Assírios: história, características e guerra (resumo)

Assírios em guerra
Assírios, um dos grandes povos da Mesopotâmia e notavelmente reconhecidos por sua competência militar. Resumo desta grande civilização. Créditos: autoria desconhecida / Fotomontagem: Eudes Bezerra.

Assírios, um dos povos mais famosos da Mesopotâmia e notavelmente reconhecidos por sua competência militar. Criaram um complexo sistema militar que inspirou outros povos, assim como instrumentos das melhores qualidade e agricultura de primeira!

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Boa leitura!

SUMÁRIO

1. Tudo o que você sempre quis saber sobre os Assírios
2. Quem foram os Assírios?
3. Como os Assírios surgiram
4. Assur: a capital dos Assírios
5. Outras cidades importantes dos Assírios
6. Assírios: povo guerreiro, implacável e cruel
⠀⠀6.1 Guerra psicológica assíria
⠀⠀6.2 Apogeu e armamento dos assírios.
⠀⠀6.3 Problemas “inesperados”
7. Deuses assírios: Sol e planetas
8. Arte assíria
9. Decadência do império assírio
Referências

1. TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE OS ASSÍRIOS

Entenda diversos pontos importantes sobre os Assírios, desde o seu surgimento, passando pelo seu militarismo, religião, cultura, ao seu declínio.

Nota: Para algumas pessoas, alguns podem parecer repetidos, entretanto, trata-se apenas de didática para quem tiver objetivos específicos de sanar a curiosidade de ponto específico. Obrigado!

2. QUEM FORAM OS ASSÍRIOS?

Os Assírios se destacaram por ser um dos povos mais importantes que viveram na Mesopotâmia, responsáveis pela criação de um vasto império que centralizou grande poder naquela região.

O estabelecimento dos Assírios nessa localização aconteceu há cerca de 2.400 a.C., e a sua primeira cidade, Assur, recebeu esse nome em homenagem ao deus de mesmo nome.

Em alguns séculos, a cidade cresceria criando e absorvendo outras até se tornar um poderoso império.

O destaque desse império se dá por conta da sua grandiosidade, principalmente na metalurgia, na agricultura e grandemente expansões militares (com caráter cruel), tendo o seu predomínio na região durado entre 1300 a.C. e 612 a.C.

Quer saber mais sobre esse povo? Continue acompanhando esse artigo.

3. COMO OS ASSÍRIOS SURGIRAM

 Os Assírios construíram o seu império cerca de 1900 a.C, a partir da cidade de Assur – que ficava localizada próxima à margem ocidental do Rio Tigre, ao norte da Mesopotâmia.

O império cresceu por conta de sua privilegiada localização, capacidade aguerrida do seu povo e sua agricultura reconhecida.

Também devido a prosperidade dos comércios em colônias comerciais, como a Karum Kanesh. Inclusive, eles adotaram o sistema babilônico em suas transações.

Apesar do florescimento do seu comércio e da organização econômica bem desenvolvida, depois de algum tempo os assírios foram conquistados por hurritas e amoritas.

Contudo, isso não durou muito tempo, já que em 1300 a.C., os hurritas foram perdendo seu domínio sobre os Assírios.

A perda de controle ocorreu devido a guerra dos hurritas contra os hititas. Desta maneira, os Assírios tiveram a oportunidade de retomar sua liberdade, causando o que sabia fazer de melhor: a guerra.

Assim, os Assírios conseguiram se estabelecer e permanecer com a hegemonia da região até meados de 612 a.C.

Principais povos da antiguidade oriental assírios
Mapa dos grandes impérios do Oriente Médio por volta de 1300 a.C., onde se pode ver o tamanho do império assírio (em destaque laranja) e os seus rivais. Créditos: Zunkir / Wikimedia Commons.

4. ASSUR: A CAPITAL DOS ASSÍRIOS

 Assur era, até determinado momento, uma oligarquia e não uma monarquia, isso também era comum com outras cidades-Estados comerciais presentes em outros momentos da história.

A cidade era formada por três centros de poder que constituíam a politeia, quais sejam:

  1. Assembleia de anciões;
  2. Soberano hereditário;
  3. Epônimo.

O soberano era a figura de poder que presidia a assembleia de anciões, esse era o responsável indicado para executar todas as decisões que fossem tomadas por pela assembleia.

