Invasões Bárbaras no Império Romano (resumo)

invasões bárbaras e a queda do império romano
Um dos marcos das Invasões Bárbaras e O marco do declínio do Império Romano, a fatal queda de Roma. Créditos: Saque de Roma de 410 pelos Visigodos, de Joseph-Noël Sylvestre / Musée Paul Valéry, França.

O período conhecido como Invasões Bárbaras é apontado como a principal causa externa da queda do Império Romano do Ocidente, visto que sua porção Oriental ainda sobreviveria por quase mil anos. Diferentemente do que sugere o nome “invasões bárbaras”, não se tratou de uma grande e demorada guerra.

AS INVASÕES BÁRBARAS GERMÂNICAS constituem o prelúdio de uma série de outras migrações de povos (eslavos, escandinavos, fineses, árabes, mongóis e turcos), que, no decurso de quase um milênio, transformaram completamente a geografia política da Europa, causando profundas modificações em todos os setores da vida humana e preparando racial e culturalmente a Europa Moderna. (GIORDANI, 1993 p. 7, grifo do autor)

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SUMÁRIO DAS INVASÕES BÁRBARAS

1. O que é um bárbaro? Preconceitos e exemplos
2. Quem eram os bárbaros no Império Romano?
3. O que foram as invasões bárbaras? Nem só de guerra vivia o bárbaro…
4. Migrações germânicas e os Hunos de Átila, o Flagelo de Deus
5. Saques de Roma: Visigodos e Vândalos
⠀⠀5.1 Visigodos saqueiam Roma em 410
⠀⠀5.2 Vândalos saqueiam Roma em 455
6. Queda do Império Romano do Ocidente
7. Como ficou o território do Império Romano após as invasões bárbaras?
8. Como ficou o Cristianismo na Europa após as invasões bárbaras?
Referências

1. O QUE É UM BÁRBARO? PRECONCEITOS E EXEMPLOS

Na Antiguidade, os gregos costumavam se referir aos estrangeiros como bárbaros, um termo pejorativo. O traço fundamental que fazia ou não alguém ser considerado um bárbaro era a língua grega.

Isto é, mesmo que geograficamente distante da Grécia, a pessoa que falasse fluentemente a língua grega, em um primeiro momento, não seria considerada bárbara.

Os macedônios, ao que parece, falavam um grego mais rústico, mas os gregos em si fingiam não os compreender — dizem as más línguas. Era preconceito… E Alexandre, o Grande, que era da Macedônia, conquistou a Grécia posteriormente.

Os persas, por exemplo, tratavam os gregos como bárbaros e vice-versa. Os romanos, que respeitavam muito o conhecimento grego, adotaram o termo pejorativo para se referirem aos diversos povos que os rodeavam, assumindo para si mesmo o termo de civilizado.

Ainda, essa diferença entre civilizado e bárbaro ou não civilizado por diversas vezes foi utilizada como forma de segregar determinados grupos, como no caso das Grandes Navegações que acabariam por levar o “progresso” da Europa civilizada aos não civilizados nas Américas através do imperialismo eurocêntrico.

Não preciso citar a falsa Eugenia, as ideias de Cesare Lombroso e menos ainda os nazistas acerca de sua falsa ideia de superioridade racial…

Assim, com os horizontes um pouco mais amplos, podemos prosseguir!

queda de roma nas invasões bárbaras
A queda de Roma, a cidade que parecia imbatível, representou um período de grandes mudanças de fronteiras na Europa e no Norte da África. Das cinzas do império romano nasceriam muitos séculos depois os Estados Modernos, sendo muito mais do que a chamada Idade das Trevas, que é um termo que cada vez mais é rechaçado pelos estudiosos. Créditos: O Curso do Império – A Destruição, de Thomas Cole.

2. QUEM ERAM OS BÁRBAROS NO IMPÉRIO ROMANO?

No caso romano, os chamados “bárbaros”, basicamente formavam uma imensa quantidade de povos, como godos (ostrogodos e visigodos), alamanos, burgúndios, hunos, eslavos, vândalos, bávaros, lombardos, entre tantos outros.

