Monarquia romana: história e características (resumo)

ruínas da roma antiga
Resumo sobre a monarquia romana, que foi um importante (e desconhecido) período da Cidade Eterna, que ainda hoje esconde seus mistérios de pesquisadores. Créditos: autoria desconhecida.

Roma: história e características da monarquia romana (resumo)

Originada por diversos povos, a cidade de Roma nasceu na Península Itálica sob a forma de monarquia e em poucos séculos lançou as bases da sociedade que entraria para história como a grande modificadora de mundos.

Roma Antiga é importante. Ignorar os romanos é não apenas fechar os olhos para o passado distante. Roma ainda hoje nos ajuda a definir o modo como entendemos nosso mundo e pensamos a respeito de nós mesmos, e isso abrange da alta cultura à comédia barata.

Após 2 mil anos, ela ainda continua na base do pensamento e da política ocidental, daquilo que escrevemos e do modo como vemos o mundo e nosso lugar nele”. (BEARD, 2017, p. 17)

Observação: A monarquia romana sofre com uma série de lacunas sobre sua história, principalmente acerca da fundação e dos reis. Por isso, alguns pontos podem ficar obscuros e sem explicação aparente.

Boa leitura!

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SUMÁRIO

1 Localização: o Lácio
2 Fundação de Roma: nasce a monarquia romana
⠀⠀2.1 O mito de Rômulo e Remo
⠀⠀2.2 O Rapto das Sabinas
3 Política: Monarquia Romana
4 Sociedade Romana
⠀⠀4.1 Patrícios
⠀⠀4.2 Clientes
⠀⠀4.3 Plebeus
⠀⠀4.4 Escravos
⠀⠀4.5 Libertos
Referências

1 LOCALIZAÇÃO: O LÁCIO

Localizada no centro da Península Itálica, na região do Lácio e próximo ao rio Tibre, a cidade de Roma nasceu sob a batuta do seu primeiro rei, Rômulo.

O Lácio, considerado o berço da Civilização Romana, era uma pequena e bem protegida planície que juntamente com o rio Tibre, com os seus 400 km de extensão, favorecia o fluxo de mercadorias e transporte via fluvial. Assim, a região proporcionava o surgimento e desenvolvimento de sociedades ali.

O rio Tibre desemboca no mar Tirreno que por sua vez se expandia para o mar Mediterrâneo, o que sempre representou uma gigantesca possibilidade de vultuosas rotas de comércio (e riqueza) com povos da África, como os egípcios antigos, e da Ásia, como cananeus (fenícios) e persas.

mapa de povos da época da monarquia romana
A região da fundação de Roma e arredores com alguns dos povos existentes à sua época. Créditos: autoria desconhecida.

2 FUNDAÇÃO DE ROMA: NASCE A MONARQUIA ROMANA

De antemão, verifica-se que a origem de Roma esbarra na ausência de registros, e por isso sendo custosa a explanação de certos detalhes sobre a origem da civilização romana. Contudo, sabe-se que em muito se assemelhou à formação grega.

A origem de Roma se assemelha bastante à formação da Grécia Antiga, onde diversos povos conviveram e formaram uma sociedade. Contudo, apesar dos gregos não terem sido propriamente uma unidade, mas uma grande confederação de cidades-Estados, o mesmo não se pode falar dos romanos que fizeram de sua cidade algo extremamente abrangente, empurrando as suas fronteiras para o inimaginável à época.

Entre os diversos povos que habitavam a Península Itálica, encontravam-se militaristas etruscos (ao norte), sabinos e latinos (centro) e gregos (sul), sendo basicamente estes os povos que acabaram por gerar a civilização romana.

O evento definitivo para a fundação de Roma recairia sobre a conquista dos etruscos de uma fortaleza localizada no Lácio, onde fundam a cidade de Roma sobre o monte Palatino (princípio de tudo da história romana) com o rei Rômulo.

Sobre o rei Rômulo, não se tem certeza: enquanto alguns acreditam que ele teria sido criado por Roma (daí o nome Rômulo), outros acreditam justamente no contrário. O fato é que até o momento seria extremamente forçoso escolher um dos possíveis lados, uma vez que há poucos registros históricos confiáveis.

2.1 O mito de Rômulo e Remo

Sempre é comentado que a fundação de Roma aconteceu pelas mãos dos irmãos gêmeos salvos e alimentados pela loba. Contudo, trata-se apenas de mais um mito na história.

Apesar de bem interessante e clássica a história contada na Eneida, de Virgílio, trata-se de mero mito e a fundação de Roma sofre de grandes lacunas, como já dito anteriormente por vezes.

