Império Carolíngio: Merovíngios, história e características!

império carolíngio
Ao Império Carolíngio se credita as bases da Europa Feudal, a conservação da cultura greco-romana e o fortalecimento da Igreja Católica. Créditos: Albrecht Dürer / Museu Nacional Alemão, Nuremberg, Alemanha / Fotomontagem: Eudes Bezerra.

O Império Carolíngio durou cerca de 300 anos (contanto desde a sua fundação merovíngia) e se credita ao mesmo o lançamento das bases da Europa Feudal, conservação e expansão da cultura greco-romana e fortalecimento da Igreja Católica.

Os francos eram um povo germânico formado por várias tribos que começaram a invadir a Gália romana no final do século III.

Em 450, havia clãs francos morando em todo o norte da Gália, cada um com o seu rei. Depois do colapso do Império Romano ocidental, um rei do clã merovíngio chamado Guilderico e o seu filho Clóvis (que reinou de 482 a 511) conseguiram unir um grande número de francos sob seu domínio.

Assim, os merovíngios se tornaram uma dinastia real do povo franco e, com eles, o reino franco se expandiu por boa parte da França e Bélgica de hoje”. (WOOLF, 2014, p. 114, grifo nosso)

O Império Carolíngio teve seu início com os merovíngios até atingir a sua plenitude e maior poder sob a liderança de Carlos Magno, ou Charlesmagne (Carlos, o Grande).

Entender o surgimento e desenvolvimento do Império Carolíngio é fundamental para quem deseja não somente entender o mundo depois da queda do Império Romano, mas, também, a formação da Europa moderna.

Por isso, resolvemos falar em mais detalhes sobre essa importante dinastia, explicando desde suas origens até as características que a fizeram um dos mais importantes capítulos da história do Ocidente.

Vem com a gente e boa leitura!

SUMÁRIO DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

1. O que foi o Império Carolíngio?
2. Origens da Dinastia Carolíngia
3. O início do Império Carolíngio
4. Renascimento Carolíngio
5. Fim do Império Carolíngio
6. Características do Império Carolíngio
⠀⠀6.1 Administração do império
⠀⠀6.2 Segurança das fronteiras
⠀⠀6.3 Classes sociais
7. Qual a importância do Império Carolíngio?
8. Império Carolíngio: três séculos fundamentais para a história do Ocidente
Referências

1. O QUE FOI O IMPÉRIO CAROLÍNGIO?

Em resumo, o Império Carolíngio é o nome dado ao período em que o império franco ficou sob a liderança da dinastia carolíngia, destacando-se grandemente Carlos Magno.

Esse império foi um dos muitos que se formou durante o lento processo de desintegração do Império Romano do Ocidente, que tem seu fim no século V d.C., mais precisamente no ano de 476.

Contudo, os carolíngios se destacam de outros povos surgidos no mesmo contexto por terem conseguido estabelecer um reino sobre bases bastante sólidas.

De fato, enquanto muitos dos reinos formados a partir do declínio de Roma foram tragados por inúmeros conflitos e disputas, o Império Carolíngio durou pelo menos 3 séculos, do VIII ao X.

A seguir, mostramos como se originou esse importante império da Alta Idade Média.

Acompanhe!

extensão máxima do império carolíngio
Extensão máxima do importante império carolíngio. Créditos: Mais / Wikimedia Commons.

2. ORIGENS DA DINASTIA CAROLÍNGIA

Os francos existiam como povo desde muito tempo antes da ascensão da dinastia carolíngia.

Por volta do século III d. C, esse povo germânico costumava ocupar a região da Gália, sendo um dos mais temidos e belicosos inimigos do império romano.

Contudo, foi somente a partir do final do século V d. C. que os francos passaram a expandir suas fronteiras.

Essa expansão se deu sob o comando de Clóvis I, neto de Meroveu. Nesse momento, inicia-se a Dinastia Merovíngia e o reino dos Francos.