Já o epônimo, o outro centro de poder em Assur, era selecionado a partir de um sorteio, o seu nome era dado ao ano. Algo muito parecido com que ocorria com os arcontes de Atenas.

Quem detinha essa função deveria basicamente administrar a economia da cidade. Além disso, também era responsabilidade do Epônimo o aprisionamento de pessoas e a confiscação de propriedades.

Os Assírios dependiam de muitos dos tributos, principalmente os relacionados às pilhagens que ocorriam após as conquistas nas tantas guerras.

Pode-se dizer, inclusive, que essa era uma forte marca de sua economia, igualmente como a de muitos outros povos beligerantes mundo afora – conquistas militares sempre foram lucrativas devido aos espólios de guerra).

Ademais, todo povo que perdia autonomia para o exército de Assur, tornava-se servo dessa civilização, sendo desta forma realocados para exercer os trabalhos em comércios locais e no setor da agricultura.

soldados em assur capital dos assírios
Soldados norte-americanos em 2008 fazendo a proteção dos resquícios de Assur, a primeira capital dos assírios, enquanto reformas eram realizadas no local para sua preservação. Créditos: Exércitos dos Estados Unidos da América / Wikimedia Commons.

5. OUTRAS CIDADES IMPORTANTES DOS ASSÍRIOS

 Assur não foi a única cidade que se destacou durante a história dos Assírios, já que Nimrud e Nívive foram cidades importantíssimas para esse povo.

O rei Assurbanípal II, um dos nomes mais marcantes para essa civilização e que governou durante 668 a 626 a.C, foi quem organizou a Biblioteca de Nínive, considerada uma maravilha da Antiguidade.

A biblioteca de Nínive contava com cerca de 22 mil plaquetas feitas com argila, tanto em acadiano quanto em sumério, cuja escrita era a cuneiforme (feita com cunhas).

Muito conhecimento obtido por historiadores em relação a Mesopotâmia foi encontrado naquilo que sobrou dessa biblioteca.

6. ASSÍRIOS: POVO GUERREIRO, IMPLACÁVEL E CRUEL

 Sem dúvida, o ponto mais marcante (e talvez já percebido), era o modo como os Assírios se dedicavam à guerra. Tal fato favoreceu a duração da civilização por tanto tempo, sendo reconhecidos na época e na atualidade como uma verdadeira máquina de guerra.

Em determinado período, os assírios, da mesma forma que futuramente os persas, notabilizaram-se pela imensa quantidade de soldados que poderiam dispor em campo de batalha.

Estimou-se que os assírios fossem capazes de pôr em campo cerca de 100 mil homens, um número imenso pelos padrões da época, e, mais importante, que pudessem municiá-los por períodos prolongados”. (GILBERT, 2005, p. 14, grifo nosso)

Acredita-se que o primeiro exército profissional e regular da história recaia sobre os assírios que, mesmo em tempos de paz, preparavam-se para conquistas ou investidas de outros povos, afiando suas armas e melhorando suas técnicas de combate e cerco.

Os combates resultavam em vitórias relativamente fáceis em virtude da grande complexidade do sistema de organização militar, que sempre estava a ser aperfeiçoado.

De forma geral, o exército conseguia organizar de forma estratégica os lanceiros, arqueiros, cavalaria e carros de combate.

Justamente por essa razão, que outros povos que também viviam na Mesopotâmia acabaram se inspirando ou entrando, por bem ou por mal, no sistema de servidão dos assírios.

6.1 Guerra psicológica assíria

Além de tudo isso, não era apenas a organização funcional desse povo que o destacaram dos demais, já que o exército também é reconhecido por serem extremamente cruéis.

Essa civilização cometia atos de:

  • Amputação;
  • Decapitação;
  • Esfolamento;
  • Empalamento.

