Arqueologia: Conceito e características (Resumo)

descoberta arqueológica da tumba intacta de Tutancâmon por Howard Carter
A Arqueologia é o estudo do passado através de vestígios materiais, caracteriza-se pela interdisciplinaridade, como a História. Créditos: / Montagem: Eudes Bezerra.

A Arqueologia é o estudo do passado através de vestígios materiais deixados ao longo do tempo e na maioria das vezes de forma espontânea.

Por vezes, trazem registros de alto valor que pode fornecer informações importantíssimas para a compreensão do passado do ser humano.

A arqueologia pode estudar outras formas de vida, desde que estejam, estritamente, ligadas ao ser humano.

Boa leitura!

TÓPICOS SOBRE A ARQUEOLOGIA

1. Glossário: Objeto de estudo – o que é um objeto de estudo?
2. Afinal, o que é a Arqueologia?
3. O que são artefatos, recursos, sítio arqueológico e contexto histórico?
⠀⠀3.1 Artefato histórico
⠀⠀3.2 Recurso
⠀⠀3.3 Sítio Arqueológico
⠀⠀3.4 Contexto histórico
4. Sítios arqueológicos no Brasil
5. A história da arqueologia: coleções de antiguidade
6. A história da arqueologia: início do estudo da estratigrafia
7. A história da arqueologia: arqueologia como disciplina
8. A Arqueologia sendo aperfeiçoada: novos instrumentos e técnicas
Referências

1. GLOSSÁRIO: OBJETO DE ESTUDO – O QUE É UM OBJETO DE ESTUDO?

Uma breve e didática introdução acerca do que é um objeto de estudo, que nada mais é do que a delimitação do campo de pesquisa e estudo realizado por qualquer ciência.

Tratando em termos simples, cada ciência possui seus objeto e métodos científicos de pesquisa e estudo próprios, mas que também podem ser auxiliados por outras ciências.

Por exemplo, a Paleontologia estuda seres que viveram em um passado remoto, como os dinossauros e tantos outros, desde que não sejam seres humanos.

A História, na sua vez, dedica-se ao estudo do ser humano em todas as suas fases (Pré-História e História), por isso o objeto da História: o ser humano no decorrer do tempo.

fóssil de tiranossauro rex da paleontologia e não arqueologia
A Arqueologia, a Antropologia, a Paleontologia e a História são ciências que costumam trabalhar juntas, caracterizando-se pela interdisciplinaridade, mas que possuem objetos de estudos próprios. Créditos: David Monniaux / Wikimedia Commons. 

2. AFINAL, O QUE É ARQUEOLOGIA?

A arqueologia é uma ciência que estuda, através do estudo de vestígios materiais, a cultura de povos do passado.

Igualmente, a Arqueologia se caracteriza por sua interdisciplinaridade ao auxiliar diversas outras ciências por sua capacidade de investigar qualquer época do passado.

Exemplos simples de vestígios encontrados no nosso dia a dia:

  • Habitações;
  • Utensílios;
  • Arte;
  • Lixo;
  • Entre outras coisas.

A Arqueologia se divide em dois grandes grupos: a Arqueologia Pré-Histórica e a Arqueologia Histórica.

A Arqueologia Pré-Histórica foca o seu estudo nos povos e períodos sem a presença da escrita (por isso chamada de pré-histórica).

Por sua vez, sobre a Arqueologia Histórica, a sua pesquisa recai sobre qualquer sociedade a partir da invenção da escrita.

Essa divisão entre antes e depois da invenção da escrita pode ser algo simples, mas é extremamente complexo e por isso a existência da Arqueologia.

Usualmente, o campo de atuação mais importante é a arqueologia pré-histórica, já que não há escrita desenvolvida ou ela não foi preservada com o tempo.

lixo como evidência para a arqueologia
O lixo é uma fonte arqueológica incrível, sendo capaz de desmentir todos os registros e palavras ditas. Enquanto o lixo é produzido de maneira espontânea e até irresponsável, os registros são, por vezes, extremamente parciais, intencionais e mentirosos. Créditos: Pixabay. 

3.O QUE SÃO ARTEFATOS, RECURSOS, SÍTIO ARQUEOLÓGICO E CONTEXTO HISTÓRICO

3.1 Artefato histórico

Dentro da arqueologia, há alguns conceitos principais, começando pelo artefato histórico.

É considerado artefato histórico qualquer objeto produzido, modificado ou utilizado por seres humanos, que posteriormente é analisado para revelar como e por que da sua utilização.