Contudo, durante os séculos VII e VIII d. C, o poder dos monarcas merovíngios foi paulatinamente transferido para as mãos de uma alta casta de administradores do reino.

Com isso, essa casta passou a exercer um controle cada vez maior sobre o reino a tal ponto que os últimos monarcas da Dinastia Merovíngia são conhecidos historicamente como “reis indolentes”.

Mas, o fato que marca a ascensão é a Batalha de Poitiers, na qual os exércitos Francos liderados por Carlos Martel ― literalmente o Carlos, o Martelo! ― impediram a conquista da Europa Ocidental pelos mouros (mulçumanos).

Martel pertencia à casta dos “mordomos”, como eram conhecidos os altos funcionários da administração do reino Franco.

Carlos martel na fundação do império carolíngio
Carlos, o Martelo dos Mouros (muçulmanos da Península Ibérica) em pose triunfante na Batalha de Poitiers, também conhecida como Tours. Créditos: Charles de Steuben / Pintura constante no Palácio de Versalhes, Paris, França.

3. O INÍCIO DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Contudo, Martel não chegou a ser coroado rei. O papel de destronar a dinastia merovíngia foi cumprido por seu filho mais novo, Pepino, o Breve.

A tomada de poder por Pepino somente foi possível com o apoio da nobreza e do Papa Zacarias. Em 751 d. C, ele foi coroado em uma cerimônia regida pelo bispado da Gália.

Depois da morte de Pepino, o reino Franco foi dividido entre seus dois filhos, Carlomano I e Carlos Magno.

Com a morte de Carlomano, o Império Carolíngio passou inteiro às mãos de Carlos Magno e é nesse período que a dinastia carolíngia conheceu seu maior esplendor.

4. RENASCIMENTO CAROLÍNGIO

Carlos Magno governou os francos entre 742 e 814 e através da espada ou da fé conseguiu criar um poderoso império, que não apenas deu grande contribuição à Europa, como protegeu o próprio Papado.

Para manter a unidade de um império tão vasto, ele decidiu pôr em ação uma reforma completa na educação e na cultura.

Carlos Magno foi analfabeto por quase toda a vida, só vindo a aprender a ler e escrever (latim) na fase adulta, contudo, sabia do valor da educação e por isso se empenhou profundamente nessas questões.

A reforma de Carlos, o Grande, ficou conhecida como Renascimento Carolíngio e consistia no estabelecimento de programas baseados nas sete artes liberais clássicas, que são:

1. Lógica;
2. Aritmética;
3. Geometria;
4. Astronomia;
5. Retórica;
6. Gramática; e a
7. Música.

Além disso, Carlos Magno investiu na abertura de novas escolas e estimulou o desenvolvimento de várias artes, tendo contribuído para a preservação da arte clássica.

A corte se tornou o local de reunião de sábios e artistas e o legado cultural dos romanos foi revivido também nos valores e costumes.

carlos magno do império carolíngio
Carlos Magno em sua pintura mais famosa. Créditos: Albrecht Dürer / Museu Nacional Alemão, Nuremberg, Alemanha.

5. FIM DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Carlos Magno teria falecido de problema pulmonares em 28 de janeiro de 814 d. C., legando seu vasto império a seu filho Luís, o Piedoso.

Em 840 d. C., Luís morreu e o Império Carolíngio foi dividido entre seus três netos, Carlos, Luís e Lotário.

Essa divisão fez com que o império perdesse a unidade, o que tornou a autoridade real cada vez menos praticável.

Aos poucos, nobres usurparam o poder dos monarcas em nível local.

Junto a isso, as constantes invasões de povos germânicos (especialmente de vikings) também contribuíram para o enfraquecimento da dinastia carolíngia.

Contudo, o fato que marca o fim do Império Carolíngio é a morte do último monarca dessa dinastia, Luís Quinto.

Após esse acontecimento, os nobres do reino decidiram escolher e apoiar Hugo Capeto como novo soberano.

divisão do império carolíngio
Divisão do império Carolíngio entre os filhos de Luís, o Piedoso: Carlos, Luís e Lotário. Créditos: Trasamundo / Wikimedia Commons.

