Batalhas Históricas Batalha de Queroneia: a Macedônia conquista a Grécia Postado em 5 janeiro 2026 Atualizado em 5 janeiro 2026 A Batalha de Queroneia assinalou o fim da liberdade das cidades gregas sob a submissão de Filipe II e Alexandre (o Grande). Batalhas Históricas • Guerras • Idade Antiga Tempo de leitura: 6 minutos A Batalha de Queroneia assinalou o fim da liberdade das cidades gregas sob a submissão de Filipe II e Alexandre (o Grande). Créditos: Eudes Bezerra / AI, Creative Commons. A Batalha de Queroneia marcou a subjugação da Grécia através do expansionismo do Império da Macedônia de Filipe II e do seu filho, Alexandre III — futuro Alexandre, o Grande! —, em um rolo compressor que passaria por cima de povos e impérios da Grécia até a Índia. Filipe II, um rei-guerreiro e político habilidoso, havia transformado um país, antes acorrentado a jugo estrangeiro, em uma potência que terminaria por lançar a segunda maior campanha militar de conquista territorial da história. Essa grande expedição de conquista seria realizada através de um mortífero exército — com as falanges macedônicas e a cavalaria de elite — sob o comando colossal de Alexandre Magno. Nota: por didática, diversos pontos soam repetitivos, mas apenas leia com atenção para que isso se fixe durante o aprendizado. Boa leitura! TÓPICOS SOBRE A BATALHA DE QUERONEIA 1. Contexto histórico da Batalha de Queroneia ⠀⠀1.1 Contexto da Macedônia ⠀⠀1.2 Contexto da Grécia ⠀⠀1.3 Reação grega tardia ao expansionismo da Macedônia 2. Batalha de Queroneia ⠀⠀2.1 Números: contingentes e baixas da Batalha de Queroneia ⠀⠀⠀⠀2.1.1 Baixas da Batalha de Queroneia ⠀⠀2.2 Os exércitos em formação de batalha 3.Teatro de guerra: vitória da Macedônia na Batalha de Queroneia ⠀⠀3.1. Manobra de Filipe II e o colapso do flanco ateniense ⠀⠀3.2. Manobra de Alexandre e a destruição da Banda Sagrada Tebana 4.Consequências da Batalha de Queroneia 5.Comentários sobre a Batalha de Queroneia Referências Busto de Filipe II da Macedônia. Créditos: Richard Mortel / Busto constante em Ny Carlsberg Glyptotek, Copenhague, Dinamarca / Creative Commons. ⠀ CONTEXTO HISTÓRICO DA BATALHA DE QUERONEIA Quando por ocasião da Batalha de Queroneia, ocorrida em 338 a.C., a Macedônia e as cidades-Estado da Grécia viviam momentos bem diferentes. Os macedônios se encontravam em franca expansão enquanto os vizinhos do sul, os gregos, atravessavam um momento turbulento e, como sempre, disputavam entre si através da política, quando não através das armas. Demóstenes (384 – 322 a.C.), um importante líder e estadista influente de Atenas, havia tentado alertar os gregos para o expressivo avanço tecnológico-militar de Filipe II da Macedônia… Filipe II, um rei astuto e plenamente consciente do funcionamento da política em algumas das mais importantes cidades-Estados da Grécia, conseguiu avançar diplomaticamente em uma direção que, fatalmente, apenas seria resolvida com força das armas do seu exército. Assim, ocorreu a Batalha de Queroneia, disputada em 2 de agosto de 338 a.C., quando Filipe II e o seu filho, o jovem príncipe Alexandre Magno, declararam a conquista da Grécia. Busto de Demóstenes, da Grécia (ateniense), que tanto alertou sobre os perigos da política de Filipe II. Créditos: Eric Gaba (fotógrafo) / Busto constante no Museu do Louvre, Paris, França / Creative Commons. ⠀ Contexto da Macedônia Antes do confronto na planície de Queroneia, a Macedônia caminhava em vias expansionistas sob o reinado de Filipe II, pai de Alexandre, o Grande. Filipe II, que reinou entre 359 e 336 a.C., promoveu o fortalecimento militar da Macedônia, conseguindo romper o jugo após confrontos contra os Ilírios, um povo indo-europeu que habitava os Balcãs. Filipe também tornou viável um contínuo crescimento territorial ora pela força das armas ora por uma hábil, dinâmica e vitoriosa diplomacia. Os esforços de Filipe II, também conhecido como Filipe, o Caolho, modernizaram a face da guerra por meio de uma nova e revolucionária arma de guerra. Esta arma histórica foi testada com extremo sucesso nas mais variadas ocasiões por Alexandre Magno e contra os mais diversos exércitos do seu tempo: tratava-se da avassaladora falange macedônica. Assim, buscando expandir suas fronteiras, em pouco tempo houve choque de interesses entre a Macedônia e algumas cidades-Estados gregas, como Atenas e Tebas. “Na medida em que avançava, imobilizava, desorganizava e destruía a frente adversária, permitindo à cavalaria — e demais unidades auxiliares — atacar o inimigo pelos flancos (lados) ou retaguarda.” (BEZERRA, 2025, p. s/p). Créditos: Andrei Karatchouk. ⠀ Contexto da Grécia A Grécia, diferentemente da Macedônia, encontrava-se frágil, tendo muitas de suas pólis em virtual decadência por conta da Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), que havia sugado grandes somas de recursos financeiros e humanos por décadas. Entre as consequências da Guerra do