História da Educação até a Idade Moderna

História da educação
A história da educação nos mostra que por bastante tempo a educação foi um privilégio de poucos em desprezo da maior parte da sociedade. Créditos: autoria desconhecida.

 A História da educação passou por diversas fases, mas em um contexto geral e por bastante tempo, foi um privilégio de poucos…

 …Privilégio de poucos em desprezo da maior parte da sociedade que era quase que sempre destinada aos serviços da base da hierarquia social.

Estamos tão acostumados com a escola que às vezes nos parece estranho o fato de que essa instituição não existiu sempre, em todas as sociedades. (ARANHA, 2006, p. 32)

Boa leitura!

TÓPICOS DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

1. Por que estudar História da Educação?
2. Educação na Pré-História
3. Educação na Antiguidade
4. Educação na Idade Média Ocidental
5. Educação na Idade Moderna
⠀⠀5.1 História da Educação no Renascimento Cultural
⠀⠀5.2 Reforma Protestante e a Educação
⠀⠀5.3 Contrarreforma e a busca de novos súditos: a catequização
6. História da Educação no Brasil Colônia
7. Conclusão
Referências

1. POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO?

Estudar a história da educação nos possibilita entender muito melhor as diversas questões do passado que ainda se refletem no presente.

A educação, seja precária ou avançada, mostra-nos o grande abismo criado entre as tantas sociedades, sejam ocidentais sejam orientais, que secularmente segregaram seus membros do aprendizado, privilegiando apenas uma pequena parcela.

No mais, esta matéria é genérica e, por tanto, sem o aprofundamento devido – o que acontecerá nos artigos referentes à história da educação no Brasil.

2. EDUCAÇÃO NA PRÉ-HISTÓRIA

A educação na Pré-História, isto é, antes da invenção da escrita, caracterizava-se pela oralidade e praticidade das lições que eram aprendidas por todos os membros do grupo.

Longe da educação que conhecemos atualmente, a sistematizada (dentro e às vezes fora das escolas), todos os membros do grupo possuíam as mesmas chances de aprender e contribuir para o bem comum.

Ao que se sabe, não existia à época a figura de um “docente”, sendo o papel deste realizados por várias pessoas mais experientes, que repassavam seus conhecimentos aos membros mais novos e assim por diante…

Também inexistia a regulação de tempo para o aprendizado de determinadas tarefas, assim como a imposição de aprendizados. Desse modo a ideia de tempo para determinadas tarefas era inexistente, mas poderia refletir no status da pessoa perante sua tribo.

Buscava-se aprender de tudo um pouco, tendo as aptidões de homens e mulheres orientadas mais especificamente ao que se fazia de melhor para potencializar o bem comum do grupo.

história da educação e a pintura rupestre
As pinturas rupestres eram umas poucas formas de registro que auxiliavam na perpetuação dos hábitos da sociedade, de modo a preservar sua memória e abranger o ensino. Créditos: Marcos Oliveira / Serra da Capivara, Piauí.

3. EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE

A educação na Idade Antiga Ocidental e Oriental passa por diversas mudanças devido à complexidade das civilizações, principalmente com o advento da escrita.

Essa complexidade faz com que a indivisibilidade das sociedades tribais tome forma na divisão de classes sociais, com ou sem privilégios. Com isso, o ensino agora passa a ser dividido.

Enquanto as parcelas privilegiadas recebiam educação, as classes populares tinham uma educação familiar, o que por vezes acabava na perpetuação do mesmo ofício de geração em geração.

Por exemplo, se a escrita e os conhecimentos de matemática eram repassados aos filhos das classes dominantes, os filhos das classes baixas costumavam aprender o ofício de sua família, como agricultores.

Devido a isso a educação mais ampla e completa se tornou um verdadeiro patrimônio das classes mais altas da sociedade. Fato que se seguiria por séculos a frente.

