitanas haviam construído barreiras resistentes o suficiente para que, em desespero, as tropas romanas não conseguissem transpor.

Admitindo a humilhante derrota, Serviliano se entregou a Viriato, o que causou um tremendo escândalo em Roma (que a todo custo tentou abafar a péssima repercussão).

11. PAZ SELADA ENTRE LUSITANOS E ROMANOS

Embora a Guerra Lusitana estivesse se mostrado extremamente dura, com demonstrações de crueldade de ambos os lados, assim como traições, Viriato, já conhecido por sua retidão de caráter, negociou com Roma de modo simples (sem exigências “exorbitantes”, como indenizações de guerra).

Serviliano e o restante de suas tropas tiveram a vida poupada e Roma acabou ratificando um tratado de paz com os lusitanos, onde Viriato e os lusitanos se tornariam independentes e, estranhamente, aliados de Roma.

Ele havia derrotados todos que Roma enviara contra ele e, depois colocara de joelhos um exército consular formado por duas legiões. Roma pediu trégua. A guerra acabara e ele havia vencido.

[…] Se tivessem atacado o exército romano com suas espadas (é preciso um exército com estômago forte para massacrar tantos homens), Roma nunca esqueceria nem perdoaria. Por mais que demorasse, seria guerra até a morte.

Viriato acreditava que apenas impondo termos brandos poderia celebrar um tratado de paz com o arrogante senado de Roma, e o foi o que ocorreu. Seu acordo foi ratificado, embora a contragosto.” (MATYSZAK, 2013, p. 55)

Mas a paz não duraria muito e logo mais uma quebra de tratado de paz aconteceria, recomeçando a guerra…

Legião romana formação tartaruga
As legiões romanas são consideradas as melhores unidades táticas da Antiguidade. Entretanto, quando mal comandadas ou em uma guerra que não fosse a campal ou de cerco poderiam ser derrotadas facilmente. Créditos: autoria desconhecida.

12. REINÍCIO DA GUERRA

Em 140 a.C. o cônsul Servílio Cépio (irmão de Serviliano) teve a chance de reiniciar a guerra contra os lusitanos após uma série de métodos ardilosos que Viriato não teria caído, mas seus conterrâneos, sim.

A paz havia sido quebrada e a guerra reiniciada. Cépio é costumeiramente descrito como perverso e ardiloso com os seus próprios soldados, desencadeando a fúria destes (que quase o assassinaram, inclusive).

Na guerra, o impasse continuava e ambos os lados não pareciam enxergar a vitória sobre o oponente, o que se mostraria em mais uma guerra arrastada.

13. TRAIÇÃO E ASSASSINATO DE VIRIATO

Viriato ainda acreditaria na paz. Teria enviado três homens de confiança – Audax, Ditalco e Minurus – às instalações romanas para negociar os termos com Cépio.

Cépio desejava fama e riqueza. Tratou os emissários de Viriato como reis e fez uma oferta de ouro aos três para que assassinassem Viriato. Não importava o modo, Viriato deveria morrer.

Audax, Ditalco e Minurus, ao retornar ao acampamento lusitano, logo teriam assassinado Viriato enquanto este dormia.

Ao que parece, com uma faca no pescoço, visto que Viriato costumava dormir com seu uniforme de guerra para manter a prontidão da guerrilha.

Os traidores retornaram aos romanos antes que seu crime fosse descoberto, mas Cépio não cumpriu o acordo, expulsando-os da fortificação romana.

Não se sabe o que teria acontecido com Audax, Ditalco e Minurus, mas provavelmente uma morte terrível é de se supor e levada a cabo por seus próprios conterrâneos como vingança pela morte do carismático Viriato.

A Viriato foi realizado um enterro digno de rei por sua liderança.

Por dez anos ele [Viriato] defendeu a Lusitânia contra os romanos, até ser morto por um traidor, o que levou a revolta ao colapso. (GILBERT, 2005, p. 30, acréscimo nosso)

Outro lusitano de nome Tântalo assumiu a liderança das tropas de guerrilha lusitana, mas teria sido facilmente derrotado pelas forças de Cépio.

Assassinato de Viriato Guerra Lusitana
A morte de Viriato, chefe dos lusitanos, de José de Madrazo y Agudo. Interessante ressaltar o anacronismo da pintura, onde se podem ver diversos itens, como elmos, que nunca chegaram a ser utilizados na guerra de Viriato contra os romanos.

14. PAX ROMANA

Cépio, contudo, sabia que seria custoso ou mesmo impossível aniquilar os lusitanos de uma vez por todas subindo as colinas, caçando-os em todos os locais, fazendo o que fosse.

Os lusitanos possuíam mais gente do que suas pobres terras poderiam suportar e a paz seria quebrada mais uma vez.

Ironicamente, a solução apresentada por Galba (o do Massacre dos Lusitanos) muitos anos antes foi a mesma realizada por Cépio, que distribuiu terras férteis aos lusitanos que aceitaram e a paz havia sido selada.
Roma havia vencido mais uma vez.


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REFERÊNCIA(S):
BEARD, Mary. SPQR: uma história de Roma Antiga. trad. Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2017.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005. GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica II: História de Roma. Petrópolis: Vozes, 1965.
GOLDSWORTHY, Adrian. Em nome de Roma: conquistadores que formaram o Império Romano. trad. Claudio Blanc. São Paulo: Planeta do Brasil, 2016.
MATYSZAK, Philip. Os inimigos de Roma. trad. Sonia Augusto. Barueri, SP: Manole, 2013.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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