Guerras Púnicas: Roma e Cartago em guerra (Resumo)

Guerras Púnicas Cartago e Roma
Resumo das Guerras Púnicas: Roma x Cartago e a disputa de poder. Três conflitos, três vitórias romanas e a destruição de Cartago. Créditos: autoria desconhecida. Créditos: autoria desconhecida.

Guerras Púnicas: Roma e Cartago em rota de colisão e o comércio do Mediterrâneo em jogo. Três conflitos, três vitórias romanas e a ruína de Cartago que foi literalmente varrida do mapa.

As Guerras Púnicas ocupam lugar de destaque entre os vários conflitos em que Roma se envolve no período republicano. A partir dessas guerras, os romanos vão, gradualmente, desenvolvendo táticas de seu exército e definindo suas estratégias de ocupação nos territórios conquistados, expandindo assim os limites de suas conquistas.
Para que se tenha uma ideia da importância dessas guerras, basta pensarmos que antes da Primeira Guerra Púnica os romanos não haviam saído, ainda, da Península Itálica, e ao final da Terceira Guerra já haviam submetido o norte da África, a Península Ibérica e estavam dirigindo seus olhares para terras mais distantes como a Britannia (atual Inglaterra) e regiões mais orientais”. (GARRAFFONI, 2011, p. 56, grifo nosso)

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SUMÁRIO DAS GUERRAS PÚNICAS

1. O que foram as Guerras Púnicas?
2. Cartago
3. Roma
4. Causas das Guerras Púnicas: influência e riqueza
5. Estopim das Guerras Púnicas
6. Primeira Guerra Púnica (264 a 241 a.C.)
⠀⠀6.1 Roma toma a Sicília de Cartago
⠀⠀6.2 Roma recria sua marinha de guerra para enfrentar a marinha cartaginesa
⠀⠀6.3 Os romanos vencem os cartagineses no seu domínio: o mar
⠀⠀6.4 Xantipo e Amílcar Barca defendem Cartago
⠀⠀6.5 Fim da Primeira Guerra Púnica
7. Segunda Guerra Púnica (218 a 201 a.C.)
⠀⠀7.1 O que foi a Segunda Guerra Púnica?
⠀⠀7.2 Causas da Segunda Guerra Púnica
⠀⠀7.3 Estopim da Segunda Guerra Púnica: Aníbal Barca conquista a cidade de Saguntum
⠀⠀7.4 A incrível jornada: Aníbal Barca cruza os Pirineus e os Alpes
⠀⠀7.5 Um tremendo susto e o contra-ataque de Roma
⠀⠀7.6 Roma conquista a Hispânia e invade Cartago
⠀⠀7.7 Aníbal e Cipião: amigos
8. Terceira Guerra Púnica: a destruição de Cartago
⠀⠀8.1
O que foi a Terceira Guerra Púnica?
⠀⠀8.2
Causas da Terceira Guerra Púnica: “Cartago deve ser destruída”.
⠀⠀8.3
Cerco e destruição de Cartago
9.
Legado das Guerras Púnicas
Referências

1. O QUE FORAM AS GUERRAS PÚNICAS?

As Guerras Púnicas, ou Guerras Romano-Cartaginesas, foram três grandes conflitos entre os anos de 264 e 146 a.C., envolvendo Roma e Cartago nos quais a república romana foi vitoriosa e Cartago destruída.

Ambas as cidades se encontravam em franca expansão no século III a.C. e um conflito armado parecia inevitável, apesar de inicialmente terem relações amistosas.

Nessa série de conflitos os romanos não só venceram seu adversário mais forte e próximo, como se expandiram de forma gigantesca e lucraram muito com escravos e tributos, de modo a mudar significativamente as estruturas da própria república romana.

A guerra tem o nome púnica (de punicus, em latim), porque era como os romanos, que venceram a guerra, referiam-se aos cartagineses.

2. CARTAGO

A cidade Cartago (atual Tunísia), no século III a.C., já era uma potência marítima e comercial, que havia deixado de ser uma mera colônia dos fenícios para controlar o oeste do Mar Mediterrâneo.

Além da parte oeste do Mediterrâneo, Cartago possuía direta ou indiretamente controle e postos comerciais em diversas regiões que circundavam a península itálica, como a Sardenha, a Córsega e a própria Sicília (imediatamente ao sul do território coligado à cidade de Roma).