Entretanto, em algumas sociedades, como a romana, possuía um sistema (Humanitas) mais amplo em alguns de seus períodos, o que uma formação mais ampla do ser humano como indivíduo.

história da educação e o alfabeto fonético fenício
Aos fenícios é atribuído o primeiro alfabeto fonético da história, copiado e aperfeiçoado pelos gregos posteriormente. Esse alfabeto, por sua simplicidade e capacidade de rápido aprendizado popularizou o ensino, facilitando o comércio e reduzindo a exclusão social. Créditos: autoria desconhecida.

4. EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA OCIDENTAL

A educação no período medieval ficou marcada pelas mesmas questões da Idade Antiga.

Entretanto, na Europa Ocidental, a Igreja Católica passou a ser a grande detentora do saber em meio a uma sociedade quase totalmente analfabeta.

Em suas abadias, escritos antigos de gregos, romanos e mesopotâmicos eram copiados e guardados, gerando a conservação e ampliação. Porém, muitos desses conhecimentos eram blindados pela própria instituição.

Na Idade Média, a educação passou a ter grande força religiosa na qual não apenas se buscava o ensino religioso, mas também a formação da sociedade dentro dos dogmas da Igreja.

Poucos possuíam a chance de uma educação primorosa, sendo esta direcionada aos mais abastados e muitas vezes apenas direcionada aos herdeiros dos senhores feudais.

história da educação e o nascimento das universidades
O nascimento das universidades se deu durante o período medieval, sendo um os grandes centros de conhecimento da época. Créditos: Universidade de Paris criada durante a Idade Média, de Etienne Collault.

Durante o fim da Idade Média alguns movimentos surgiram contra esse sistema de ensino.

No entanto, somente com o monge católico, Martinho Lutero, desencadeando a Reforma Protestante, que se mudou bastante o pensamento da época.

Com o Renascimento, que veremos a seguir, as formas de ensino ficaram mais abrangentes e diversas outras instituições religiosas surgiram, reduzindo o poder da Igreja Católica.

Com isso, abriu-se espaço para a educação longe da interpretação estritamente religiosa do clero.

história da educação e o concílio de trento
A Igreja Católica, a mais poderosa instituição do período medieval, apesar de preservar e expandir conhecimentos, blindava-os da sociedade na qual seus membros eram quase que inteiramente analfabetos. O domínio da educação era um privilégio que apenas alguns possuíam, como pessoas destinadas a ser reis e rainhas (e nem sempre). Créditos: Concílio de Trento, autoria desconhecida.

5. EDUCAÇÃO NA IDADE MODERNA

A Educação na Idade Moderna passou por inúmeras modificações, ganhando cada vez mais um caráter terreno em detrimento dos professados pela Igreja Católica, que durante o período medievo era a detentora do saber.

O Renascimento Cultural e a Reforma Protestante foram alguns dos abalos que dariam impulso aos novos tempos da história da educação.

5.1 História da Educação no Renascimento Cultural

Com o Renascimento Cultural e o consequente enxergar e compreender o ser humano (Humanismo), a educação foi cada vez mais afastada das ideias teocêntricas em prol do Antropocentrismo.

Como bem explica a professora Maria Lúcia Aranha (2006, p. 196):

A Renascença é o período compreendido entre os séculos XV e XVI e leva esse nome por significar a retomada dos valores greco-romanos.

Também chamada de Renascimento, desencadeou o movimento conhecido como humanismo, indicando a procura de uma imagem do ser humano e da cultura, em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média e ao espírito autoritário delas decorrente.

Ainda, importante ressaltar que o ensino professado pela Igreja Católica, embora comece a ser reduzido, estava longe de ser extinto e se reformularia para tomar novos rumos que impactariam diversas regiões do planeta, como o Brasil Colônia.

5.2 Reforma Protestante e a Educação

No século XVI, a Reforma Protestante, ou Reforma Religiosa, desencadeada por um membro da Igreja Católica, o monge agostiniano Martinho Lutero.

As reformas propostas por Lutero geraram um vendaval de mudanças que acabaria atraindo outros interesses, como os da burguesia em ascensão e da monarquia, que reduziram ainda mais o poder da Igreja Católica.

