Humanismo e o Renascimento Cultural

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O Humanismo, nascido do Renascimento Cultural, buscou valorizar racionalmente o ser humano tanto no seu estado físico quanto espiritual. Créditos: O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci / Montagem: Eudes Bezerra.

O Humanismo, nascido do Renascimento Cultural, buscou valorizar racionalmente o ser humano tanto no seu estado físico quanto espiritual, contrapondo-se às ideias rígidas da época.

O termo Humanismo surgiu no século XVI para designar as atitudes renascentistas que enfatizavam o homem e sua posição privilegiada na Terra.

O próprio conceito de Renascimento também só começou a ser empregado a partir do século XVI, para designar a retomada do pensamento e das formas de expressão da Antiguidade Clássica.

O Humanismo é comumente definido como um empreendimento moral e intelectual que colocava o homem no dos estudos e das preocupações espirituais, buscando construir o mais alto tipo de humanidade possível.” (SILVA, 2020, p. 193)

Boa leitura!

SUMÁRIO SOBRE O HUMANISMO

1. O que é o Humanismo? Renascimento Cultural
2. Humanismo: o Racionalismo
3. Humanismo: Antropocentrismo x Teocentrismo
⠀⠀3.1 Antropocentrismo
⠀⠀⠀⠀3.1.1 Naturalismo
⠀⠀⠀⠀3.1.2 Hedonismo
⠀⠀⠀⠀3.1.3 Individualismo
⠀⠀3.2 Teocentrismo
4. Humanismo: Heliocentrismo x Geocentrismo
⠀⠀4.1 Heliocentrismo
⠀⠀4.2 Geocentrismo
5. Nomes importantes da educação humanista
⠀⠀5.1 Thomas Morus
⠀⠀5.2 Erasmo de Roterdã
6. Conclusão sobre o Humanismo
7. Dica de filme
Referências

1. O QUE É O HUMANISMO? RENASCIMENTO CULTURAL

Fruto do Renascimento, o Humanismo é uma corrente filosófica inspirada na cultura da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma) e que buscava na razão as explicações para os fenômenos humanos e naturais.

O antropocentrismo (“homem no centro”) pregava a ideia do ser humano no centro do Universo. Com isso, deveria-se valorizar os estudos de forma a extrair o misticismo vigente à época acerca de sua criação divina.

O ser humano como centro do mundo, embora ainda tido como a criação mais bela de Deus por ter sido feito à sua imagem e semelhança.

A laicização dava os seus primeiros passos no caminho de separar o religioso do político. Isto é, diminuir a influência da igreja sobre o Estado.

homem vitruviano humanismo renascimento
A Baixa Idade Média é marcada por grandes mudanças de paradigmas, como o Heliocentrismo e Antropocentrismo (Renascimento), que combateram a ordem vigente imposta pela Igreja Católica e que forneceu o ímpeto de se reformar a sociedade. Créditos: Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, Academia de Belas Artes de Veneza, Itália.

2. HUMANISMO: O RACIONALISMO

O racionalismo consistia em explicar os fenômenos de modo lógico e não mais a partir das ideias religiosas.

Esse racionalismo se refletiria nas artes e nas ciências, de modo a cada vez mais explicar logicamente cada parte que circundava a vida humana.

Um importante pensador que se destacaria na lógica seria o francês René Descartes com o seu Método Racionalista.

3. HUMANISMO: ANTROPOCENTRISMO X TEOCENTRISMO

3.1 Antropocentrismo

Com o racionalismo, como já dito acima, o ser humano passa a ser o protagonista de sua própria história não mais estando preso aos dogmas da igreja católica que predominava durante a Idade Média (Teocentrismo).

3.1.1 Naturalismo

As observações sobre a natureza e os seus fenômenos ganharam grande força, deixando cada vez mais para trás o misticismo.

Com isso, grandes inovações de estudos e tecnologia foram criadas e aperfeiçoadas com o tempo, como no caso das Grandes Navegações.

3.1.2 Hedonismo

Vontade de pensar e executar suas vontades sem medo do julgamento final religioso. O ser humano passa a valorizar mais os prazeres mundanos.

3.1.3 Individualismo

O hedonismo acaba por criar relações mais individualizadas por parte dos indivíduos que procuram a satisfação própria.

3.2 Teocentrismo

Deus no centro de tudo. Por muito tempo, o Teocentrismo dominou o imaginário do ser humano, principalmente no fim da Idade Média quando a Igreja Católica buscava controlar todos os aspectos da sociedade.

Apesar de Heliocentrismo acabar por sobrepujar o Geocentrismo em um processo longo, no qual a Igreja Católica só aceitou em 1922, não havia ruptura dos renascentistas com a Igreja Católica.