Os navegadores cartagineses, como demandava a tradição fenícia, eram extremamente competentes no comércio e trato sobre o mar.

Com o notável expansionismo romano dos dois últimos séculos após a queda da monarquia romana, Cartago assistiria com desconfiança as ações romanas que, apesar de ser uma república, estava começando a se comportar como um império conquistador na prática.

Cartago temia que suas zonas de influência, sobretudo próximas de Roma, fossem dominadas ou simplesmente mudassem de lado, o que afetaria diretamente a sua economia.

porto de cartago
Porto da antiga cidade de Cartago era considerado uma obra-prima da Antiguidade. Com capacidade para abrigar centenas de navios de comércio e guerra, mostrava bem o poderio da cidade fenícia. Créditos: autoria desconhecida.

3. ROMA

Roma, por sua vez, via-se cada vez mais cercada pela influência cartaginesa e esse fato seria pauta de discussão corriqueira no próprio Senado romano.

A jovem república, já calejada por tantos conflitos na própria Península Itálica, detinha um poderoso exército terrestre e desejava ampliar sua zona de influência no mundo mediterrâneo.

Assim como a rival Cartago, Roma, com a sua península controlada, agora possuía interesses comerciais no Mar Mediterrâneo, apesar de sua frágil marinha (“frágil” para não falar coisa pior).

Ao se dirigir ao sul da península italiana, o choque com Cartago se mostrou inevitável, como era de se esperar, mas Roma desejava barganhar ou mudar a situação a seu favor.

Guerras Púnicas romanos e gauleses em combate
Legionários enfrentando gauleses ao norte da Península Itálica. Os Gauleses faziam incursões corriqueiramente contra as cidades da península e chegaram a saquear a própria Roma em 390 a.C. sob a liderança de Breno. Durante as Guerras Púnicas, sobretudo na segunda, os gauleses se juntaram ao exército de Aníbal Barca. Observação: a imagem sofre com anacronismo e imprecisão, sendo meramente ilustrativa. Créditos: autoria desconhecida.

4. CAUSAS DAS GUERRAS PÚNICAS: INFLUÊNCIA E RIQUEZA

O mar Mediterrâneo, ligando três continentes (Europa, África e Ásia) e milhares de ilhas e ilhotas, representava uma tremenda chance de riqueza e conhecimento.

A simples participação comercial já possibilitava grandes lucros e materiais exóticos que eram escoados pelo mar. Objetos que eram produzidos e transportados do interior dos continentes para que fossem comercializados no lucrativo comércio marítimo.

A magnitude comercial que representa o mar Mediterrâneo é imensurável e ainda hoje em dia as nações estão em conflito por seu domínio e capacidade de exploração.

Mar Mediterrâneo, Sícilia Roma e Cartago
A ilha da Sicília, localizada entre as duas potências, não só era uma localidade estratégica para os militares, como também privilegiada para o comércio. Créditos: autoria desconhecida / Acréscimos: Eudes Bezerra.

5. ESTOPIM DAS GUERRAS PÚNICAS

Não se sabe ao certo o motivo do início dos conflitos púnicos, contudo, o mais trabalhado seria a intervenção romana em Messana, uma cidade de influência cartaginesa ao sul da Itália.

A cidade de Messana (hoje Messina), localizada na Sicília e ponto chave da ponta da bota italiana (o mapa territorial da moderna Itália muitas vezes é chamado de bota pelo seu caráter peculiar), causava um sério desconforto nos romanos que suspeitavam de um desembarque militar de Cartago (o que nunca aconteceu).

Messana representava uma verdadeira divisão de influência entre Roma e Cartago, tendo as duas rivais um acordo que a partir de 306 a.C. teria sido violado diversas vezes por parte dos romanos, que alegavam não existir nada que os impedisse de “avançar”.

Visando se resguardar, ou não, Roma decidiu apoiar seus “aliados” mamertinos na mesma região, que se encontrava naturalmente sob o controle e fiscalização de tropas a serviço de Cartago.

Além disso, Roma pôs seu exército em marcha em direção à Sicília, o que deflagrou a primeira fase da Primeira Guerra Púnica. Ao que parece, sem declaração de guerra.

6. PRIMEIRA GUERRA PÚNICA (264 A 241 A.C.)

6.1 Roma toma a Sicília de Cartago

Os romanos marcharam sobre a Sicília sem declaração de guerra e conseguiram expulsar as tropas cartaginesas, extinguindo a influência cartaginesa e criando laços para si própria na região via força bruta.