Povos estes que de uma forma geral se revezaram em ataques contra o Império Romano, seja na porção ocidental seja na oriental.

3. O QUE FORAM AS INVASÕES BÁRBARAS? NEM SÓ DE GUERRA VIVIA O BÁRBARO…

As Invasões Bárbaras não têm uma data de início, mas costumam ser finalizadas com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, quando Odoacro, rei germânico dos hérulos, depôs o último imperador de Roma, Rômulo Augusto.

Tratando-se dos germanos, que compuseram a principal força guerreira e o maior obstáculo à Roma, alguns godos – os Visigodos – teriam sido os primeiros a fazer um acordo pacífico com Roma, que, em troca de proteção de fronteira, teriam sido instalados nos Balcãs ou na Macedônia.

Ademais, deve-se atentar para a imprecisão do termo e que as invasões não foram guerras ininterruptas contra o Império Romano, mas algo que por vezes feito na paz e com colaboração mútua, embora Roma, ao que tudo indique, sempre tenha tratado os povos germânicos com desdém e como inferiores.

À medida em que o império romano perdia força, mais dependia dos seus povos federados e os principais eram os germânicos, os mesmos que derrubaram o último imperador.

Antes da tomada do poder, um forte intercâmbio cultural ocorreu, preparando as bases do que chamaríamos de Feudalismo ou sociedade feudal.

invasões bárbaras: Odoacro depondo Rômulo Augusto
O rei dos hérulos, Odoacro, depondo o último imperador romano, Rômulo Augusto. As insígnias imperiais de Rômulo foram enviadas ao Império Romano do Oriente, que, sem ter como mudar o fato, aceitou a queda de Roma. Créditos: autoria desconhecida.

4. MIGRAÇÕES GERMÂNICAS E OS HUNOS DE ÁTILA, O FLAGELO DE DEUS!

Anteriormente, ainda no século III, um dos povos germanos, os Godos, migraram para áreas mais próximas das fronteiras do Império Romano, fazendo com que outros povos menores fossem empurrados às mesmas fronteiras e se espalhassem, criando diversos focos de atenção e hostilidade à Roma.

Esse período notabilizou por uma crescente e imparável migração bárbara que se beneficiou da paralisação da expansão de Roma no século II, o que havia gerado uma profunda crise financeira e agrária.

A chegada dos ferozes hunos, no século V, um povo vindo das estepes asiáticas, pressionou ainda os diversos povos que já se encontravam espalhados dentro e fora das fronteiras do Império Romano, ora como aliados ora como invasores.

Os hunos eram liderados por Átila, o Flagelo de Deus, como ficaria conhecido e que a si também se atribui o título de maior líder do capítulo conhecido como Invasões Bárbaras.

Átila também seria eternizado como um dos maiores conquistadores da História, apesar do seu breve reinado e da decadência dos hunos.

invasões bárbaras os hunos
O exército huno, típico das Estepes Asiáticas, era extremamente veloz e cruel com os adversários que se opunham às suas exigências. Créditos: autoria desconhecida.

5. SAQUES DE ROMA: VISIGODOS E VÂNDALOS

Sem dúvida um dos fatos que assinalaram a decadência do império e que mostrou a outros povos bárbaros que os romanos estavam fadados à ruína, foi o primeiro saque do século V (saque visigodo de 410).

Roma só havia saqueada uma vez na sua história e há 800 anos, quando os gauleses liderados por Breno adentraram na ainda simples e em formação república romana em 390 a.C.

5.1 Visigodos saqueiam Roma em 410

Liderados pelo hábil Alarico I, rei visigodo que havia servido sob o comando do imperador Teodósio, o Grande, liderando uma das tropas auxiliares de Roma por anos, conhecia profundamente a estrutura romana.

Alarico se mostrava fiel, mas desconte com as promessas não cumpridas ao seu povo. Então, em 24 de agosto de 410 o saque foi feito e é considerado o marco da decadência romana.

5.2 Vândalos saqueiam Roma em 455

Em 455 foi a vez de outro povo germânico, os Vândalos, saquear a Cidade Eterna de Roma.