6. CARACTERÍSTICAS DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

O Império Carolíngio merece destaque não somente por ser um evento fundador na história da formação da Europa, mas, também, por suas características.

A seguir, indicamos algumas delas.

6.1 Administração do império

Sob Carlos Magno, o império cresceu significativamente e o soberano logo se viu obrigado a criar postos administrativos conhecidos como condados, que eram governados por condes.

O clero fazia parte da alta casta de funcionários, elaborando os decretos reais e preservando os saberes que alimentariam o Renascimento Cultural, mesmo com muitos dos renascentistas se referindo à Idade Média pejorativamente.

Já os funcionários não ligados à Igreja Católica administravam os tribunais, cuidavam do abastecimento das províncias e das questões militares.

6.2 Segurança das fronteiras

O Império Carolíngio não contava com um exército profissional, como era o caso de Roma.

As campanhas eram levadas a cabo pelos nobres, que se tornaria a marca do sistema feudal, sendo a fragmentação do poder do rei.

Geralmente, os exércitos carolíngios eram constituídos por condes, duques e marqueses, alguns dos quais podiam ser quase tão poderosos quanto o imperador.

6.3 Classes sociais

Além da realeza, do clero e da nobreza, a organização social do Império Carolíngio contava com os camponeses. Estes últimos eram a grande maioria da população.

Os camponeses viviam em propriedades arrendadas dos senhores de terras (nobres), recebendo como pagamento uma parte daquilo que plantavam e estando sujeitos a várias regras.

carlos magno coroado imperador pelo papa
Carlos Magno coroado imperador pelo papa Leão III em 25 de dezembro de 800 na Basílica de São Pedro, em Roma, tornando-se, assim, um Augusto como nos tempos de glória dos Césares romanos. Créditos: Friedrich Kaulbach / Wikimedia Commons.

7. QUAL A IMPORTÂNCIA DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO?

Conforme já dissemos, o Império Carolíngio foi um acontecimento essencial para a formação da Europa.

De fato, o Tratado de Verdun (que estabeleceu a divisão do império entre os netos de Carlos Magno) contribuiu para a criação de unidades político-culturais independentes.

Mais tarde, essas unidades foram fundamentais para a formação do poderoso reino da França e do Sacro Império Romano Germânico.

Com o apoio à Igreja Católica, toda literatura greco-romana ao alcance foi preservada nas abadias, criando os primeiros centros universitários da Europa (nada parecido com o que conhecemos atualmente, claro).

Além disso, o incentivo ao estudo da cultura e das artes da Antiguidade Clássica fomentou novos saberes e perspectivas.

Por exemplo, o estudo da Lógica durante o Império Carolíngio trouxe de volta o interesse pela filosofia especulativa, que será desenvolvida séculos mais tarde pelos escolásticos, como o filósofo e teólogo São Tomás de Aquino.

8. IMPÉRIO CAROLÍNGIO: TRÊS SÉCULOS FUNDAMENTAIS PARA A HISTÓRIA DO OCIDENTE

Assim, podemos concluir que os cerca de 300 anos de dominação carolíngia na Europa Central foram realmente cruciais para a formação de novas e importantes unidades culturais nessa região.

De fato, o processo de formação das monarquias germânica e francesa somente pode ser compreendido em sua totalidade a partir do Império Carolíngio.

E não podemos esquecer do legado cultural deixado por essa dinastia!


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REFERÊNCIA(S):

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GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
GIORDANI, Mário Curtis. História dos Reinos Bárbaros I. Petrópolis: Vozes, 1993.
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NEWARK, Tim. História Ilustrada da Guerra: Um estudo da evolução das armas e das táticas adotadas em conflitos, da Antiguidade à Guerra de Secessão dos Estados Unidos, no século XIX. trad. Carlos Matos. São Paulo: Publifolha, 2011.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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