Cartago tentou uma negociação, mas os romanos estavam determinados a avançar e novamente combates rápidos e sangrentos ocorreram sob o comando do cônsul romano Ápio Cláudio Caudex.

Roma conseguiu que as cidades que apoiavam Cartago se tornassem suas aliadas (por bem ou por mal), cidades bem importantes como a de Siracusa, cujo próprio rei sofreu um forte ataque romano e fugiu para sua cidade, deixando Cartago na mão.

Cartago, que não encarava a guerra como Roma*, prontamente pôs se em organização vista a imensa superioridade naval que detinha e que provavelmente os romanos não conseguiriam transpor e assim invadir a própria Cartago, na costa africana.

*A sociedade romana sempre, ou quase sempre, estive ligada ao combate, à guerra. Os romanos se viam, inclusive, como filhos de Marte, o Deus da Guerra (equivalente ao deus Áries na Mitologia Grega). Tratava-se de uma sociedade ideologicamente guerreira.

Guerras Púnicas na Sicília
Campanha de Ápio Cláudio Caudex na Sicília, que marcou o início da Primeira Guerra Púnica (Guerras Púnicas de modo geral). Créditos: Romanarrival / Creative Commons.

6.2 Roma recria sua marinha de guerra para enfrentar a marinha cartaginesa

Diferentemente do seu orgulhoso e bem treinado exército terrestre, a frota naval romana era de longe muito inferior à cartaginesa.

Entretanto, os romanos teriam se valido de algumas embarcações cartaginesas apreendidas e encalhadas na Sicília e na península italiana para criar as suas cópias e versões para o seu tipo de combate: o corporal.

Roma, que até então havia se limitado à península italiana, foi obrigada a se transformar em um poder marítimo.

Já foi dito que os romanos velejavam como um tijolo na água: sua falta de habilidade para manter os barcos flutuando a não ser em águas mais calmas fez com quem perdessem exércitos inteiros por causa de naufrágios”. (MATYSZAK, 2013, p. 16, grifo nosso)

Os resultados da nova frota romana se mostrariam fundamentais no campo de batalha. Os cartagineses (e demais povos), por sua vez, esperavam vitórias cartaginesas com certa naturalidade.

6.3 Os romanos vencem os cartagineses no seu domínio: o mar

Os romanos criaram alguns barcos bem específicos onde uma plataforma era lançada e fincada com um ganho (chamado de corvus) sobre a embarcação adversária, fazendo com que o seu exército terrestre pudesse ser usado em alto mar.

Essa tática se revelou um choque para os cartagineses que foram surpreendidos e vencidos por um poder naval até então ignorado.

A Sicília e a península itálica, assim como a Sardenha e a Córsega, estavam eficientemente ocupadas por tropas romanas e bloqueadas pela nova esquadra que se posicionava contra a Cartago atônita.

Até próximo do fim da guerra combates ocorreriam nessas ilhas, mas com Roma na dianteira, mesmo que em alguns pontos não conseguissem vencer determinados comandantes, como Amílcar Barca que teria se retirado invicto dos combates contra as legiões romanas.

barco romano com corvus nas guerras púnicas
Retratação do navio romana com o corvus (ponte e gancho para fixar sobre a embarcação adversária para permitir a invasão da infantaria sobre o convés atacado). Repare nas semelhanças com as embarcações gregas e fenícias. Créditos: autoria desconhecida.

6.4 Xantipo e Amílcar Barca defendem Cartago

A partir de 256 a.C., uma série de vitórias de Roma fez Cartago ficar em uma perigosa guerra defensiva.

Os romanos chegaram bem perto de vencer Cartago de forma decisiva neste primeiro confronto, entretanto, os cartagineses haviam contratado reforços valiosos, como o general espartano Xantipo, um mercenário conhecido por suas excepcionais capacidades de comando, que refutou todas as investidas romanas na costa africana.

Nesta época, o proeminente Amílcar Barca, pai de Aníbal Barca, também desempenhou um papel fundamental para a desistência de invasão por parte de Roma e conseguiu se estabelecer na Hispânia (Península Ibérica).

6.5 Fim da Primeira Guerra Púnica

Sem conseguir avançar e com os enormes custos da guerra cada vez maiores, os romanos decidiram acatar o armistício cartaginês, que reconhecia o domínio de Roma sobre a Sardenha, Córsega e Sicília.