O chamado mestre das espadas e rei vândalo, Genserico, havia conseguido invadir a península itálica através do mar, o que para muitos estudiosos no tema mostra a sofisticação desse povo.

Durante 14 dias os vândalos saquearam os tesouros da cidade e enviaram milhares de escravos à cidade de Cartago, agora domínio vândalo. Até a imperatriz, Licínia Eudóxia, e suas filhas foram sequestradas.

O saque teria sido tão devastador que o termo vândalo ainda hoje se mostra como alguém que se comporta de modo destrutivo e que não respeita as regras legais ou mesmo sociais.

Entretanto, recentemente se tem atenuado a tamanha destruição causada por Genserico, que teria feito um saque mais limpo que o visigodo, contudo, saqueado muito mais.

saque vândalo a roma
O segundo golpe fatal que reafirmou que Roma era uma cidade condenada: o saque dos Vândalos em 455. Créditos: Genserico saqueia Roma em 455, de Karl Briullov / Galeria Estatal Tretyakov, Moscou, Rússia.

6. QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

O Império Romano havia sido divido em duas partes pelo imperador Teodósio I, a Ocidental e a Oriental. Enquanto aquela caminhava para o seu fim, fato ocorrido em 476, o segundo, após uma série de reformas internas e externas, manteve-se bem defendido atrás de suas impressionantes muralhas.

Com uma sucessão de hábeis imperadores, a oriental sobreviveria sob o nome de Império Bizantino.

7. COMO FICOU O TERRITÓRIO DO IMPÉRIO ROMANO APÓS AS INVASÕES BÁRBARAS?

Digamos que não tenha restado pedra sobre pedra (muitas cidades, na verdade, foram ocupadas pelos povos invasores).

Os povos germânicos tomaram conta da Europa e do norte da África em uma surpreendente onda migratória predatória atrás de terras férteis e um lugar para chamar de seu.

Os habitantes das cidades, principalmente as maiores, buscaram refúgio em regiões mais isoladas na tentativa de se defender do caos que imperava nas antigas possessões romanas.

Esses isolamentos acabaram por ser um dos ingredientes que constituiriam os chamados feudos e vassalagem do Feudalismo.

Invasões Bárbaras em Roma
As migrações e conquistas dos povos bárbaros durante as chamadas Invasões Bárbaras, que dilaceraram o antigo e glorioso Império de Roma e tomaram para si os territórios antes pertencentes a outros povos também chamados de bárbaros pela cultura greco-romana. Créditos: Voelkerwanderungkarte.png / Wikimedia Commons.

8. COMO FICOU O CRISTIANISMO NA EUROPA APÓS AS INVASÕES BÁRBARAS?

Para alguns, tratou-se de uma grande surpresa a sobrevivência do Cristianismo. Contudo, bem antes da queda de Roma, diversas comissões haviam sido enviadas aos povos germânicos com propósitos de conversão.

Antes mesmo da queda de Roma, muitos líderes bárbaros já haviam se convertido ao Cristianismo, sendo os francos fundamentais no processo de consolidação da Igreja Católica.

Além disso, no Oriente, em Bizâncio, o Cristianismo Ortodoxo continuava a propagar sua fé e estava bem defendido atrás de suas imponentes muralhas.


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REFERÊNCIA(S):

BEARD, Mary. SPQR: uma história de Roma Antiga. trad. Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2017.
CAWTHORNE, Nigel. As Maiores Batalhas da História: Estratégias e Táticas de Guerra que Definiram a História de Países e Povos. trad. Glauco Peres Dama. São Paulo: M. Books, 2010.
CUMMINS, Joseph. As Maiores Guerras da História. trad. Vania Cury. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica II: História de Roma. Petrópolis: Vozes, 1965.
GIORDANI, Mário Curtis. História dos Reinos Bárbaros I. Petrópolis: Vozes, 1993.
GOLDSWORTHY, Adrian. Em nome de Roma: conquistadores que formaram o Império Romano. trad. Claudio Blanc. São Paulo: Planeta do Brasil, 2016.
KULIKOWSKI, Michael. Guerras Góticas de Roma. trad. Glauco Micsik Roberti. São Paulo Madras, 2008.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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