Moedas holandesas (numismática) do Instituto Ricardo Brennand Recife como referência arqueológica
Uma simples moeda (numismática) cunhada há milênios pode indicar determinadas representações da época, como algo positivo ou negativo acerca de determinada pessoa. Créditos: Eudes Bezerra / Moedas holandesas cunhadas em Recife / Instituto Ricardo Brennand (Castelo de Brennand), Recife, Pernambuco. 

3.2 Recurso

Quando o artefato não é portátil, essa subdivisão é chamada de recurso, sendo igualmente uma grande fonte de informações no sítio arqueológico.

Os recursos incluem manchas no solo, estruturas, cercas, etc., como costumeiramente vemos em escavações em filmes.

3.3 Sítio Arqueológico

O sítio arqueológico, por sua vez, é algo extraordinário para as mais diversas ciências, o que inclui a Arqueologia.

Trata-se de um amplo território no qual se pode encontrar inúmeros vestígios das atividades humanas de outrora.

Isto é, uma dada região onde viveu um ou vários grupos, como, analogamente falando, um zoológico rico em diversidade de fauna e flora.

Mesmo sendo o zoológico algo artificial, foi projetado e produzido pelo ser humano, o que já se indica a finalidade e o objetivo.

Possivelmente, os zoológicos podem não mais existir em algumas centenas de anos.

Assim, podem vir a se tornar objeto de estudo a ser realizado pela Arqueologia e outras ciências, como ocorre nos antigos e extintos “zoológicos” onde os humanos de etnias marginalizadas eram as atrações.

Afinal, estudamos a Antiguidade e seus diversos elementos, como a República ou o Império Romano.

No entanto, Roma sumiu do mapa há mais de 1.500 anos e ainda hoje escavações são realizadas e sempre aparece algo novo, como a redescoberta da incrível cidade de Pompeia.

Ou seja, o sítio histórico, sendo pré-histórico ou não, é rico em informações de dada época, sendo especialmente importante para quando não se tinha registros escritos.

O tamanho do sítio não importa na definição, podendo ser grande e complexo, como assentamentos pré-históricos ou uma pilha de ferramentas de pedra lascada (Período Paleolítico).

rua da cidade romana de pompeia como objeto da arqueologia
A antiga e próspera cidade romana de Pompeia, soterrada pelo Vulcão Vesúvio, é um raro caso em que podemos literalmente voltar no tempo. Créditos: autoria desconhecida. 

3.4 Contexto Histórico

Por fim, há o contexto histórico, que se trata da relação dos artefatos entre si e destes com os arredores.

Geralmente, ele é obtido através do registro da localização precisa do artefato antes de sua retirada.

O contexto é importantíssimo para entender a relação entre o artefato e o sítio arqueológico.

A partir dele, faz-se possível compreender melhor o processo de formação da sociedade a qual o objeto pertence.

Isto é, desvendar mínimos detalhes que, quando unidos, podem nos fornecer uma rica fonte de informação do objeto estudado.

4. SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS NO BRASIL

No Brasil, os sítios arqueológicos são protegidos por diferentes mecanismos e órgãos:

  • Decreto-Lei nº 25/37
  • Artigo 216 da Constituição Federal de 1988
  • Lei nº 3.924/61

Para manter e zelar sobre o passado do território pertencente ao Brasil existe o IPHAN*, órgão federal que procura proteger e gerenciar o patrimônio arqueológico brasileiro.

*Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

pintura rupestre como objeto de análise da arqueologia
Segundo o supramencionado instituto, há mais de 26 mil sítios arqueológicos registrados. Créditos: Douglas Iuri Medeiros Cabral / Wikimedia Commons. 

5. A HISTÓRIA DA ARQUEOLOGIA: COLEÇÕES DA ANTIGUIDADE

A arqueologia se tornou sistematizada, recebendo o status de ciência no século XIX, um século famoso pela sistematização de várias ciências e seus métodos, por isso também chamado de o Século da Ciência.

Ainda que com status de ciência no século XIX, seus primeiros estudos arqueológicos podem ser apontados na Idade Moderna da Europa.

Nesse momento, havia um grande interesse renascentista pela cultura da Grécia Antiga e da Roma Antiga.

Dessa forma, diversos príncipes europeus formavam museus e coleções de Antiguidade para obter a fama de cultos e instruídos (importante para a sociedade).

Ricos burgueses, que buscavam se igualar ao status que somente a nobreza detinha, também se tornaram grandes investidores, tornando-se mecenas (uma espécie de patrocinador das artes).

