Crise do Feudalismo: Idade das Trevas? Modernidade?

crise do feudalismo
Crise do feudalismo? Idade das Trevas? Ruptura ou transição para Idade Moderna? Ascensão da burguesia e o fortalecimento dos reis! Créditos: O Triunfo da Morte, Pieter Bruegel, o Velho / Museu do Prado, Espanha / Fotomontagem: Eudes Bezerra.

Crise do feudalismo? Idade das Trevas? Ruptura ou transição para Idade Moderna? Ascensão da burguesia, o fortalecimento dos reis e a criação de exércitos profissionais e regulares: a semente dos Estados Modernos!

No século XIII, várias mudanças levaram ao declínio do feudalismo. O feudo, que originalmente revertia ao senhor com a morte do vassalo, passou a ser cada vez mais um direito hereditário, transmitido do vassalo ao filho.

Dessa forma, a ideia de propriedade do feudo pelo senhor aos poucos se esvaiu.

Ao mesmo tempo, os Estados ficaram mais poderosos e centralizados. Os monarcas poderiam obter dinheiro [da burguesia] para contratar soldados profissionais e, assim, dependiam menos dos barões.

Os reis exigiam exigiram que a lealdade fosse jurada ao Estado, e não a senhores individuais.  (WOOLF, 2014, p. 113, acréscimo nosso)

Boa leitura!

SUMÁRIO DA CRISE DO FEUDALISMO

1. Introdução: Modernidade e Idade das Trevas
⠀⠀1.1 A Modernidade (1453–1789)
⠀⠀1.2 “Idade das Trevas” (476–1453)
2. Crise do Feudalismo
3. Renascimento do comércio e a burguesia
4. Transição da Idade Média para a Idade Moderna
Referências

INTRODUÇÃO: MODERNIDADE E IDADE DAS TREVAS

Cabe, desde o início ressaltar alguns termos que frequentemente incorrem no senso comum, termos como a modernidade e a tão utilizada Idade das Trevas para se referir à Idade Média, principalmente o seu início.

Ainda, nesta matéria abordaremos de modo historiográfico.

1.1 A Modernidade (1453–1789)

A ideia de Modernidade sugere a evolução da sociedade, mas somente no senso comum, visto que, em poucas palavras, estamos na chamada Idade Contemporânea (posterior à Idade Moderna).

A Idade Moderna (1453 a 1789), por vezes, tem o condão discriminatório sobre a Idade Média (O Medievo), ao qual, inclusive, tentou-se ao máximo se afastar da mesma gerando até o termo Idade das Trevas.

1.2 “Idade das Trevas” (476–1453)

A chamada Idade das Trevas em nada tinha disso, sendo inclusive mais uma etapa da evolução histórica do ser humano, que, na Idade Moderna, buscava-se se distanciar e discriminar algo que pariu a própria Idade Moderna.

Durante a Idade Média, ou a infamemente chama Idade das Trevas, muitos dos registros históricos foram preservados e em larga escala pela Igreja Católica, que era a instituição mais poderosa dessa época.

As universidades europeias, por exemplo, sugiram bem antes do auge do Feudalismo e o conhecimento da Idade Antiga (leia-se cultura greco-romana) foi preservado nas abadias (locais de estudos, registro e preservação do conhecimento da Igreja Católica.

crise do feudalismo monge registrando
Monge fazendo registros, algo de extrema relevância e que preservou muitos dos sabedores da Idade Antiga. Créditos: autoria desconhecida.

2. CRISE DO FEUDALISMO

O declínio do Feudalismo não foi rápido, durou séculos, mas teve seu golpe “divisor de eras” no século XIV devido às diversas causas, como a fome, as doenças, como a Peste Negra, e guerras sem-fim, como a Guerra dos Cem Anos.

A base da sociedade feudal era a relação de suserania e vassalavam, que, em outras palavras, representava um miserável regime de servidão aos servos, principalmente nos feudos mais pobres.