O que ocorria era a necessidade humana de se separar as coisas.

humanismo e a igreja
O Humanismo não rompeu com a igreja, sendo, inclusive, responsável pelas mais belas e famosas retratações da Igreja Católica. Créditos: Michelangelo Buonarotti, Capela Cistina, Palácio Apostólico, cidade-Estado do Vaticano.

4. HUMANISMO: HELIOCENTRISMO X GEOCENTRISMO

4.1 Heliocentrismo

Desde a Antiguidade se estudava acerca dos fenômenos naturais, embora as ideias religiosas compusessem a maioria das explicações.

Contudo, aos poucos e principalmente no século XV, a ideia de a Terra não ser o centro do Universo ganhou cada vez mais força e pensadores como Copérnico e Galileu se tornaram célebres.

Copérnico teria apresentado a primeira teoria fundamentada de que a Terra não era o centro do Universo, como também orbitava o Sol, o astro-rei.

4.2 Geocentrismo

Desde a Antiguidade a ideia de que a Terra fosse o centro do Universo era forte e por muito tempo quem afirmasse isso poderia ser “purificado” na fogueira.

O Geocentrismo, sob o dogma católico, vem da ideia de que Deus criou a Terra e o ser humano à sua imagem e semelhança.

Por isso, a Terra seria o centro do Universo, assim como o ser humano a sua mais divina criação.

primeiro atlas moderno verdadeiro do mundo
O Teatro do Globo Terrestre de Abraham Ortelius, 1570. Esta verdadeira obra-prima da cartografia é considerada o primeiro Atlas moderno e a sua criação só foi possível por causa das Grandes Navegações.

5. NOMES IMPORTANTES DA EDUCAÇÃO HUMANISTA

Há inúmeros nomes amplamente conhecidos, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Botticelli e Raphael.

Contudo, aqui vamos apresentar dois representantes menos conhecidos e mais distantes do epicentro do Renascimento Cultural (Itália), mas que deram grande contribuição ao movimento.

5.1 Thomas Morus

Crítico da Igreja Católica, seu pensamento se desenvolvia sobretudo o monopólio da educação da Igreja, o qual via como extremamente prejudicial à evolução da sociedade.

Thomas Morus, além de católico fervoroso, era também um monge agostiniano. Contudo, via na educação o caminho para uma sociedade evoluída.

O valor dado à educação de Morus pode ser compreendida dentro da sua própria casa, quando, através dos seus próprios filhos e filhas, sem distinção de gênero, Morus ensinou lógica, matemática, teologia, filosofia, etc.

Thomas Morus era inglês e chegou a ser chancelar da Inglaterra durante a regência de Henrique VIII, o rei que rompeu com o Papado e criou a igreja Anglicana.

Henrique queria se casar novamente e a Igreja Católica o havia proibido. Thomas Morus permaneceu ao lado da igreja e acusado de tração foi por Henrique VIII, que ordenou a sua execução.

Thomas Morus
Sir Thomas Morus, de Hans Holbein, o Jovem. Pintura constante na Coleção Frick, Nova Iorque, EUA.

5.2 Erasmo de Roterdã

Mentor de Thomas Morus, Erasmo de Roterdã viajou por boa parte da Europa levando suas ideias, entre elas, a necessidade da liberdade de expressão e os valores educacionais que tanto influenciaram Morus.

Erasmo, através de suas duras críticas à Igreja Católica, afirmava que estava sabotava o pleno desenvolvimento do ser humano por blindar o acesso à informação e a buscar censurar a sociedade de forma absoluta.

erasmo de roterdã
Erasmo de Roterdã, de Hans Holbein, o Jovem. Obra constante na Galeria Nacional, Londres, Inglaterra.

6. CONCLUSÃO SOBRE O HUMANISMO

Diante do discorrido, percebe-se uma infinidade de pensamentos sobre o Humanismo, de forma a elevar o ser humanos.

Seja no mundo físico seja no espiritual, o ser o humano passa a ser mais livre para tomar as suas próprias decisões e arcar com as suas escolhas.

Contudo, o Humanismo, fruto do Renascimento Cultural, levou séculos para ter seus pressupostos realizados e encontraria outro importante movimento, o Iluminismo, que mais uma vez traria novas percepções acerca do mundo.

7. DICA DE FILME

O homem que não vendeu a sua alma (GB; Zinnemann; 1966), que aborda a história de Sir Thomas Morus diante do reinado de Henrique VIII.


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REFERÊNCIA(S):

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.
MICELI, Paulo. História Moderna. 4ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.
SILVA, Marcelo Cândido da. História Medieval. 1. ed., 2ª reimpressão. Coleção História na universidade. São Paulo: Contexto, 2010.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 3. ed., 9ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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