Boa parte da insistência dos romanos em aceitar a versão religiosa vêm do fato de que história e religião se misturavam bastante, inclusive, usando-se histórias religiosas (hoje chamadas de mitos) para se explicar os mais diversos assuntos do dia a dia.

a loba alimentando rômulo e remo antes da monarquia romana
O velho mito da loba alimentando os gêmeos Rômulo e Remo. Créditos: autoria desconhecida.

2.2 O Rapto das sabinas

Logo após a fundação de Roma, ficou evidente o baixo número de mulheres na cidade recém-fundada, o que era o vital para crescimento da cidade (formação e crescimento familiar). Com isso, o rei Rômulo teria aprovado um plano ousado: roubar boa parte das mulheres sabinas (os sabinos formavam um povo próximo dos romanos).

O rei Rômulo havia proposto um casamento coletivo entre os homens romanos e as mulheres sabinas em idade de casamento, mas os sabinos recusaram. Os sabinos teriam receado o crescimento de uma nova cidade no Lácio e a eventual ameaça da própria sociedade sabina.

O rei romano, Rômulo, para resolver a necessidade, aprovou um plano ousado: inventou um festival em homenagem ao poderoso deus dos mares, Netuno (o equivalente a Poseidon na mitologia romana e que estava sendo criada). Rômulo mandou chamar todos os vizinhos e muitos compareceram, inclusive grande parte dos sabinos.

Durante as homenagens ao deus Netuno, os romanos partiram para o sequestro das mulheres sabinas enquanto outros romanos lutavam com os homens sabinos no festival.

mulheres sabinas sendo raptadas
Rapto das Sabinas, de Pietro de Cortona, Museu dos Capitolinos, Roma.

Várias tribos declararam guerra contra Roma, como os crustumerinos e ceninenses, mas Roma derrotou todas. Contra os sabinos, contudo, a guerra quase teria causado a destruição de Roma.

A guerra, na verdade, teria sido decidida pelas próprias mulheres sabinas que não desejavam ver seus irmãos, pais e tios lutando contra os seus agora maridos, genros, sogros e amigos.

Diz-se que as sabinas simplesmente se jogaram em protesto no meio do combate decisivo entre romanos e sabinos para encerrar a guerra.

As mulheres teriam criado fortes laços com os romanos, onde se diz que foram muito bem tratadas e tiveram mais liberdade que entre os próprios sabinos.

Diz-se, inclusive, que o próprio rei romano teria visitado uma por uma para conhecer sua história de vida e dado a liberdade para que cada uma com quem se casar e seu modo de vida. Eram mulheres livres, não escravas.

Com a guerra terminada, a paz teria sido selada com a união dos povos das duas cidades que se tornaram apenas uma. Apesar do ressentimento, inimigos comuns e as crianças geradas pelos inúmeros casamentos mudaram (para melhor) a convivência.

intervenção das mulheres sabinas durante a monarquia romana
Intervenção das mulheres sabinas, de Jacques-Louis David, Museu do Louvre, Paris.

3 POLÍTICA

Roma, em sua origem, originou-se como um reino e o seu primeiro rei teria sido Rômulo (daí o nome da cidade, Roma), sendo o último rei Tarquínio, o Soberbo. Este período — monarquia romana — teria durado de 753 a.C. até 509 a.C..

Durante esse período de política centralizada, o rei governava com grande poder e acumulava diversas funções, como a tradicional função executiva, e se destacava no papel militar e religioso.

Apesar da pompa, a monarquia romana parecia se encontrar longe de ser propriamente uma monarquia devido a outros elementos que dividiam o poder.

O reino de Roma já contava o Senado, embora este fosse algo mais próximo de grupo de cidadãos mais velhos (os anciãos) que apenas aconselhava o rei do que um órgão com poderes de fiscalização e deliberação de leis, como seria de fato posteriormente.

O destaque na política romana nessa época ficava por conta da chamada Assembleia das Centúrias (ou Comício das Cúrias), que era dividida em duas grandes partes: a primeira era composta por grandes proprietários de terras que continham 98 centúrias. Isto é, 98 grupos onde cada grupo era formado por 100 pessoas; a segunda divisão era formada por 95 centúrias destinadas aos plebeus.

Obviamente, os plebeus se encontravam em desvantagem nesse desigual sistema político, pois quando as votações eram realizadas já se encontravam em desvantagem numérica.