Além disso, os cartagineses foram obrigados a pagar tributos à República Romana e amargaram a perda de sua incrível marinha mercantil (destruída nos combates), assim como seus marinheiros experientes.

7. SEGUNDA GUERRA PÚNICA (218 – 201 A.C.

Guerras púnicas
A segunda leva de Guerras Romano-Cartaginesas foi a mais sangrenta e costumeiramente mais estudada entre as três, principalmente por conta dos incríveis feitos de Aníbal Barca. Nesta guerra púnica os cartagineses acabariam encaminhados à destruição, fato ocorrido durante o último confronto: a Terceira Guerra Púnica. Créditos: autoria desconhecida.

7.1 O que foi a Segunda Guerra Púnica?

A Segunda Guerra Púnica, ocorrida entre 218 e 201 a.C., levou romanos e cartagineses ao decisivo resultado, onde Cartago teria seu poder extremamente reduzido ao passo que Roma se tornaria a maior potência do Mediterrâneo.

A Segunda Guerra Púnica é, de longe, a mais famosa das três guerras, onde o habilidoso e ousado general cartaginês, Aníbal Barca, teria chegado bem próximo de pôr Roma de joelhos, mostrando-se praticamente invencível em campo de batalha.

Contudo, a guerra findou com Cartago humilhada e presa a termos condicionais impossíveis de serem cumpridos, como a proibição de pegar em armas, mesmo que para se defender de adversários externos.

mapa das guerras púnicas
Mapa dos domínios territoriais romanos e cartagineses no início da Segunda Guerra Púnica. Créditos: autoria desconhecida.

7.2 Causas da Segunda Guerra Púnica

A Primeira Guerra Púnica havia terminado com a vitória de Roma, no entanto, tratava-se de uma vitória onde os próprios romanos foram incapazes de marchar sobre Cartago completamente derrotada.

Como já visto acima, Roma havia controlado, ou vinha influenciando diretamente, as importantes ilhas da Sicília, Córsega e Sardenha, o que representou um duro golpe na economia cartaginesa.

Mas a própria Cartago, ainda durante a Primeira Guerra Púnica, conseguiu se estabelecer na Península Ibérica, trazendo uma lucrativa fonte de prata para a sua economia.

Desta forma, a rivalidade permaneceu acesa e o pontapé inicial para a Segunda Guerra Púnica foi dada pelo jovem general africano, Aníbal Barca.

7.3 Estopim da Segunda Guerra Púnica: Aníbal Barca conquista a cidade de Saguntum

O general Aníbal Barca, filho do generalíssimo Amílcar Barca, recebeu o comando das tropas cartaginesas na Península Ibérica e surpreendeu os romanos, a começar pelos próprios soldados cartagineses.

Aníbal compreendeu e difundiu que força das legiões romanas vinha do controle da própria Península Itálica (não confundir com Ibérica) e pôs em execução seu ousado plano que ainda hoje retumba na história pela audácia.

Após sitiar por 8 meses a fortificada e bem posicionada cidade de Saguntum no alto de uma colina em 219 a.C., Aníbal atraiu os romanos para a guerra.

Entretanto, muito diferentemente do que os romanos esperavam: Aníbal deu início à invasão da Itália por terra, mesmo com o inverno batendo à porta, o que era inesperado (e fato desconhecido) pelos romanos que esperavam que os cartagineses só fariam alguma investida na primavera.

Aníbal Barca em Saguntum na Segunda Guerra Púnica
Representação dos clássicos elefantes de guerra de Aníbal na cidade de Saguntum. Créditos: autoria desconhecida.

7.4 A incrível jornada: Aníbal Barca cruza os Pirineus e os Alpes

A loucura aparente de Aníbal de cruzar os Pirineus e os Alpes com 40-50 mil soldados e cerca de 40 elefantes de guerra marcou para sempre a história militar e serviu de movimento de arrojo para comandantes do calibre de Napoleão Bonaparte, por exemplo.

Em sã consciência, a travessia com um exército tão grande, diverso e longe de casa seria suicídio, ainda mais se tratando de um exército que nunca tinha visto e sentido o severo inverno dos Alpes com as suas temperaturas negativas.