Peloponeso, que marca o fim do Período Clássico da Grécia Antiga, também se encontravam as mais diversas dificuldades das maiores e mais poderosas cidades-Estados para conter as menores. No entanto, embora com muitas cidades fragilizadas economicamente, a Grécia era plenamente capaz de guerrear e assim começou a reunir um vasto exército em 339 a.C. para finalmente atacar a Macedônia em 338 a.C. ⠀ Reação grega tardia ao expansionismo da Macedônia As pólis gregas, tardiamente despertadas para o avanço do Império da Macedônia, formaram uma coalizão sob a liderança de Tebas e Atenas e se lançaram em uma ofensiva militar contra o expansionismo macedônio. Em vão. Os tantos avisos de Demóstenes e outros haviam sido negligenciados por tempo demais. A Macedônia se avolumava constante e ferozmente, consumindo cidades e povos menores e com a coalizão grega não seria diferente — e não foi. Mapa mostrando o território e a influência do Império da Macedônia. Créditos: Marsyas / Wikimedia Commons. ⠀ A BATALHA DE QUERONEIA A Batalha de Queroneia ocorreu no dia 2 de agosto de 338 a.C., nas planícies da cidade de mesmo nome, Queroneia, nas proximidades de Tebas, Grécia central, e ficou marcada por uma impressionante vitória das forças macedônias sobre as gregas. Sob a liderança de Filipe II e do ainda muito jovem comandante da cavalaria, o príncipe Alexandre, então com 18 anos de idade, os macedônios conquistaram uma vitória que tomou a independência das cidades-Estados gregas livres. ⠀ Números: contingentes e baixas da Batalha de Queroneia Como em quase todo dado estatístico do mundo antigo, os números são sempre aproximados e não raramente esdrúxulos, senão com totais absurdos em escala. Na Batalha de Queroneia, estima-se que havia um equilíbrio quantitativo de forças, onde a vantagem numérica não exerceu papel preponderante. A coalizão aliada grega para a campanha contabilizava cerca de 35 mil soldados, incluindo os 300 soldados da feroz Banda Sagrada Tebana, uma unidade de elite criada para lutar contra os espartanos décadas antes. Os espartanos não lutaram na Batalha de Queroneia. Esparta se encontrava fraca e sem a tradicional influência que havia exercido no passado recente (até a Guerra do Peloponeso). Além disso, quando os espartanos não desejavam lutar, algo raro, não se buscava provocá-los porque a tradição militar espartana, mesmo fragilizada, ainda impunha elementos orgulhosos e profissionais à época. Os macedônios, por sua vez, contavam com um pouco menos de tropas que a coalizão grega, algo perto dos 30 mil soldados de infantaria e 2 mil de cavalaria. ⠀ Baixas da Batalha de Queroneia Após a luta, as baixas gregas somaram alguns milhares entre mortos (2 mil) e capturados (algo entre 3 e 4 mil). Entre as baixas gregas, também se encontrava a totalidade da Banda Sagrada Tebana (300 soldados), a histórica unidade de elite de Tebas. As baixas macedônicas, surpreendentemente, não teriam passado de algumas dezenas, o que atestou o sucesso do formidável exército de Filipe II e o comando superior de Alexandre Magno que teria se notabilizado na luta. Os históricos e vitoriosos comandantes tebanos Epaminondas Pelópidas lutando contra os ferozes espartanos décadas antes da Batalha de Queroneia. Créditos: William Rainey, 1900 / Creative Commons. ⠀ Os exércitos em formação de batalha Para o confronto, o exército macedônio se pôs em formação de batalha, deixando os seus batalhões de falangistas no centro e os escudeiros liderados por Filipe II no flanco esquerdo. Ao que parece, também havia uma pequena cavalaria com Filipe. A cavalaria liderada por Alexandre III, chamada de hetairoi e mais conhecida como Os Companheiros do Rei (ou só Companheiros), posicionou-se no flanco direito. Toda a formação grega foi posicionada em uma forte posição defensiva que possuía vantagem de terreno e a sua linha de combate se alongava por cerca de 4 quilômetros. O exército grego, ao que parece, não possuía diferença de tipos de tropas consideráveis, sendo formado pela tradicional falange grega armada com grandes escudos e lanças. Sabe-se que na extremidade do flanco direito estava o Batalhão Sagrado de Tebas, ficando de frente para a cavalaria liderada por Alexandre III. Ilustração da Batalha de Queroneia (338 a.C.). Créditos: Edmundo Ollier, 1882 / Creative Commons. Próxima atualização – e finalização – dia 15 de janeiro de 2026. Tags usadas: grécia guerras antigas Maiores Conquistadores da História Autor: Eudes Bezerra 37 anos, recifense, graduado em Direito e História. Diligencia pesquisas especialmente sobre Antiguidade, História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e executar o que planeja. Deixe um comentário Cancelar respostaO seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *Comentário * Nome E-mail Veja também5 Consequências da Guerra dos Cem AnosEstandarte do Espírito MongolO Príncipe Negro vence em PoitiersSoldado com proteção soviética SN-42