Isso repercutiu diretamente na Arqueologia, já que diversas incursões arqueológicas foram fomentadas e financiadas.

Contudo, a coleta dos objetos era mais relacionada com a História da Arte, visto que havia apenas preocupações estéticas envolvidas.

Por fim, a metodologia científica bem estabelecida — a Arqueologia — só se iniciaria propriamente no século XVIII, recebendo o status de ciência no XIX.

6. A HISTÓRIA DA ARQUEOLOGIA: INÍCIO DO ESTUDO DA ESTRATIGRAFIA

No século XVIII, os achados arqueológicos passaram a ser estudados por meio da localização no solo, onde eram encontrados, antes de serem desenterrados.

Com isso, aumentou a preocupação dos pesquisadores em identificar os períodos históricos.

Dessa forma, iniciou-se o estudo da estratigrafia, que é um ramo da Geologia que estuda a sucessão das camadas ou estratos em um corte geológico.

Sendo assim, o solo onde é encontrado o artefato passa também a ser estudado.

Ainda, não apenas o solo e o seu subsolo são investigados, mas tudo que nele se insere, por exemplo, como árvores e rochas.

estratificação de rocha como uma resposta para a arqueologia
Estratificação do solo é algo extremamente interessante e revela o ocorrido durante diversas eras geológicas, como árvores e rochas que, através de suas camadas, é possível encontrar inúmeros indícios de como foram eras passadas. Créditos: Bill Bachman / Biblioteca De Fotos Científicas. 

7. A HISTÓRIA DA ARQUEOLOGIA: ARQUEOLOGIA COMO DISCIPLINA

No século XIX, a arqueologia moderna é constituída como disciplina científica, isto é, sistematizada.

Isso se deve a três grandes ações:

  • Aceitação da Teoria da Evolução, o que fez com que os pesquisadores dessem mais importância ao estudo de artefatos de tempos mais antigos/remotos; e a 
  • As grandes expedições em busca de tesouros enterrados: Apesar dos aventureiros terem tido pouca preocupação com pesquisas sistemáticas — e não tinham! — sobre as sociedades perdidas.

Essa busca por tesouros, inclusive, causou um dano incalculável às ciências e consequentemente à humanidade.

A tumba sem violações do faraó Tutancâmon, por exemplo, possibilitou entender determinados quebra-cabeças e se tornou uma fonte rica, legítima e primária “enviada” diretamente do Egito Antigo (e isso é incrível!).

Rica e direta por estar sem a interferência indesejada de ladrões e pessoas soberbamente vaidosas (e estúpidas na grande maioria).

descoberta da tumba intacta de Tutancâmon por Howard Carter
A descoberta da tumba intacta de Tutancâmon por Howard Carter é considerada uma das maiores descobertas arqueológicas egiptóloga. Carter deve ter tido até arritmias cardíacas com a descoberta (não tenho dúvida!). Créditos: Harry Burton. 

8. A ARQUEOLOGIA SENDO APERFEIÇOADA: NOVOS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, houve um maior volume de investimentos na estratigrafia e em técnicas de escavação.

Nisso, surgiram novas técnicas de datação, como a datação por carbono 14 ou radiocarbônica.

Com essas ferramentas novas, tornou-se possível estabelecer com mais precisão os períodos aos quais os vestígios pertenciam.

Essa maior precisão representou um grande passo para a Arqueologia e a própria história do planeta.

Além disso, a Arqueologia começou a questionar mais a relação entre a cultura material e o processo de formação da sociedade do qual ela faz parte.


PODE USAR TRECHOS DA MATÉRIA. FIQUE À VONTADE!

Só pedimos que cite o site, bastando fazer do seu jeito ou como no exemplo:

Fonte: Incrível História: https://incrivelhistoria.com.br/

Obrigado!


REFERÊNCIAS SOBRE A ARQUEOLOGIA

BOUDREAU, Diane; Mcdaniel, Melissa; SPROUT, Erin; TURGEON , André. Archaeology. In: National Geographic. Acesso em: 26 jul., 2022.

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. 3ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, 2007.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6. ed., 4ª reim. São Paulo: Contexto, 2021.

SALADINO, Alejandra; PEREIRA, Rodrigo. Arqueologia Histórica. Acesso em: 26 jul., 2022.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 3. ed., 9ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.

SILVA, Alberto da Costa e. A Enxada e a lança: a África antes dos portugueses. 5ed. rev. e ampl.. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

VINCENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.

IMAGEM(NS):
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PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: sítio arqueológico, arqueologia pré-histórica, contexto pré-histórico, metodologia científica, cultura material.

Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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