Mas Aníbal não só conseguiu atravessar, como também desceu os Alpes infligindo pesadas perdas aos romanos que não acreditavam no que estavam vendo: estavam sendo derrotados sucessivamente em seu próprio território por um inimigo do norte da África que tinha atravessado os Alpes durante o inverno.

rota de Aníbal na Segunda Guerra Púnica
O audacioso plano do cartaginês Aníbal Barca pegou os romanos de surpresa, causando um tremendo pavor na península e gerando até castigos como “Aníbal vem te buscar!”, para as crianças supostamente “desobedientes”. Créditos: autoria desconhecida.

A visão estratégica e a determinação de Aníbal foram tão contundentes que Roma evitaria confrontos diretos contra o exército invasor.

Para se ter uma ideia, em apenas algumas horas, Aníbal arrasou 8 legiões romanas com um exército bem menor. Foram entre 60 a 70 mil romanos massacrados na Batalha de Canãs, em 216 a.C.. Batalha esta que ainda hoje é ensinada nas academias militares.

Batalha de Canãs na Segunda Guerra Púnica
Esse número de baixas tão elevado em um curto prazo de tempo só seria repetido mais de 2 mil anos depois, por ocasião da Batalha do Rio Somme (1916), durante a Primeira Guerra Mundial, quando os alemães trucidaram aproximadamente 67 mil britânicos somente no primeiro dia de batalha. Créditos: autoria desconhecida.

7.5 Um tremendo susto e o contra-ataque de Roma

Logo no início da guerra os romanos se mostraram prontos para o combate, entretanto, tiveram um tremendo susto quando descobriram que Aníbal estava cruzando os Alpes já próximo de descer sobre a Península Itálica (e só teriam descoberto isso quando chegaram à Hispânia).

Roma aguardava uma guerra defensiva da parte de Cartago tanto na Hispânia quanto em Cartago, mas havia sido grandemente enganada pela astúcia de Aníbal que fez o impensável (e proibitivo).

Os romanos reconheceram que Aníbal era um comandante incrível, mas sabiam que a principal rota de suprimentos de Aníbal se encontrava na Hispânia, para onde enviariam as suas algumas legiões romanas.

Outro plano de ataque foi um desembarque contundente, dessa vez contra a própria Cartago, onde os preparativos para um grande desembarque foram cuidadosamente preparados.

7.6 Roma conquista a Hispânia e invade Cartago

Os Romanos começaram a mudar o jogo ao tomar a Hispânia dos cartagineses, onde o irmão de Aníbal, Asdrúbal Barca, acabou morto.

Asdrúbal não se encontrava à altura do irmão e as legiões romanas rapidamente varreram suas posições cartaginesas da região.

Tratou-se de um duro golpe, que isolou as tropas de Aníbal que tentavam sem muito sucesso conseguir aliados na própria Itália, apesar da conquista impositiva de diversas cidades.

Apesar dos combates nas penínsulas ibéria e itálica, o confronto decisivo ocorreria na costa africana por ocasião da Batalha de Zama em 202 a.C., onde os romanos finalmente triunfariam sob o controle de Cipião Africano.

Com a decisiva vitória em Zama, os romanos venceram a guerra e Cartago nunca mais se reestruturaria, sendo assinalado o declínio de sua sociedade, ainda que a Terceira Guerra Púnica viesse a ocorrer.

Batalha de Zama nas Guerras Púnicas
A vitória romana em Zama (202 a.C.) selou a Segunda Guerra Púnica, que ainda se arrastaria ao ano seguinte, 201 a.C.. Créditos: autoria desconhecida.

7.7 Aníbal e Cipião: amigos

Uma inesperada e estranha amizade teria surgido do conflito: a amizade de Cipião Africano, que ganhou a honra de usar o termo “Africano” no sobrenome, por vencer Cartago e Aníbal.

Apesar dos lados opostos, os comandantes se respeitavam e teriam se tornados grande amigos pelo resto da vida, embora Aníbal ainda tivesse tentado novas tropas no Oriente Médio para atacar Roma durante o restante de sua vida.

Aníbal, logo jovem, havia feito um juramento de aço e fogo eterno contra Roma, juramento realizado diante do seu pai, Amílcar Barca.

8. TERCEIRA GUERRA PÚNICA: A DESTRUIÇÃO DE CARTAGO

Guerras Púnicas: Cerco romano a Cartago
Terceira Guerra Púnica marcou definitivamente o fim da civilização cartaginesa, que foi pilhada, abusada e vendida como escrava. Até o solo foi salgado. Créditos: autoria desconhecida.