A crueldade e todo terrorismo cometido, como os diversos métodos de muita maldade, foi responsável por colocar domínio sobre outras civilizações que estavam na Mesopotâmia, a região da Palestina e a Ásia Menor.

guerra psicológica dos assírios
O traço mais marcante dos assírios, sem dúvida, era a crueldade com que o seu exército agia. Muitas vezes, antes mesmo de iniciar uma batalha ou certo, os assírios lançaram cabeças, orelhas, narizes e corpos mutilados sobre os adversários como efeito de guerra psicológica (de terro). Créditos: autoria desconhecida.

6.2 Apogeu e armamento dos assírios

Quando os Assírios conseguiram a vitória nas disputas contra o Egito Antigo, que ocorreu por volta do século VII a.C, conseguiram também realizar uma das maiores ações para se firmar uma grande potência mesopotâmica.

As suas armas feitas de ferro, o cobre e o estanho ajudavam bastante nessas conquistas, sendo geralmente de melhor qualidade e confiabilidade que a dos seus adversários.

6.3 Problemas “inesperados”

Usar métodos cruéis sob os povos conquistados era algo que permitia dominar a civilização, mas que também acaba fazendo com que o ódio do povo dominado aumentasse.

Ou seja, as estratégias acabaram se tornando uma faca de dois gumes.

Isso resultou em enorme quantidade de vezes em que os Assírios tiveram que acabar com rebeliões em seus territórios, sendo a convivência difícil quando não trágica.

7. DEUSES ASSÍRIOS: SOL E PLANETAS

 A religião dos Assírios era toda baseada em deuses representados pelo Sol e pelos planetas, ou seja, eles eram politeístas.

Justamente por conta de seu panteão de deuses, a civilização estudou bastante astronomia.

Para essa civilização, o deus Sol era o soberano déspota e com uma vida muito excelente e servia como o principal pilar religioso de Assur; e, abaixo desse deus, estavam os servos, que eram representados como “comerciantes”.

A mesma base de cultos da cultura dos sumérios era da religião Assíria.

Outro fato interessante sobre a religião é que as cidades devotavam deuses diferentes.

Isso indicava que o deus mais importante pertencia à cidade que tinha a maior importância entre as relações políticas.

Desta forma, Assur era o principal deus assírio.

8. ARTE ASSÍRIA

 A arte dos Assírios demostrava bastante o trabalho bélico e de caça presente no povo.

A sua cultura conseguia destacar muitas características realistas por meio de cerâmicas, joias e tapeçaria.

Utilizavam a escrita cuneiforme em ladrilhos de argila ou em murais.

9. DECADÊNCIA DO IMPÉRIO ASSÍRIO

O fim dos Assírios se dá, pois, o rei Assurbanípal II morre e este foi o grande déspota responsável pelo excelente controle do império por longos 42 anos.

Contudo, nenhum sucessor foi capaz de manter a qualidade e existência do poderoso império dos assírios após Assurbanípal II.

Com isso, os Assírios acabaram por se fragmentar minando de dentro para fora e dando a oportunidade dos povos conquistados se revoltasse.

Com o enfraquecimento assírio, Ciaxares, o rei do povo do Medos, conseguiu realizar uma aliança com Nabopalassar, que era o líder da civilização conhecida como Caldeus. Juntos partiram para uma guerra de conquista contra assírios.

Quando esse conflito terminou, os Assírios perderam a autonomia definitivamente e então passaram a ser controlados pelos Caldeus, que logo seriam conquistados, igualmente como outros tantos povos e reinos, por um jovem príncipe persa aquemênida: Ciro II, ou melhor: Ciro, o Grande.

Cerco assírio
Sem comandantes hábeis para manter o controle e as conquistas, os assírios acabaram sendo derrotados no seu próprio campo de batalha (literalmente). Créditos: autoria desconhecida.

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REFERÊNCIA(S):

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
CLINE, Eric H.; GRAHAM, Mark W.. Impérios antigos: da Mesopotâmia à Origem do Islã. trad. Getulio Schanoski Jr.. São Paulo: Madras, 2012.
GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 1969.
NEWARK, Tim. História Ilustrada da Guerra: Um estudo da evolução das armas e das táticas adotadas em conflitos, da Antiguidade à Guerra de Secessão dos Estados Unidos, no século XIX. trad. Carlos Matos. São Paulo: Publifolha, 2011.
IMAGEM(NS):
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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