O senhor feudal (suserano), dono de terras produtivas, “acolhia” servos (vassalos) em troca do cultivo da terra destinada e cobrava impostos.

Além disso, os servos também tinham a obrigação de defender militarmente o feudo, caso eclodisse alguma guerra (fato bem recorrente na sociedade feudal).

O auge do Feudalismo se encontrou justamente com o seu declínio e crise (entre o fim da Alta Idade Média e Baixa Idade Média), por volta do ano 1000 d.C., visto que uma série de graves fatores afetariam profunda e gravemente o modo feudal.

crise do feudalismo guerra dos cem anos
No século XIV, uma série de, assim por dizer, desgraças, ocorreram, como a Guerra dos Cem Anos, más colheitas e a Peste Bubônica (mais conhecida como Peste Negra). Créditos: Peter Dennis / Osprey.

Tudo isso gerou diversas crises alimentícias em diversos redutos da Europa Feudal e os senhores simplesmente não tinham como controlar ou reprimir, já que eram os próprios vassalos que “possuiriam” as armas do feudo.

As classes mais baixas foram as mais afetadas, criando uma sobrecarga sobre os sobreviventes às doenças e conflitos (e que já eram sobrecarregados e desfrutavam de uma vida praticamente miserável).

As más colheitas, os aumentos sucessivos dos impostos pela nobreza e a redução da força de trabalho gerou revoltas populares em diversas regiões, principalmente nas que atualmente conhecemos como Inglaterra, França e Alemanha.

A Peste Bubônica teria dizimado ao menos um terço da população europeia, principalmente na sua parte ocidental, preparando de vez o terreno para diversas modificações importantes.

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O Triunfo da Morte, Pieter Bruegel, o Velho, que expressa as mazelas que assolaram a sociedade feudal. Obra constante no Museu do Prado, Espanha.

3. RENASCIMENTO DO COMÉRCIO E A BURGUESIA

Em paralelo a isso, uma nova classe ganhava força, a burguesia, que, com o comércio de especiarias sendo estabelecido e cada vez mais cobiçado, acabaria por causar um êxodo rural, onde os camponeses cansados da vida que levavam no campo se mudavam para as cidades.

Nesse momento, quando o comercio florescia, a burguesia ascendia, os camponeses migravam para as cidades, o poder na nobreza era paulatinamente enfraquecido.

A burguesia e os monarcas possuíam interesses comuns e foi bem comum ver monarcas se aliando aos burgueses para contratação de exércitos nacionais, visando tanto a menor dependência dos suseranos como também o lucrativo comércio.

4. TRANSIÇÃO DA IDADE MÉDIA PARA A IDADE MODERNA

Atualmente, falava-se muito em rupturas do sistema medieval em prol do moderno. Contudo, atualmente, historiadores têm criticado essa divisão como arbitrária.

Arbitrária no sentido de que as supostas rupturas são, na verdade, uma transição, já que as mesmas instituições medievais continuaram a existir na Modernidade, sendo apenas reordenadas.

Com isso, tem-se reduzido o termo ruptura em prol da transição, visto que a permanências das instituições do Medievo continuaram e foram reformuladas como qualquer outra ao longo do tempo.


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REFERÊNCIA(S):

BEZERRA, Eudes. Guerra dos Cem Anos, a mais longa guerra da história. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Burguesia: Origem e características (resumo). Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Formação dos Estados Modernos (resumo). Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. Grandes Navegações, a Era dos Descobrimentos. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. O que é Feudalismo? Características do sistema feudal. Acesso em: 13 fev. 2020.
BEZERRA, Eudes. O Concílio de Clermont e a Primeira Cruzada. Acesso em: 13 fev. 2020.
SILVA, Marcelo Cândido da. História Medieval. 1. ed., 2ª reimpressão. Coleção História na universidade. São Paulo: Contexto, 2010.
MACELI, Paulo. História Moderna. 1. ed. 4º reimpressão. Coleção História na universidade. São Paulo: Contexto, 2020.
WOOLF, Alex. Uma nova história do mundo. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2014.
IMAGEM(NS):
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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