8.1 O que foi a Terceira Guerra Púnica?

O mais curto e definitivo conflito entre Roma e Cartago, no qual Roma seria contemplada com amplos domínios e Cartago seria destruída.

A Terceira Guerra Púnica ocorreu entre os anos de 149 e 146 a.C., culminando com a derrota total de Cartago sob o lema de “Cartago deve ser destruída”, que circularia pelo Senado de Roma de propósito do senador Catão.

Tratou-se basicamente de um cerco à cidade de Cartago que testou bastante a perícia romana, mas uma vez dentro da cidade os romanos reduziram a cidade a pó, restando poucos vestígios da suntuosa cidade de um século atrás.

8.2 Causas da Terceira Guerra Púnica: “Cartago deve ser destruída”.

Os termos da Segunda Guerra Púnica haviam sido bem diferentes dos termos da Primeira Guerra. Dessa vez os romanos conseguiram impor tributos altos e uma série de dificuldades que não deixaria a cidade cartaginesa se erguer economicamente.

Roma enviava comissões regulares para assegurar os termos do tratado e algumas dessas comissões teriam visto a rápida adequação de Cartago, que elaborou uma fértil agricultura a impressionar Roma, principalmente o senador Catão (que desejava a destruição de Cartago a todo custo).

De volta à Roma, Catão teria inflamado os demais senadores acerca da destruição cartaginesa total para que a própria Roma vivesse livre da ameaça que futuramente poderia surgir.

Contudo, Roma não tinha motivos para quebrar o pacto de paz com Cartago, mas, por surpresa ou acordo secreto, o rei da Numídia, Massinissa, um antigo aliado e posteriormente traidor de Aníbal na Batalha de Zama, investiu contra os domínios cartagineses.

Os cartagineses naturalmente se defenderam e a proibição de portar armas do tratado de paz com Roma estava quebrada.

Cartago tentou negociar, mas a intenção de Roma era guerra: nova guerra contra Cartago.

8.3 Cerco e destruição de Cartago

Os romanos desembarcaram e levantaram um cerco à cidade fortificada de Cartago, onde depositaram três longos anos de investimentos e reinvenção da própria técnica de cerco romano.

Todo cidadão cartaginês tomou partido na defesa da cidade, mas Roma finalmente venceu como era de se esperar.

A cidade de Cartago foi completamente saqueada e destruída, arrasada até o chão. Os campos foram salgados e a população morta ou escravizada.

9. LEGADO DAS GUERRAS PÚNICAS

Após as três Guerras Púnicas, Roma havia se tornado a potência absoluta do Mar Mediterrâneo e seus domínios ainda se estenderiam bastante, sobretudo no Oriente, na Gália (“França”) e na Bretanha.

Se pensarmos por uma perspectiva mais ampla, a vitória sobre Cartago abriu caminhos para que os romanos se tornassem ainda mais poderosos e passassem a influenciar grande extensão territorial, podendo transmitir muito de seu legado cultural ainda hoje presente no Ocidente:

Por exemplo, muitas línguas faladas hoje são derivadas do latim, assim como o sistema jurídico de diversos países ocidentais é constituído a partir das bases do direito romano”. (GARRAFFONI, 2011, p. 73)

Roma, com seus feitos, gloriosos ou não, moldou um mundo de tal forma que sua influência até hoje é vista nos mínimos detalhes.


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REFERÊNCIA(S):

BEARD, Mary. SPQR: uma história de Roma Antiga. trad. Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2017.
CUMMINS, Joseph. As Maiores Guerras da História. trad. Vania Cury. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.
GARRAFFONI. Renata Senna. Guerras Púnicas. In.: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. 5 ed. São Paulo: Contexto, 2011.
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através do Tempo. trad. Roger dos Santos. São Paulo: M. Books, 2005.
GIORDANI, Mário Curtis. Antiguidade Clássica II: História de Roma. Petrópolis: Vozes, 1965.
GOLDSWORTHY, Adrian. Em nome de Roma: conquistadores que formaram o Império Romano. trad. Claudio Blanc. São Paulo: Planeta do Brasil, 2016.
VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.
WEIR, William. 50 Líderes Militares que Mudaram a História da Humanidade. trad. Roger Maioli dos Santos. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2009.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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