Essa redução de poder da Igreja paulatinamente acabaria por facilitar a criação de novos modelos de ensino, que minaram ainda mais o poder da Igreja Católica, como a atenuação dos medos que a sociedade possuía visto que a Igreja controlava todos os aspectos da vida social no Medievo.

Com isso, a difusão do conhecimento e valorização do ser humano reduziu os temores e poderes da instituição religiosa, de modo que até o Tribunal do Santo Ofício (Santa Inquisição), embora tenha sido utilizado com mais força inicialmente, acabaria entrando em declínio até ser extinto.

Martinho Lutero e as suas 95 teses
Martinho Lutero era um membro fiel da Igreja Católica, mas as práticas realizadas por membros da mesma igreja eram por ele consideradas heréticas. Com isso, postulou suas 95 teses que acabaram por desencadear a Reforma Protestante, o que ajudou em muito a reformulação do ensino e liberdade de expressão. Créditos: Ferdinand Pauwels / Coleção: Eisenach, Wartburg-Stiftung, Alemanha.

5.3 Contrarreforma e a busca de novos súditos: a catequização

A Igreja Católica, após perder inúmeros seguidores e se temer a própria extinção, realizou o Concílio de Trento para debater e se reformular.

O resultado foi, basicamente, a reafirmação da fé e uma corrida para capacitar padres para que prestasse educação na Europa e nas colônias, principalmente as pertencentes às Coroas de Portugal e da Espanha.

Buscou-se a catequização das populações nativas para aumentar os seguidores e a força da Igreja Católica. Com isso, a Companhia de Jesus (Jesuítas), seriam enviados a todas as direções para educar sob os antigos dogmas do Catolicismo.

Essas ações definidas no Concílio de Trento impactaram diretamente o Brasil por ser colônia de Portugal, gerando a primeira forma de educação existente na colônia portuguesa.

venda de indulgências pela igreja católica
As vendas de falsas relíquias sagradas, cargos no clero e indulgências (perdão) foram algumas das teses de Lutero, que acarretaram a Contrarreforma da Igreja Católica que buscou se reorganizar para sobreviver. Créditos: Augsburg.

6. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

A história da educação no Brasil Colônia começou com os jesuítas a partir da chegada da primeira comissão formada por cinco membros da Companhia de Jesus no ano de 1549.

Posteriormente os Jesuítas seriam expulsos do Brasil durante a Reforma Pombalina realizada pelo Marquês de Pombal, na qual a educação passou por significativas modificações.

Como a história da Educação no Brasil é de grande interesse e relevância, assim como a sua grande extensão, novas matérias estão sendo criadas e em breve serão publicadas, também estando o link exatamente aqui disponibilizado.

história da educação no brasil e os jesuítas
Indígenas sendo catequizados no Brasil Colônia. Créditos: “Na Cabana de Pindobuçu”, de Benedito Calixto de Jesus.

7. CONCLUSÃO

Como se pode verificar, a história da educação passou por inúmeras épocas, mas com poucas mudanças realmente significativas.

A partir da Idade Moderna, principalmente após o Iluminismo e essencialmente no século XIX, é que as escolas e universidades vão começar a tomar a forma que conhecemos.

Muitos pensadores, como Comenius, Piaget, Vygotsky, Wallon e Freud, dariam novos contornos às formas de aprendizagem, sendo praticamente todos da Idade Moderna e Contemporânea.


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REFERÊNCIA(S):

ARANHA, M. L. A. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
MICELI, Paulo. História Moderna. 4ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2020.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
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Autor: Eudes Bezerra

33 anos, pernambucano arretado, bacharel em Direito e graduando em História. Diligencia pesquisas especialmente sobre História Militar, Crime Organizado e Sistema Penitenciário. Gosta de ler, escrever, planejar e principalmente executar o que planeja. Na Internet, atua de despachante a patrão, enfatizando a criação de conteúdo.

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