A Assembleia das Centúrias, contudo, foi apenas umas das assembleias nessa fase de formação de Roma e de onde não se tem muitas fontes de informação sobre muitos aspectos.

ruínas do foro de roma em meio a roma moderna
A cidade de Roma, também conhecida como Cidade Eterna, brilha com sua história única. Créditos: autoria desconhecida.

4 SOCIEDADE ROMANA

Assim como os gregos, os romanos também valorizavam enormemente a propriedade privada. Ou seja, os detentores de terras produtivas possuíam o poder, basicamente.

Além disso, o status romano costumava ir além do quanto de dinheiro uma pessoa poderia ter. Plebeus poderiam ter verdadeiras fortunas, mas ainda sim seriam desrespeitados ao passo em que os patrícios, mesmo se beirando a ruína financeira quando comparados aos seus pares ricos, costumavam gozar de respeito por terem terras.

Outra característica da sociedade romana, que provavelmente era a sua grande marca recai sobre o seu caráter escravista, não por ter um grande número de escravos, mas porque a principal divisão da sociedade monárquica romana recaía justamente sobre quem era e quem não era livre.

Dessa forma, em Roma existia o modo de produção escravista no qual, em vez de serem mortos, os povos dominados nas guerras eram escravizados.

Pode parecer crueldade, mas à época representou um avanço na sociedade e a escravidão como a conhecemos atualmente se distingue bastante da escravidão na Idade Antiga. Roma, nessa época, possuía um número bem reduzido de escravos.

hierarquia social de Roma
A hierarquia social da monarquia e república romana. Créditos: autoria desconhecida.

Na sociedade romana existiam as classes sociais dos patrícios, clientes, plebeus, entre outras, como se pode visualizar abaixo:

4.1 Patrícios

Os patrícios eram os descendentes dos fundadores de Roma, sendo os grandes proprietários de terras. Possuíam amplo respeito, escravos, privilégios e direitos civis que nenhuma outra classe em Roma possuía.

Representavam a minoria da sociedade de Roma e estavam diretamente atrelados ao poder, sendo, inclusive, os mandachuvas durante toda a história de Roma.

4.2 Clientes

Prestadores de serviços dos patrícios, os clientes se encontravam “presos” à classe dos patrícios para a realização de tarefas, como a militar. Embora livres, eram geralmente pobres e dependentes da classe a qual serviam.

Porém, clientes que adquirissem alguma fortuna poderiam ter seus próprios clientes e assim sucessivamente.

Esse “clientelismo romano” era importante para os patrícios porque supostamente mostrava a importância dos mesmos diante da sociedade romana.  Na prática, esse clientelismo em muito se assemelhava ao coronelismo tão conhecido dos brasileiros, principalmente dos queridos nordestinos.

4.3 Plebeus

Livres e sem terra, poderiam até gerar fortunas, mas sempre sem respeito diante da sociedade. Os plebeus eram artesãos, comerciantes, prestadores de serviços, etc., possuíam poucos direitos políticos, podiam ter escravos e formavam a classe social mais volumosa na monarquia romana.

Como na sociedade romana o status vinha antes do dinheiro para a obtenção de respeito, os plebeus costumavam ser menosprezados pelos patrícios, principalmente os comerciantes* que durante muito tempo eram considerados indignos, ainda que importantíssimos.

*sobre o ofício de comerciante, este costumava ser mal visto em praticamente toda a Antiguidade, só vindo a ganhar status elevado no fim da Idade Média com a ascensão da burguesia. A ideia de “vender coisas em troca de dinheiro” costumava dar uma fama bem pejorativa ao comerciante.

4.4 Escravos

Os grandes miseráveis da sociedade romana. Sem direito algum, eram geralmente escravos capturados nas guerras e viviam por subsistência, sendo uma espécie de propriedade.

Durante o reino de Roma a população escrava era bem reduzida.

4.5 Libertos

Ex-escravos que de alguma forma adquiriram a liberdade, podendo ser a partir da mera libertação pelos seus donos (patrícios ou plebeus) ou pela compra da própria liberdade.

REFERÊNCIA(S):

BEARD, Mary. SPQR: uma história de Roma Antiga. trad. Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2017.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica II: História de Roma. Petrópolis: Vozes, 1965.
SOLLA, Walter. Introdução a Roma Antiga. Acesso em: 13 maio 2019.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
IMAGEM(NS):
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Autor: Eudes Bezerra

31 anos, pernambucano arretado e graduado em Direito. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário (além de tudo que consta no site). Gosta de ler, escrever e planejar. Na Internet, atua de capacho a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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